Caio Ramacciotti



GEEM - 50 Anos de Vida!

15-01-2017

Às 20 horas do dia 26 de setembro de 1967, nascia o GEEM.

E foi aqui mesmo, neste local em que me encontro: a sua sede social, situada na Avenida Humberto de Alencar Castelo Branco, à época denominada Avenida Jurubatuba.

Desdobro, enquanto redijo este texto, as páginas do documento original da Ata de sua fundação, amarelecidas pela implacável ação do tempo. Presidiu à reunião Rolando Mário Ramacciotti.

Ele me concedeu a palavra na Assembleia daquela memorável noite, pedindo-me para expor aos associados os objetivos essenciais da novel entidade:

— Divulgação da doutrina espírita, por meio da obra de Francisco Cândido Xavier, inspirada nos ensinamentos de Kardec.

Cinco décadas transcorreram... Rolando e Chico Xavier nos deixaram, buscando novas tarefas na Vida Maior. Rolando em 1979, e Chico em 2002, no dealbar do milênio em que vivemos.

Com os olhos voltados para a Ata da Assembleia, meditando, envolve-me imensa saudade. Saudade desses dois amigos tão caros e de tudo o que foi feito a cada dia do meio século, que ora comemoramos, no intuito de divulgar as lições do Mestre, que se perpetuam na eternidade.

Abraçam-me as lembranças de tantas recordações das visitas constantes ao Chico do nosso querido pai de oito filhos, extraordinário empreendedor, com sua visão ampla e privilegiada do futuro.

A cada dois ou três meses, estava ele em Pedro Leopoldo ou Uberaba e, em todas as viagens, invariavelmente retornava com uma longa mensagem de Batuíra, incentivando e orientando-o quanto ao trabalho que executava sem cessar.

Em 1969, após receber mais uma carta de Batuíra, endereçada ao meu pai, Chico falou-lhe:

— Lando, as mensagens de Batuíra para você já davam um livro...

Não dá para esquecer o entusiasmo do querido pai e a alegria que não conseguia esconder, ante o lançamento pelo GEEM de um livro do Chico.

Repetia-nos a cada instante:

— O GEEM vai editar um livro do Chico e do Batuíra!

No ano seguinte, surgiu Mais Luz, inaugurando nosso departamento editorial, hoje com 90 livros psicografados pelo Chico e ainda mais alguns futuros lançamentos.

Dispensava Rolando ao querido médium de Emmanuel imenso carinho e atenção, e, nas suas excogitações, despontava a certeza de tê-lo conhecido em passado distante, quando dura realidade o levou a dever-lhe eterna gratidão.

Em cada encontro, presenteava-o com mimos curiosos, tudo o que fosse novidade, qual o mimeógrafo do final da década de 1950, que imprimia em duas cores. Ao entregar-lhe o ‘raro e valioso equipamento’, demonstrou à exaustão o seu uso, como se tratasse da mais moderna impressora multicolorida de nossos dias.

Em suas visitas ao Chico, era obrigatória a companhia dos amigos participantes do GEEM. Quando não podiam ir, mesmo por motivos incontornáveis, recebiam severa advertência:

— Precisamos aprender com ele. É o missionário do Bem que Jesus nos enviou!

Nos anos 70s, época da maior evidência de Chico na televisão e na imprensa de modo geral e das saudosas Tardes/Noites de autógrafos, em que o último livro era autografado já com o nascer do Sol, Rolando estava sempre a seu lado. Acompanhava-o também nas cidades do país que lhe concederam mais de uma centena de títulos de cidadania.

Nas reuniões públicas de Uberaba, era sempre o primeiro a chegar e o último a despedir-se da doce criatura que a tudo renunciou para servir ao Divino Nazareno.Tinham de ser seus o primeiro e o derradeiro abraço ao Chico!

Rolando lançou e editou regularmente, a partirde 1967, a revista Comunicação, como precípuo objetivo de divulgar a obra de Chico Xavier, não obstante o periódico já existisse informalmente havia 10 anos, editando as mensagens que o médium de Deus lhe enviava.

Após o seu lançamento, Rolando buscou divulgá-la por todos os quadrantes do país. Assim, em suas viagens a Uberaba e nas tardes de autógrafos do Chico, colhia endereços de todos os que se interessassem em receber o exemplar da edição,que era mensal.

Pedia-me ajuda nesse mister, e os seus bolsos do paletó e da calça (e os meus também) ficavam cheios de pedaços de papel com os nomes e endereços que chegaram, no correr do tempo, a 140 mil!

Hoje, a revista Comunicação, em papel couchê e sempre abordando temas ligados a Chico, alcança 25.000 exemplares e, gratuitamente, percorre o país e chega ao exterior.

Nosso primeiro livro, Mais Luz, de Batuíra, deixou Rolando inebriado. Impossível esquecer sua insistência em procurar Laerte Agnelli, o celebrado publicitário, renomado autor de quadros belíssimos, reconhecidos em exitosas exposições na Itália.

Desejava que ele fizesse a arte da capa.

