Da Redação



"Regeneração da Humanidade"

09-08-2017

Como sabemos, o sono magnético, mais conhecido por sonambulismo, é aquele estado em transe momentâneo provocado pelos passes aplicados em uma pessoa dotada de sensibilidade e boa identificação fluídica.

Nessas condições expostas, ao receber o fluxo magnético, em poucos segundos depois, estará ela em condições de manifestar-se em espírito, por si própria ou sob orientação de quem a orienta, a respeito de assuntos dos mais variados, inclusive a penetração em áreas dentre as quais a autoscopia(1), deslocamentos a outros planos (seja físico ou espiritual), além das comunicações do Alto, conforme este relato especial, tomado como exemplo.

A mensagem que segue está inserida em OBRAS PÓSTUMAS, Segunda-parte, onde se encontram as informações a respeito da saída e retorno à Terra e outros detalhes que Allan Kardec recebeu durante suas pesquisas, cujo trabalho estava sendo preparado pelo próprio Codificador, que não teve tempo de dar-lhe publicidade devido sua morte, o que ocorreu após, por intermédio de sua Equipe.

Embora a matéria seja extensa, é de importância conhecê-la, pois reflete época do século XIX, por volta de 1870, sobre assunto que nestes tempos atuais têm sido debatido e largamente enunciado em palestras.

O que se destaca é o comportamento da Humanidade em relação ao desrespeito de toda ordem, a brutalidade generalizada, a inversão de valores, catástrofes, suicídios em alta escala, enfim uma previsão cujos resultados estão acontecendo e se estendem por todo o mundo.

"REGENERAÇÃO DA HUMANIDADE - 25 de Abril de 1866 (Paris, resumo das comunicações dadas pelos Srs. M...e T... em sonambulismo)

Os acontecimentos se precipitam com rapidez, também não dizemos mais, como outrora: 'Os tempos estão próximos'; dizemo-vos agora: 'Os tempos são chegados'.

Por estas palavras não entendeis um novo dilúvio, nem um cataclismo, nem um transtorno geral. Convulsões parciais do globo ocorrem em todas as épocas, e se produzem ainda, porque se ligam à sua constituição, mas esses não são os sinais dos tempos.

No entanto, tudo o que está predito no Evangelho deve se cumprir e se cumpre neste momento, assim como o conhecereis mais tarde; mas não tomeis os sinais anunciados senão como figuras, das quais é preciso apreender o espírito e não a letra. Todas as Escrituras encerram grandes verdades sob o véu da alegoria, e é porque os comentaristas que se ligam à letra que se extraviaram. Falta-lhes a chave para compreenderem o verdadeiro sentido. Essa chave está nas descobertas da ciência e nas leis do mundo invisível, que o Espiritismo vem nos revelar. Doravante, com a ajuda desses novos conhecimentos, o que era obscuro se tornará claro e inteligível.

Tudo segue a ordem natural das coisas, e as leis imutáveis de Deus não serão nunca invertidas. Não vereis, pois, nem milagres, nem prodígios, nem nada de sobrenatural no sentido vulgar ligado a essas palavras.

Não olheis para o céu para nele procurar os sinais precursores, porque nele nada vereis, e aqueles que vo-los anunciaram vos enganaram; mas olhai ao redor de vós, entre os homens, será aí que os encontrareis.

Não sentis como um vento que sopra sobre a Terra e agita todos os Espíritos? O mundo está numa espera e como que tomado de um vago pressentimento da aproximação da tempestade.

Não credes, no entanto, no fim do mundo material; a Terra progrediu desde a sua transformação; deve progredir ainda, e não ser destruída. Mas a Humanidade chegou a um de seus períodos de transformação, e a Terra vai se elevar na hierarquia dos mundos.

Não é, pois, o fim do mundo material que se prepara, mas o fim do mundo moral: é o velho mundo, o mundo dos preconceitos, do egoísmo, do orgulho e do fanatismo que desaba; cada dia leva-lhe alguns resíduos. Tudo acabará para ele com a geração que dele se vai, e a geração nova elevará o novo edifício que as gerações seguintes consolidarão e completarão.

De mundo de expiação, a Terra está chamada a se tornar, um dia, um mundo feliz, e sua habitação será uma recompensa, em lugar de ser uma punição. O reino do bem deve nela suceder ao reino do mal.

Para que os homens sejam felizes sobre a Terra, é necessário que ela não seja povoada senão por bons Espíritos, encarnados e desencarnados, que não quererão senão o bem.

