Da Redação



"Ensaio sobre o amor"

Ronaldo Pereira Rodrigues

01-03-2020

Imagine um dia, um vírus acometesse as pessoas e ao acordarem sentissem uma imensa e incontrolável vontade de amar e fazer o bem.

Mas não seria um amor qualquer, vulgarizado ou banalizado... não!

Seria um amor puro e verdadeiro na acepção da palavra.

As pessoas seriam levadas por uma força irresistível de fazer o bem.

De ajudar a todos que cruzassem seus caminhos, sem que a mente lhes remetesse qualquer tipo de julgamento.

Seriam completamente atraídas pelo bem-fazer, e pela vontade insuportável de ser útil.

Não mediriam esforços para serem caridosas, como se o exercício do amor se transformasse em uma "droga” que lhes trouxessem bem-estar e satisfação indefinível no campo dos sentidos.

E quanto mais se consumisse o amor, mais êxtase dominaria a mente, como se cada abraço, cada gesto de carinho, fosse uma dose de sublime e intensa euforia.

Todos se cumprimentariam com bom dia e sorrisos nos rostos.

Todos se saudariam com autenticidade no coração.

A gentileza se faria presente em tudo: em casa, na rua, no trabalho e na vizinhança.

As pessoas não mais se tolerariam, porém, se respeitariam com autenticidade.

Não existiria mentiras, apenas verdades.

Sem enganação, elas seriam tocadas por compaixão.

Sem orgulho, elas só pensariam no bem ao próximo.

Sem egoísmo, elas se doariam humildemente.

Sem vaidade, elas se vestiriam de simplicidade e sem maldade elas se sentiriam mais cristãs.

A violência e o medo dariam lugar a paz e a confiança.

A ignorância se renderia à educação.

A disciplina seria ferramenta trabalho.

O respeito seria instrumento convivência.

A paciência se transformaria em educandário familiar.

E a família se estenderia a toda humanidade.

Os pais se transformariam em exemplos de moralidade e os filhos em sementes de benevolência.

Os países se converteriam em uma só nação, cujo objetivo principal seria a promoção do bem social.

Todos passariam a falar uma mesma língua.

As fronteiras do ódio se transformariam em elos de amor e amizade.

Não mais existiria xingamentos, palavrões ou coisas assim....

Murmúrios e lamentações converter-se-iam em preces de gratidão.

Os ensinamentos de Jesus seriam a nova Constituição.

Todos nesse dia poderiam sentir o lídimo significado do amor.

Todos nesse dia poderiam sentir verdadeiramente a presença de Deus no imo de suas almas.

E assim, não quereriam mais dormir, a fim de que esse dia jamais terminasse, e o Amor para sempre reinasse.

Talvez isso seja mera ficção, utopia distante, sonho de um homem de bem, pois sabemos que o amor não pode ser causado por um vírus ou uma droga qualquer.

Mas temos a certeza de que o seu nascedouro tem princípio na transformação moral da humanidade.

E se perpetuará para sempre, na vontade insaciável do ser em exercitar a caridade e se doar imensuravelmente em prol da beneficência.



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