Da Redação



"Eterno respeito a Allan Kardec"

Vladimir Polízio

28-7-2020

Quando externamos nossa reverência à Doutrina oferecida pelos Espíritos à Humanidade através de Allan Kardec (1804-1869), que teve pouco mais de 14 anos disponíveis para dedicar-se ao estudo cuidadoso e aprofundado que lhe rendeu várias obras de elevado cunho moral, não há exagero algum.

Bendita a presença física desse abnegado pesquisador que nos deixou sólido alicerce que vem servindo de abençoada fortaleza, abrigando em suas estruturas de aspecto equivocadamente rústico, quando vistas à distância, mas que se traduz em aconchegante posto de repouso a cansado viajante habituado às informações enganosas recebidas ao longo do caminho a respeito do até então indevassável assunto abordando os intrincáveis mecanismos da vida.

Veio ao nosso mundo, interessou-se pelas "mesas falantes", conheceu o magnetismo, explicou superstições e seus "mistérios", suportou desafios e a incredulidade alheia!

E foi no curso dessa minuciosa análise sobre o infinito e os seus (até então) segredos que Kardec, nesse curto período de atividade espírita na condução ativa de perquiridor dos Espíritos, recebeu, de seu protetor que se identificou posteriormente como Zéfiro, algumas preciosas informações acerca de si mesmo, assim dizendo: "Nessa existência não verás mais do que a aurora do êxito da tua obra. Terás que voltar, reencarnando noutro corpo, para completar o que houveres começado e, então, dada te será a satisfação de ver em plena frutificação a semente que houveres espalhado pela Terra"(1).

Essa primeira manifestação ocorreu no dia 17 de janeiro de 1857 e O livro dos Espíritos foi lançado exatos três meses depois, em 18 de abril de 1857.

Não houve questionamento, mas Kardec percebera que o tempo não lhe poderia escoar sem que o resultado de seu trabalho não fosse alcançado. A esse aviso sucedeu-se outro, quase três anos e meio depois, em 10 de junho de 1860, desta feita, sobre pormenor que não lhe passou despercebido: – "Prossegue em teu caminho sem temor; ele está juncado de espinhos, mas eu te afirmo que terás grandes satisfações, antes de voltares para junto de nós, "por um pouco". Por este detalhe, a pergunta do Codificador imediata: – "Que queres dizer por essas palavras: por um pouco?"

A resposta não tarda: – "Não permanecerás longo tempo entre nós. Terás que voltar à Terra para concluir a tua missão, que não podes terminar neste existência. Se fosse possível, absolutamente não sairias daí; mas, é preciso que se cumpra a lei da Natureza. Ausentar-te-ás por alguns anos e, quando voltares, será em condições que te permitam trabalhar desde cedo. Entretanto, há trabalhos que convém os acabes antes de partires; por isso, dar-te-emos o tempo que for necessário a concluí-los".

Em suas anotação na sequência desse diálogo vemos: "Calculando aproximadamente a duração dos trabalhos que ainda tenho de fazer e levando em conta o tempo de minha ausência e os anos da infância e da juventude, até à idade em que um homem pode desempenhar no mundo um papel, a minha volta deverá ser forçosamente no fim deste século ou no princípio do outro".

E assim foi. Allan Kardec deixou a vida física em 03 de outubro de 1869.

Depois, até o final de 1800 e logo no início do século seguinte, não se teve notícia e nem se falou mais do que foi prenunciado por Zéfiro, seu protetor e condutor do árduo compromisso sobre o estabelecimento da base sólida da Doutrina Espírita.

Afinal, Zéfiro teria blefado, empregando há mais de 170 anos o que hoje conhecemos como "fake news"? Não, evidente que não. Não houve engodo algum. Se uma boa árvore só pode dar bons frutos, belas flores ou excelente sombra, não poderiam ser falsas ou sem sentido algumas poucas frases isoladas em meio a milhares de outras, esclarecedoras, justas e perfeitas.

"Coincidência ou acaso"(2), renasce um personagem no círculo da carne em 1910, com outra roupagem e com outro nome, mas com o mesmo perfíl do propósito anterior, que é o de acrescentar ao conjunto de obras, aquilo que o tempo não lhe permitiu fazê-lo.

E ao longo dos anos que sucederam a esse marco histórico, fomos descobrindo aos poucos, fatos que ainda não haviam sido dados a conhecer.

Naturalmente que falamos de Francisco Cândido Xavier (1910-2002) que através de eminentes benfeitores, dentre os quais destacamos Emmanuel, que o acompanhou por 75 anos e André Luiz, que conquistou a luz após penar por longos oito anos consecutivos nas esferas inferiores(3), nos trouxe esclarecimentos extraordinários e de tal envergadura, que foram necessárias, para alguns casos, mais de sete décadas para que pudéssemos contemplar um panorama junto à ciência médica, por exemplo, proclamando em tempos modernos novidades já anunciadas em tempos idos.

Simplesmente maravilhoso!


(1) Obras póstumas, de Allan Kardec.

(2) Coincidência ou acaso: "O acaso, propriamente considerado, não pode entrar nas cogitações do sincero discípulo da verdade evangélica" - em O Consolador, de Emmanuel, por Chico Xavier - FEB.

(3) Nosso lar, de André Luiz, por Chico Xavier.




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