Tendo chegado esse tempo, uma grande emigração se cumprirá, nesse momento, entre aqueles que a habitam; aqueles que fazem o mal pelo mal, que o sentimento do bem não toca, não sendo mais dignos da Terra transformada, dela serão excluídos, porque nela a levariam, de novo, à perturbação e seriam um obstáculo ao progresso. Irão expiar o seu endurecimento em mundos inferiores, onde levarão os seus conhecimentos adquiridos, e que terão por missão fazê-los avançar. Serão substituídos na Terra por Espíritos melhores, que farão reinar, entre eles, a justiça, a paz e a fraternidade.

A Terra, dissemos, não deve ser transformada por um cataclismo que aniquilaria subitamente uma geração. A geração atual desaparecerá, gradualmente, e a nova lhe sucederá igualmente sem que nada seja mudado na ordem natural das coisas. Tudo se passará, pois, exteriormente, como de hábito, com esta única diferença, mas essa diferença é capital, de que uma parte dos Espíritos que aí se encarnam nela não se encarnarão mais. Em cada criança que nasça, em lugar de um Espírito atrasado e propenso ao mal, encarnará um Espírito mais avançado e levado ao bem. Trata-se, pois, bem menos de uma nova geração corporal do que de uma nova geração de Espíritos. Assim, aqueles que esperam ver as transformações se operarem por efeitos sobrenaturais e maravilhosos, estarão decepcionados.

A época atual é de transição; os elementos das duas gerações se confundem. Colocados no ponto intermediário, assistis à partida de uma e à chegada da outra, e cada uma se assinala já no mundo pelos caracteres que lhe são próprios.

As duas gerações, que sucedem uma à outra, têm idéias e objetivos muito opostos. Pela natureza das disposições morais, mas sobretudo pelas disposições intuitivas e inatas, e fácil distinguir a qual das duas pertence cada indivíduo.

A nova geração, devendo fundar a era de progresso moral, se distingue por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, unidas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é o sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior. Ela não será composta exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas daqueles que, tendo já progredido, estão predispostos a assimilar todas as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento regenerador.

O que distingue, ao contrário, os Espíritos atrasados, é primeiro a revolta contra Deus, pela negação da Providência e de todo poder superior à Humanidade; depois a propensão instintiva para as paixões degradantes, para os sentimentos anti-fraternais do orgulho, do ódio, do ciúme, da cupidez, enfim, a predominância do apego para tudo o que é material.

São esses vícios dos quais a Terra deve ser purgada, pelo afastamento daqueles que recusam se emendar, porque são incompatíveis com o reino da fraternidade e que os homens de bem sofrerão sempre pelo seu contato. A Terra deles será libertada, e os homens caminharão sem entraves para um futuro melhor, que lhes está reservado nesse mundo, como prêmio de seus esforços e de sua perseverança, esperando que uma depuração ainda mais completa lhes abra a entrada dos mundos superiores.

Por essa migração de Espíritos, não é preciso entender que todos os Espíritos retardatários serão expulsos da Terra, e relegados para mundos inferiores. Muitos cederam ao arrastamento das circunstâncias e do exemplo; a casca neles era pior do que o cerne. Uma vez subtraídos à influência da matéria, e dos preconceitos do mundo corporal, a maioria verá a coisa de maneira toda diferente do que quando vivos, assim como tendes disso numerosos exemplos. Nisso são ajudados pelos Espíritos benevolentes que se interessam por eles, e que se apressam em esclarecê-los e mostrar-lhes o falso caminho que seguiram. Pelas vossas preces e as vossas exortações, vós mesmos podeis contribuir para o seu adiantamento, porque há solidariedade perpétua entre os mortos e os vivos.

Aqueles poderão, pois, retornar, e nela serão felizes, porque isso será uma recompensa. Que importa o que foram e o que fizeram, se estão animados de melhores sentimentos! Longe de serem hostis à sociedade e ao progresso, serão auxiliares úteis, porque pertencerão à nova geração.

Não haverá, pois, exclusão definitiva senão para os Espíritos essencialmente rebeldes, aqueles que o orgulho e o egoísmo, mais do que a ignorância, os tornaram surdos à voz do bem e da razão. Mas aqueles mesmos não estão votados a uma inferioridade perpétua, dia virá em que repudiarão o seu passado e abrirão os olhos à luz.

Pedi, pois, por esses endurecidos, a fim de que se emendem enquanto ainda têm tempo, porque o dia da expiação se aproxima.

