Vladimir Polízio



Será um ano a mais ou a menos?

06-12-2016

Na verdade, as duas assertivas estão corretas.

Será sempre mais um tempo conquistado, pois não sabemos o dia do retorno à morada eterna e também será sempre um tempo a menos, considerando que nas páginas do livro particular da vida constam a hora em que deveremos aparecer e desaparecer deste mundo (1).

Com o término do ano, mais uma etapa foi vencida em nossa vida. É mais um trecho do caminho que deixamos para trás, conscientes de que tivemos 365 dias disponíveis para corrigir os desvios da rota, reformar pensamentos, rever atitudes e compromissos, especialmente os que ficaram pendentes.

O clima de festa poderá lhe parecer abusivo, mas faz parte da euforia a que muitos se entregam, quer em relação à alegria que o período que ofereceu ou pela oportunidade que i novo ano promete, como mensageiro da ‘sorte’ àqueles que não sentiram a reconfortante brisa da felicidade, nesse tempo que vai ficando para trás. O que vem é sempre novo e, por isso mesmo, acontece a manifestação espontânea da esperança, que no Espiritismo é uma das filhas da caridade.

Há, também, os indiferentes ou tristes, tocados pelas vibrações de dor em razão da visita infortunada de doenças ou da própria morte, fatores que agridem o sentimento e sombreiam os corações saudosos. “Em nossa romagem na vida, atravessamos épocas de sementeira e fases de colheita”(2).

Contudo, em que pesem contrariamente na balança da emoção o desânimo e a indisposição, contribuindo com o afastamento dos ambientes onde fervilham a alegria, essas atitudes, embora coerentes com as forças fluídicas que envolvem cada pessoa em determinado instante da existência frente aos problemas que enfrentam, há que se pensar, necessariamente, num justo motivo para compreender a grandeza da vida física frente aos desequilíbrios da harmonia e da paz a que somos conduzidos em determinados momentos.

Nunca esquecer que VIVER representa o maior prêmio recebido do Senhor da Vida e dos Mundos. Menosprezar a vida é ignorar a bondade do Criador, é não levar em conta a oportunidade gloriosa e bendita de exercitar tudo o que foi um dia planejado na espiritualidade.

Essa chance desencadeia no curso da vida uma série de outras conquistas que durante os anos na Terra cada um vai realizando, pois “a vida é uma escola e cada criatura, dentro dela, deve dar a própria lição”(3). E essa vida, como se sabe, não é feita de retalhos, qual colcha cujos pedaços de tecido são irregulares, mas de trechos, de etapas que, progressivamente vão se materializando, sendo superadas e deixadas para fazerem parte do passado, sobre o qual vamos edificando com sacrifício o futuro, não obstante os acidentes que encontramos ao longo do percurso, lembrando que “os obstáculos são bênçãos em que podemos receber e dar, conforme a nossa atitude perante a vida”(4).

Um bom Ano Novo a você que me lê agora, reconhecendo que tudo, mas tudo mesmo, pertence ao Criador, inclusive nós.

Pense nisso e seja feliz, pois todos podem ser felizes de acordo com a dimensão desse sentimento no exato momento em que está vivendo.

-o-

(1) O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec - Questão nº 159.

(2) De André Luiz, por Chico Xavier.

(3) De André Luiz, por Chico Xavier.

(4) De Emmanuel, por Chico Xavier.

Vladimir Polízio

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