Da Redação



Vladimir Polízio

"A morte não é o fim da vida"

16-8-2020

Para essa pergunta temos duas respostas específicas e de fácil assimilação.

A primeira delas deixa claro um ponto que é desconhecido por muitos, por acreditarem que a vida é o próprio Espírito, o que não é verdade. O ser humano possui sim, a vida, mas a vida orgânica, que todo ser vivo tem, a exemplo das plantas. O Espírito é o princípio inteligente, é o ser que ocupa a matéria, que se utiliza do espaço vivo para manifestar-se, sendo independente da matéria. "Ambos são distintos; mas é necessário a união do Espírito e da matéria para dar inteligência à matéria"(1). Daí a razão da necessidade de cuidar do corpo para que esteja sempre em condições de equilíbrio.

É o Espírito, que se acha encarnado, que se manifesta através do tempo demonstrando a sua personalidade, que nem sempre é réplica dos pais. Portanto, a vida não está vinculada à presença do Espírito; o Espírito é que se vincula a um corpo vivo.

Assim, quando se fala na morte fala-se na morte do corpo, que é matéria e nada tem a ver com o Espírito, que é eviterno, não perece, porque foi criado para a eternidade, pelo Senhor da Vida e dos Mundos.

Quando a matéria, se esgotando por falência dos órgãos ou por mutilação decorrente de acidentes, cessa sua atividade e eficiência, o Espírito se retira do corpo (matéria densa), afrouxando seus laços fluídicos. O Espírito nunca habita um corpo inanimado.

Portanto, a morte nunca foi nem será o fim do Espírito, da Entidade que o habita. Por ocasião do nascimento, o Espírito que o habitará não é recém nascido, como o corpo orgânico. Já possui em seu histórico uma infinidade de renascimentos que somam alguns milhares de anos. Em cada encarnação terá sempre uma roupagem nova (corpo físico) e um novo nome mas o Espírito, que é eviterno, será sempre o mesmo, assimilando conhecimentos e aperfeiçoando-se em cada uma de suas existências, que podemos considerar como a maior dádiva que se recebe do Criador, pois é através dela que somos o que somos e temos o que temos.

Há uma especial passagem do Evangelho de Jesus(2), que se refere ao assunto e traduz o diálogo entre o Mestre e Nicodemos(3) quando foi, em horário noturno, buscar esclarecimentos que o perturbavam já que não podia aceitar alguém adulto voltar ao ventre materno, quando do regresso à vida física. O diálogo não se limitou a esta frase "O que é nascido da carne, é carne; o que é nascido do espírito, é espírito". Nicodemos trazia consigo o pressentimento de que ele, Jesus, só podia ter vindo da parte de Deus trazendo sinais que não eram da Terra. Observa-se que esta passagem só existe nas anotações do Evangelista João que a retratou com o carinho que lhe era próprio.

Embora muitos não acreditem na continuidade da vida, entendendo que a vida é somente aqui na Terra e que, com a morte, se encerra a existência de uma pessoa para sempre, não faz nenhum sentido pensar dessa maneira, até da parte dos incrédulos. Tanto cuidado, tanto respeito para absolutamente nada? Ora, teria o Criador, com sua inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas dispensado sua atenção para com esse Universo infinito, deixando somente para este mundo que conhecemos, a Terra, com a incumbência de abrigar a encarnação dos Espíritos?

Como cristãos, como poderíamos entender as frases de Jesus ao dizer que não era deste mundo e asseverando que há muitas moradas na casa de meu Pai?

Não obstante o sofrimento e dor que se abatem sobre a família dos que retornam ao mundo espiritual, esse ente querido, embora não mais esteja fisicamente entre nós, continua existindo, mais vivo que nunca, mas em outra dimensão que não nos é dado alcançar para uma breve conversa ou visita, no momento de nossa necessidade. Essa é uma lei que não deixa dúvida.

O médium Francisco Cândido Xavier (1910-2002) viveu entre nós atendendo milhares de mães que se socorriam de suas faculdades para um contato com dimensões invisíveis aos olhos humanos onde se abrigavam os que já haviam partido deste nosso mundo.

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Em cada um deles há uma história dos familiares que foram buscar em Uberaba, com o médium Chico Xavier, alguma notícia que pudesse abrandar a dor dos que sofriam com a perda se seus amados. Fatos reais, verdadeiros, de pessoas que insistiram e acabaram conseguindo o que mais queriam: uma longa carta escrita pelo próprio espírito, depois de alguns meses da ocorrência quando já estava em condições de equilíbrio para esse contato.

Mas não só o médium Chico Xavier conversava com espíritos e deles recebia mensagens. Esses sempre existiram, de toda a eternidade.

Citamos Chico porque foi ele o que mais recebeu matérias sobre a morte ao longo de sua vida, tendo inúmeras obras publicadas contendo psicografias de entes queridos, para familiares residentes no Brasil e de outros países e outras tantas, não publicadas, atenderam aos que foram em busca de socorro espiritual com o médium. Algumas, muito especiais, tiveram grande influência em decisões em tribunais brasileiros(4).

O importante para nós é saber que a vida continua, mais intensa e estuante!

"A maior surpresa da morte carnal é a de nos colocar face a face com a própria consciência".

-o-

(1) O Livro dos Espíritos questão 25.

(2) João, Cap. 3, 1-12.

(3) Nicodemos: doutor da lei e integrante do Sinédrio, em Jerusalém, uma das mais antigas cidades do mundo, na Palestina dos tempos de Jesus e composto de sacerdotes, anciãos e escribas, que julgavam assuntos criminais.

(4) A psicografia no Tribunal, de Vladimir Polízio - da Butterfly Editora.





Vladimir Polízio
polizio@terra.com.br

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