Vladimir Polízio



Regeneração da Humanidade

"Os tempos são chegados"

14-12-2017

É compreensível que Allan Kardec, ao longo dos quase catorze anos dedicados aos estudos e pesquisas doutrinárias, tivesse o cuidado de tudo anotar, não só promovendo rigorosa conferência do material coligido, como também registrando os conteúdos das inúmeras reuniões mediúnicas de que participava, e selecionando com cuidado os assuntos e textos que poderiam compor suas obras.

Portanto, tudo o que viu ou ouviu durante esse período de intenso trabalho mereceu sua atenção ao consignar esses registros e guardar as anotações que eram feitas sobre os mais variados assuntos que lhe ocorriam, mesmo porque nada poderia ficar fora de sua judiciosa observação. Isso passou a ocorrer, então, a partir de maio de 1855, quando ele mesmo reconhece que começou seus "estudos sérios sobre o Espiritismo", até o instante final de sua permanência física na Terra, em 31 de Março de 1869, quanto tinha 64 anos.

Essas anotações encontradas foram posteriormente reunidas e permaneceram sob a responsabilidade de sua esposa Amelie-Gabrielle de Lacombe Boudet Rivail (1795-1883), que após o falecimento do esposo assumiu todos os encargos necessários à gestão do Espiritismo, na França e no mundo.

Para que esse valioso acervo e ainda desconhecido do grande público alcançasse os seguidores dessa doutrina nascente em todas as latitudes do Globo, foi idealizada uma obra que enfeixasse o valoroso material deixado.

O resultado foi a edição de OBRAS PÓSTUMAS lançada em janeiro de 1890, 21 anos após o desencarne de seu fundador, que trouxe ao mundo informações mais do que especiais.

Vamos referenciar e de maneira superficial, duas delas.

A primeira, que diz respeito particularmente ao próprio Hippolyte Lèon Denizard Rivail (1804-1869), que passou a chamar-se Allan Kardec a partir da primeira edição de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, em 18-4-1857, data consagrada ao surgimento da Doutrina Espírita. Detalhes foram anunciados ao Codificador e falam das responsabilidades que ele estaria prestes a assumir e a desenvolver, doravante.

Essa primeira obra ainda não havia sido editada, quando algumas informações futuras e a seu respeito lhe foram dadas a conhecer. Por serem estritamente pessoais, conforme adiantou seu protetor, não falaria em público, mas sim por escrito à médium Srta. Baudin, para que ela lho entregasse, o que foi feito.

Kardec, então, ficou sabendo que em sua existência física não veria mais do que a aurora do êxito de sua obra – referindo-se ao conjunto doutrinário. "– Terás que voltar, reencarnado em outro corpo, para completar o que houveres começado...". Aí sim, teria a satisfação plena de ver frutificar a semente que espalharia pela Terra. Este foi o primeiro aviso de sua desencarnação.

Três anos mais tarde, em meados de 1860, Kardec recebe novamente informações que completariam aquele primeiro aviso.

Seu protetor, que anteriormente se identificara como "Verdade", diz: "– Prossegue em teu caminho sem temor; ele está juncado de espinhos, mas eu te afirmo que terás grandes satisfações, antes de voltares para junto de nós por um pouco".

Diante da curiosidade de Kardec pelas palavras "por um pouco", seu protetor continua: "– Não permanecerás longo tempo entre nós. Terás que voltar à Terra para concluir a tua missão, que não podes terminar nesta existência. Se fosse possível, absolutamente não sairias daí, mas é preciso que se cumpra a lei da Natureza. Ausentar-te-á por alguns anos e, quando voltares, terás condições que te permitam trabalhar desde cedo."

Allan Kardec, diante dos informes recebidos, mentaliza hipóteses e as anota; e a mais plausível das que lhe surgem, a exemplo de outras tantas vezes que demonstrou perspicácia em suas obras, quando instado pela razão a assim fazê-lo, concluiu neste caso pessoal, que "...a minha volta deverá ser forçosamente no fim deste século ou no princípio do outro".

