Da Redação



"Os falsos profetas - Que ovelha somos?"

Vladimir Polízio

21-5-2020

Sobre os falsos cristos e os falsos profetas, inicia o Cap. XXI do ESE(1) com a abordagem do tema Conhece-se a árvore pelos seus frutos, qual seja, conhece-se a árvore pelos seus resultados.

Na verdade, como quase todas as demais passagens do Evangelho de Nosso Senhor Jesus, o Cristo, Mestre e modelo moral de nossa ética e ações, este ensinamento reveste-se igualmente de boa dose de alegoria.

Essa forma de expressar-se nos deixa livres para alargar a dimensão do entendimento para além das fronteiras do "fruto".

Jesus está situado no ápice da escalada moral como o Cristo, pois fora ungido pelo Senhor da Vida e dos Mundos a esse grau extremo da hierarquia celestial, condição de virtuosa conquista e assim o demonstrou, quando veio até nós, neste Vale de Lágrimas, trazer ensinamentos ao mundo através da Boa Nova, espraiando seus atos de amor e caridade alcançando seu grau máximo, permitindo inclusive o seu sacrifício, condição impar que por si só já o consagra como sendo para nós, cristãos, O Caminho, A Verdade e A Vida. De fato, o ungido de Deus.

Com essas credenciais, o Mestre não deixaria suas mensagens circunscritas a apenas um ponto de vista. Neste caso, o fruto seria apenas um de seus bons resultados e nós, os que ainda não conseguimos enxergar a profundidade da parábola, nos restringimos ao marco que impusermos.

Por isso, uma árvore será boa pelo que ela produz, sejam frutos para saciar a fome; sombra para o repouso em geral e refazimento físico; folhagem para complementação culinária e elaboração de medicamentos; flores que embelezam e enriquecem a Natureza e os olhos; pela madeira que desde todos os tempos é empregada em casas, veículos, templos, pontes e outras finalidades, bem como contribui com o oxigênio, base da vida e benefício extensivo a todos os seres vivos através da fotossíntese e também a seiva e casca, utilíssima em certos casos, além do largo emprego medicinal.

Como é preciso ter olhos de ver, o interesse por algum desses itens no leque de opções, temos que considerar que será levado em conta, sempre, o instante da real precisão. Dessa maneira será escolhido aquele fruto que mais atenda à necessidade do momento em qualquer situação, emergente ou não. Essa parábola nos faz repensar em situação atual.

Como ainda estamos vivendo em um mundo que se encontra em processo de transição, com turbulências cíclicas e mudanças surpreendentes, ocorrendo simultaneamente certa convulsão psíquica em mentes inseguras que se submetem, alcançadas pela fragilidade mental em que se encontram, manipuladas pelas sombras que, às vezes, chegam a causar estranheza, é bom até que perguntemos a nós próprios:

– Será que nossa conduta está coerente com os ensinamentos cristãos? Será que correspondemos às orientações traçadas no Evangelho, a ponto de nos considerarmos uma ovelha integrando esse imenso rebanho? Não seria interessante rever a trajetória da existência pessoal, com base na afirmativa do Mestre Divino quando disse que somente através Dele teríamos condições de falar com o Senhor Supremo?

Se houver coerência entre uma situação e outra, não há porquê se preocupar, mas, se houver qualquer desvio, ainda há tempo de corrigir a rota, pois ainda estamos a caminho.

Em meio a esse conturbado panorama social em que estamos situados observamos conhecidos e respeitáveis nomes de homens e mulheres espíritas, que se posicionam junto aos Centros e nos meios de comunicação em geral, nos moldes preconizados pela Doutrina Espírita, com a lisura, seriedade e respeito que conhecemos. Mas há, também, os que se apresentam como espíritas e se aproveitam da oportunidade iluminada que lhes surge, utilizando-se dos mesmos meios de difusão para essa finalidade espúria, empregando o adjetivo espiritualistas e não mais o de espíritas, abordando assuntos dos mais variados, embora com essa outra roupagem nada criteriosa e da maneira que lhes interessa, descaracterizando o que Allan Kardec nos ofereceu. Lançam farpas das mais variadas e com propostas e propósitos contrários à união e ao perfeito esclarecimento daqueles que abraçam e respeitam o aprendizado espírita. Ser verdadeiro e autêntico é algo importantíssimo.

Esses personagens, pelo que se tem ouvido, não devem ter compreendido os ensinamentos que lhes foram oferecidos pela Doutrina. Recorro a Santo Agostinho pela sua nobre posição nesse sentido quando diz que sem crer não é possível compreender, da mesma forma que sem a compreensão não há fundamento para crer.

Opinam contrariamente acerca da validade das reuniões mediúnicas, como se desconhecessem as razões racionais que as recomendam, citam personagens de envergadura moral elevada cujo passado e em outras existências integraram o Cristianismo mas foram católicos, alegando que isto os desqualificaria, como Emmanuel e Joanna de Ângelis, além do uso de palavras desrespeitosas ao se referirem a André Luiz, levantando dúvidas severas quanto à lisura e à credibilidade desses Benfeitores.

Certamente os irmãos que procuram por esses atalhos e se intitulam espíritas estão equivocados. Aquele que está convicto em seu credo, que cumpre sua tarefa no campo do estudo, do entendimento, usa a razão em suas observações, sabe o que faz, pois sabe o que quer. Lèon Denis diz: "Aquele que sabe o que quer imprime vigor em seus passos", portanto, falem, discutam, preguem, mas não se identifiquem como espíritas, não usem a Doutrina dos Espíritos como artifício para enganar.

Encerramos este trabalho com esta máxima de uma das grandes luzes que nortearam a nossa Doutrina: "O que a razão e o bom-senso reprovam, rejeitai ousadamente; vale mais repelir dez verdades do que admitir uma só mentira, uma só falsa teoria" Erasto.

Afinal, que ovelha somos?



(1) ESE: O Evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec.




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