Vladimir Polízio



A presença do Magnetismo

09-06-2017

A relutância para compreender que o magnetismo faz parte da vida não deveria existir, embora desde os tempos iniciais da Doutrina fala-se a respeito desse fluido que desperta pouco interesse em seu estudo, razão do distanciamento constatado. Afinal, porque falar sobre um assunto sobre o qual está presente a ausência de conhecimento? "É que o magnetismo é uma força natural, e que, diante das forças da Natureza, o homem é um pigmeu semelhante a esses cãezinhos que ladram, inutilmente, contra o que os assusta", Revista Espírita de Janeiro de 1858.

Em algumas das obras de André Luiz, com a psicografia de Chico Xavier, encontramos material elucidativo que fala sobre a influência do magnetismo no corpo físico e espiritual, além de enaltecer a presença dos centros de força no perispírito e promover esclarecimentos a respeito das vinculações orgânicas a esses portais de entrada da energia fluídica.

Trata-se, sem dúvida alguma, de um assunto intimamente ligado à Doutrina Espírita, pois Allan Kardec, quando a ele se dirigia, o magnetismo, o fazia de uma maneira clara e sempre enfatizando o potencial existente e despercebido pela grande maioria não só dos espíritas, mas principalmente da humanidade.

Diz o Codificador, na Revista Espírita de Março de 1858:

"O Magnetismo preparou os caminhos do Espiritismo, e os rápidos progressos dessa última doutrina são, incontestavelmente, devidos à vulgarização das idéias da primeira". Sim, porque Kardec, antes mesmo de 1855, quando iniciou seus estudos envolvendo os dois lados da vida, o de cá e o de lá, trouxe ao conhecimento público que desse outro lado, os que daqui haviam partido se encontram mais vivos do que nunca. Aliás, não só vivos mas também comunicativos e mais cheios de esperança e de ânimo, do que quando se encontravam por aqui, em nosso meio.

Por algumas décadas Kardec já havia estudado a influência magnética na Terra e também sobre tudo o que estava nela.

Tanto essa afirmativa é verdadeira que quando o Codificador ouviu dizer naqueles tempos sobre as "mesas girantes que se moviam e escreviam", surpreendeu-se, pois ele já conhecia os efeitos desse fluido, os quais eram responsáveis pela mobilização de objetos, mas não que estes pudessem responder ou escrever; se assim era é porque haveria de ter, por trás desse quadro das mesas, uma inteligência.

Dito e feito.

Pesquisou por cerca de um ano apenas e o resultado desse seu sério estudo foi o que temos como base doutrinária de um conhecimento nascente no século XIX, rumo ao futuro.

Kardec avançou no esclarecimento e desmistificação do magnetismo, que àquela época era utilizado por pessoas que se faziam passar por homens de bem demonstrando habilidades excepcionais por meio do uso desse fluido poderoso, em razão da abundância que dele possuíam. Foram conhecidos por charlatães, que enganavam as pessoas através dos "milagres" feitos em plena rua, aos olhos de quem quisesse ver, sempre em troca de algum dinheiro. Prodígios e mais prodígios.

Em O Livro dos Médiuns o Codificador destaca que as pessoas dotadas de força magnética, ou seja, pessoas possuidoras de boa dose desse dom, concorreriam também, via de regra, com a grande possibilidade de serem médiuns.

Fizemos diversos registros de pessoas portadoras dos mais variados graus de força fluídico-magnética, seja utilizando a forquilha ou o pêndulo para a localização de água e outras jazidas ou a vareta, para a mesma finalidade, ou, ainda, pessoas que movimentam e manipulam objetos, apenas com o emprego das mãos ou mesmo com a concentração do olhar.

De fato, tivemos a oportunidade de constatar essa importante afirmativa após convidar individualmente os que apresentaram essa virtude, a participar, em momentos diferentes, de uma reunião mediúnica, pois que esses personagens nunca haviam integrado reunião dessa natureza e finalidade, embora todos eles possuíssem, como amparo religioso, outros credos. Mesmo assim, não recusaram o convite.

Lembramos que a mediunidade é um dom divino. Quando falamos de Escola de Médiuns, falamos de um aprendizado para educar, oferecer disciplina, dar condições doutrinárias para compreender essa condição que terá sim que ser trabalhada e desenvolvida, com uma única condição: dar de graça o que de graça recebeu. Se assim não for, em breve tempo aquele que não agir de conformidade com esta regra enfrentará tempos difíceis com um rosário de tropeços e impertinências de toda ordem.

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Vladimir Polízio

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