Da Redação



"A escola das almas"

24-10-2016

Viver simplesmente por viver, não teria sentido algum. Muito se ouve, é bem verdade, sobre o peso e a importância do amor. A sabedoria divina, tão sábia e soberana, não se ocuparia em nos dar um período tão curto de existência na Terra. Por que uma vida tão fugaz, tão breve, para nada? Mas, não é assim. Outras muitas razões existem. Outros importantes valores também fazem parte da vida de cada um, sem o que o amor, esta ferramenta sagrada, não estaria no coração da humanidade.

E com esse bondoso e fraterno pensamento, carregado de sentimentos acomodados no coração é que vamos ouvir a mensagem de Néio Lúcio, personagem que já viveu em eras remotas ao tempo de Jesus. É através do médium Chico Xavier que chegamos a esta página rica em sabedoria, que fala da vida, mais precisamente do sagrado lar de cada um, onde esse benfeitor relata episódio ocorrido com a sogra do apóstolo Pedro, quando Jesus se manifesta:

— "O lar é a escola das almas, o templo onde a sabedoria divina nos habilita, pouco a pouco, ao grande entendimento da Humanidade.

E, sorrindo, perguntou:

— Que fazes inicialmente à lentilha, antes de servir a refeição?

A interpelada respondeu, titubeante:

— Naturalmente, Senhor, cabe-me levá-la ao fogo para que se faça suficientemente cozidas. Depois, devo temperá-las, tornando-as agradáveis ao sabor.

— Pretenderias, também, porventura, servir pão cru à mesa?

— De modo algum — tornou a anciã humilde —; antes de entregá-lo ao consumo caseiro, compete-me guardá-lo ao calor do forno. Sem essa medida...

O Divino Amigo então considerou:

— Há também um banquete festivo, na vida celestial, onde nossos sentimentos devem servir à glória do Pai. O lar, na maioria das vezes, é o cadinho santo ou o forno preparador. O que nos parece aflição ou sofrimento dentro dele é recurso espiritual. O coração acordado para a Vontade do Senhor retira as mais luminosas bênçãos de suas lutas renovadoras, porque, somente aí, de encontro uns com os outros, examinando aspirações e tendências que não são nossas, observando defeitos alheios e suportando-os, aprendemos a desfazer as próprias imperfeições.

Nunca notou a rapidez da existência de um homem? A vida carnal é idêntica à flor da erva. Pela manhã emite perfume, à noite, desaparece... O lar é um curso ligeiro para a fraternidade que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em seu círculo, são lições.

A sogra de Simão escutou, atenciosa, e ponderou:

— Senhor, há criaturas, porém, que lutam e sofrem; no entanto, jamais aprendem. O Cristo pousou na interlocutora os olhos muito lúcidos e tornou a indagar:

— Que fazes das lentilhas endurecidas que não cedem à ação do fogo?

— Ah! sem dúvida, atiro-as ao monturo, porque feririam a boca do comensal descuidado e confiante.

— Ocorre o mesmo — terminou o Mestre — com a alma rebelde às sugestões edificantes do lar. A luta comum mantém a fervura benéfica; todavia, quando chega a morte, a grande selecionadora do alimento espiritual para os celeiros de Nosso Pai, os corações que não cederam ao calor santificante, mantendo-se na mesma dureza, dentro da qual foram conduzidos ao forno bendito da carne, serão lançados fora, a fim de permanecerem, por tempo indeterminado, na condição de adubo, entre os detritos da Natureza."

-o-

Do livro Jesus no lar, de Néio Lúcio por Chico Xavier


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