A segunda anotação diz respeito a uma mensagem datada de 25 de Abril de 1866, há menos de três anos da partida de Kardec.

O texto é longo, ocupando mais de sete páginas. O título e subtítulo encimam este trabalho e traz assuntos e fatos que se alinham ao estágio atual da Humanidade.

Senão, vejamos:

"Tudo segue a ordem natural das coisas, e as leis imutáveis de Deus não serão nunca invertidas. Não vereis, pois, nem milagres, nem prodígios, nem nada de sobrenatural no sentido vulgar ligado a essas palavras.

Não olheis para o céu para nele procurar os sinais precursores, porque nele nada vereis, e aqueles que vo-los anunciaram vos enganaram; mas olhai ao redor de vós, entre os homens, será aí que os encontrareis.

Não sentis como um vento que sopra sobre a Terra e agita todos os Espíritos? O mundo está numa espera e como que tomado de um vago pressentimento da aproximação da tempestade.

Não credes, no entanto, no fim do mundo material; a Terra progrediu desde a sua transformação; deve progredir ainda, e não ser destruída. Mas a Humanidade chegou a um de seus períodos de transformação, e a Terra vai se elevar na hierarquia dos mundos.

Não é, pois, o fim do mundo material que se prepara, mas o fim do mundo moral: é o velho mundo, o mundo dos preconceitos, do egoísmo, do orgulho e do fanatismo que desaba; cada dia leva-lhe alguns resíduos. Tudo acabará para ele com a geração que dele se vai, e a geração nova elevará o novo edifício que as gerações seguintes consolidarão e completarão."

(...)

"E, como se a destruição não caminhasse bastante rápida, ver-se-ão os suicídios se multiplicarem, numa proporção inaudita, até entre as crianças(1). A loucura jamais terá ferido um maior número de homens que serão, antes da morte, riscados do número dos vivos. Estão aí os verdadeiros sinais dos tempos.

E tudo isso se cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias, assim como dissemos, sem que sejam em nada derrogadas as leis da Natureza."

Para que entendamos essa mensagem em toda a sua extensão, há que se conhecer os números oferecidos pela Organização Mundial da Saúde quando alerta que mais de 700 milhões de irmãos dispersos pelo Globo possuem algum tipo de distúrbio mental; que lembra dos quase 400 milhões com problemas depressivos, dos quais apenas uma parcela entre 15 e 25% desses pacientes é que recebem tratamento adequado, sendo certo que entre os jovens o número tem aumentado significativamente; que o suicídio, embora em alguns casos usa-se dissimular o motivo da morte, é outro ponto considerado preocupante, uma vez que a cada 40 segundos uma alma se recolhe para o tratamento em instituições especializadas no espaço, enquanto os que lhe eram próximos amargam sofridamente o desfecho repentino e trágico de que fizeram parte, seja como parentes, amigos, conhecidos ou mesmo vizinhos.

Sem discorrer sobre os estados brasileiros que lideram essa triste situação e nem relacionar o assunto às cidades que se destacam entre os 5.550 municípios do nosso país, lembramos apenas que são mais de 12 mil pessoas que anualmente recorrem ao suicídio.

Os Centros Espíritas podem e devem atuar nesse campo e em outros, cujos sintomas estejam relacionados com a saúde mental. O que temos visto é muitos pacientes que estão sendo atendidos pela medicina convencional procurarem, simultaneamente, por ajuda nos Centros. Estes, quando possuem equipes disponíveis para o trabalho de fluidoterapia, têm contribuído com o reequilíbrio dos centros de força, auxiliando os necessitados na retomada da saúde.

Não nos esqueçamos nunca: "Fora da caridade, não há salvação".

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(1)Suicídios - dados de Set-2017: "No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10 de setembro), a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OMS) alertaram para este grave problema de saúde pública responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo. Segundo a organização, poucos países incluíram a prevenção ao suicídio entre suas prioridades de saúde e só 28 relatam possuir uma estratégia nacional para isso". https://nacoesunidas.org/oms-suicidio-e-responsavel-por-uma-morte-a-cada-40-segundos-no-mundo/

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Vladimir Polízio

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