Em seu livro, Encontros com Chico Xavier, editado pelo GEEM, Laerte descreve de modo singular a visita que meu pai lhe fez.

Mais Luz inspirou novo e agradável visual ao livro espírita, com sua capa muito expressiva e o papel off-set, mais claro que o então habitualmente utilizado.

Encantou-nos a todos do grupo o entusiasmo de Rolando ao levar o lançamento a Chico, o que fez aliás com todos os outros livros que editou até deixar-nos. Para ambos cada livro era um filho do coração.

Arrostando obstáculos, o GEEM caminha, desde sua fundação, caro leitor, com suas inúmeras atividades:

— Divulgação Braille Casimiro Cunha, o nosso grupo Casimiro Cunha, que Rolando fundou em 1972, ao lado de Frederico Alves e Vânia Jorge Alves, com a finalidade de levar aos deficientes visuais a codificação kardequiana, exaustivamente exemplificada por Chico Xavier.

— Centro Espírita Maria João de Deus, em São Bernardo do Campo.

— Nosso site, o Facebook e o programa ‘No Limiar do Amanhã’, levado ao ar pelas rádios Mulher de São Paulo e Morada do Sol de Araraquara desde o início dos anos 70s.

O cinquentenário do GEEM muito nos orgulha e enaltece.

Fizemos de tudo para cumprir os compromissos assumidos na Espiritualidade com Isabel de Aragão — a santa que cultivava rosas vermelhas em seu paço de Coimbra — Emmanuel, Batuíra e também com Chico Xavier.

Rolando dirigiu o GEEM no plano físico até sua desencarnação e o dirige do plano espiritual. Nós, os colaboradores que ainda estamos por aqui, na Terra, persistimos nas duras lides do dia a dia. Procuramos evidenciar ao movimento espírita de nosso país que Chico continua entre nós. Ele, o grande apóstolo, que nos acompanhou ao longo de todo o século passado e nos princípios deste milênio.

Não podemos esquecê-lo, pois tanto devemos a essa criatura, que o Mestre colocou em nossos caminhos.

Ao suceder a Rolando na direção do GEEM, sobretudo de início, eu levava a Chico Xavier todos os problemas que me surgiam à frente, e ele pacientemente me dava os esclarecimentos necessários.

Muitas vezes, antecipava-se aos meus rogos com seus dons divinatórios.

Foi o que aconteceu, certa feita, em uma manhã de sábado. Que pena não poder reviver o ocorrido, senão nas recordações que se esbatem nas paredes pétreas do tempo...

Sentado à mesma mesa de trabalho que meu pai utilizara por longos anos, eu pensava sobre circunstancial dificuldade que surgira e que me tirara o sono durante toda a semana. Não sabia como resolvê-la.

Eis que,lá pelas dez da manhã, toca o telefone, e aquela voz inconfundível, suave, doce, amorosa, me fala:

— Meu caro amigo, está tudo bem, as coisas se aquietarão.

E continuou a falar-me por muito tempo.

Às despedidas, pediu-me que fosse até a escada exterior do prédio, que ele bem conhecia, próxima à sala onde eu estava, e contemplasse o quintal de nossa instituição, rogando que eu lá permanecesse por alguns minutos.

Deixei a sala, abri a porta, fui à escada e contemplei o pequeno bosque de árvores variadas, tendo ao centro uma paineira gigante, de que caíam tufos brancos de paina, rodeada por sibipirunas, tipuanas e araucárias.

Místicas casuarinas, pouco mais distantes, formavam imponente cerca-viva, próxima ao muro alto, que ainda hoje delimita a entrada do GEEM.

Pássaros bailavam entre as árvores, e a proximidade da Serra do Mar ensejava a presença também de barulhentos papagaios, com seu voo desgracioso e o canto pouco inspirado.

Enquanto contemplava o balanço das casuarinas chorando ao vento, fui envolvido por uma lufada de suave aragem.

Perdi a hora imerso naquela ambiência de luz, com a sensação de ter-me desligado do implemento físico.

O ‘grande problema’, que me deixava apreensivo, por milagre fora resolvido. Retornei à sala com sua solução, tão simples...

Cinquentenário do GEEM! Continuaremos batalhando em torno de nossos claros objetivos, rogando a Jesus que jamais decepcionemos Chico e Rolando.

Aos nossos caros amigos, leitores da revista Comunicação, ouvintes de ‘O Limiar do Amanhã’, internautas que acessam nosso site e o Facebook; aos que nos enviam centenas de centenas de e-mails; aos deficientes visuais que recebem nossas mensagens e livros em braille ou falados; e aos frequentadores do Maria João de Deus, a todos, todos, o nosso muito obrigado.

Permaneçamos juntos no longo percurso, inspirados pelos nossos queridos benfeitores, divulgando nossa doutrina e buscando socorrer cada irmão da lide terrena, caído na estrada da vida, como o fez o samaritano que descia do Monte de Sião, por áridas veredas, a caminho de Jericó.

Caio Ramacciotti.

GEEM - Grupo Espírita Emmanuel - São Bernardo do Campo-SP, janeiro de 2017


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