Lucélio Renato Duarte



Afinal, somos Espíritas ou não?

08-01-2017

Conhece-se o verdadeiro espírita pela postura, pelos atos, pelas palavras, enfim, pelas mudanças que a Doutrina oferece àqueles que, de fato, estão enquadrados na condição do trabalhador da última hora, e querem mudar. Naturalmente que essa condição de mudança será sempre pessoal. A escola doutrinária poderá ser boa, mas essa decisão será sempre íntima.

Estou abordando esse tema pelo fato de estarmos vivendo uma época em que pretensos trabalhadores da Doutrina Espírita estão empregando o precioso tempo disponível e elaborando matérias nada pertinentes e que não deveriam, nunca, fazer parte da grade instrutiva de blogs e sites espíritas.

Consideramos que essas vitrines, como podemos assim chamar a farta exposição pela internet, têm anunciado através de e-mails, a divulgação de episódios que turvam o entendimento dos que leem, por promoverem críticas acerbadas a certos personagens conhecidos.

Lamentável tem sido a exploração desses espaços com matérias deploráveis, por nada acrescentarem aos leitores.

O que percebemos, já de longo tempo, é que muitos pseudo-pregadores do Evangelho não enxergam senão um palmo além no nariz. Pomposamente empregam palavras rebuscadas e com gestos estudados passam uma imagem virtuosa deixando transparecer o que não são. “Muitos de nós outros acreditamos trazer o Evangelho no coração quando, na realidade, apenas ainda o carregamos nas mãos".

Ao escreverem, então, contam detalhadamente fatos que, embora já explorados anteriormente em outros tempos, fazem questão de reviverem o assunto e "sob a ótica atual" submetê-lo à execração pública.

Ainda aqui, lembramos o Evangelho que todos conhecemos. Ora, muitas vezes, e sabemos amplamente disso, essas pessoas conseguem enxergar à distância o cisco escondido no interior do globo ocular e não percebem a trave, o tronco, dispostamente atravessando os dois olhos, de forma a impedir uma boa visão das coisas. “Compreensão e respeito devem preceder-nos a tarefa em qualquer parte”.

De nada adianta filosofar. Divagar sobre as linhas de conduta do próximo parece ser o interesse maior desse grupo de pessoas que se presta muito bem a isso. Não deveríamos divulgar absolutamente nada que não tivesse um mínimo de conteúdo aproveitável moralmente.

Essas pessoas que escrevem ou que permitem a divulgação de assuntos dessa natureza em espaços sob sua responsabilidade não estão coerentes com o ensinamento espírita, onde a disciplina moral requer severa observação.

O sentimento de irmãos de doutrina a respeito do assunto "obsessão" é que muito dificilmente a pessoa que está sendo enlaçada pelo obsessor compreenderá com a clareza necessária, que ele sim poderá estar sendo vítima dessa triste realidade. Enxergará o outro, mas ele não. Há muitos casos que aqui se enquadram.“A falta de respeito para com a nossa própria consciência dá margem a deploráveis ligações com os planos inferiores”.

Distantes estão as orientações do filósofo Sócrates para que todos nós coloquemos sob o rigoroso crivo das três peneiras, qualquer assunto que deva ser divulgado. Para alguns, o rigor desse princípio de observação não funciona, considerando o que vemos e ouvimos por aí, propagado aleatoriamente pelos que ainda não se afirmaram no auto-conhecimento.

“É impossível amar a Deus sem praticar a caridade”.

Quem tiver olhos que vejam e quem tiver ouvidos que ouçam.


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