Infelizmente, a maioria, desconhecendo a voz de Deus, persistirá em sua cegueira, e sua resistência marcará o fim de seu reino por lutas terríveis. Em seu desvio, eles mesmos correrão para a sua perda; levarão à destruição que engendrará uma multidão de flagelos e de calamidades, de sorte que, sem o querer, apressarão o advento da era da renovação.

E, como se a destruição não caminhasse bastante rápida, ver-se-ão os suicídios se multiplicarem, numa proporção inaudita, até entre as crianças(2). A loucura jamais terá ferido um maior número de homens que serão, antes da morte, riscados do número dos vivos. Estão aí os verdadeiros sinais dos tempos.

E tudo isso se cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias, assim como dissemos, sem que sejam em nada derrogadas as leis da Natureza.

No entanto, através da nuvem sombria que vos envolve, e no seio da qual ronca a tempestade, já vedes despontar os primeiros raios da era nova! A fraternidade põe os seus fundamentos sobre todos os pontos do globo e os povos se estendem as mãos; a barbárie se familiariza ao contato da civilização; os preconceitos de raça e de seitas, que fizeram verter ondas de sangue, se extinguem; o fanatismo, a intolerância, perdem terreno, ao passo que a liberdade de consciência se introduz nos costumes e se torna um direito.

Por toda a parte as idéias fermentam; vê-se o mal e se tentam remédios, mas muitos caminham sem bússola e se desviam nas utopias. O mundo está num imenso trabalho de criação, que irá durar um século; nesse trabalho, ainda confuso, vê-se, entretanto, dominar uma tendência para um objetivo: o da unidade e da uniformidade que predispõem à fraternidade.

Ainda aí estão os sinais dos tempos; mas, ao passo que os outros são os da agonia do passado, estes últimos são os primeiros vagidos da criança que nasce, os precursores da aurora que o século próximo verá erguer-se, porque então a nova geração estará em toda a sua força. Tanto a fisionomia do século XIX difere da do XVIII em certos pontos de vista, tanto a do vigésimo século será diferente do décimo-nono em outros pontos de vista.

Um dos caracteres distintivos da nova geração será a fé inata; não a fé exclusiva e cega que divide os homens, mas a fé raciocinada que esclarece e fortalece, que os une e os confunde num comum sentimento de amor a Deus e ao próximo. Com a geração que se extingue desaparecerão os últimos vestígios da incredulidade e do fanatismo, igualmente contrários ao progresso moral e social.

O Espiritismo é o caminho que conduz à renovação, porque arruína os dois maiores obstáculos que a ele se opõe: a incredulidade e o fanatismo; porque faculta uma fé sólida e esclarecida; desenvolve todos os sentimentos e todas as idéias que correspondem aos objetivos da nova geração; pelo que no coração de seus representantes ele se achará inato e em estado de intuição. Tornar-se-á a base de todas as crenças, o ponto de apoio de todas as instituições.

Mas daqui até lá, quantas lutas terá ainda que sustentar contra os seus dois maiores inimigos: a incredulidade e o fanatismo, coisa bizarra, se dão as mãos para abatê-lo!

É que os dois lhe pressentem o futuro, e, em consequência, a ruína de ambos. Essa a razão porque o temem; já o veem erguendo sobre os destroços do velho mundo egoísta, a bandeira que deve reunir todos os povos. Na divina máxima: Fora da caridade não há salvação, eles lêem a sua própria condenação, porque é o símbolo da nova aliança fraternal proclamada pelo Cristo. Mostra-se a eles como as palavras fatais do festim de Baltazar. E, todavia, essa máxima, deveriam bendizê-la, porque ela lhes garante de todas as represálias da parte daqueles que os perseguem. Mas não, uma força cega os impele a rejeitar o que somente poderia salvá-los!

Que poderão contra o ascendente da opinião que os repudia? O Espiritismo sairá triunfante da luta, disso não duvideis, porque está nas leis da Natureza, e por isso mesmo é imperecível. Vede por qual multidão de meios a idéia se difunde e penetra por toda parte; crede bem que esses meios não são fortuitos, mas providenciais; o que, à primeira vista, pareceria dever lhe prejudicar, é precisamente o que ajuda a sua propagação.

Logo ver-se-á surgirem os lutadores altamente devotados entre os mais consideráveis e os mais reputados, que o apoiarão com a autoridade de seu nome e de seu exemplo, e imporão silêncio aos seus detratores, porque não se ousará mais tratá-los de loucos. Esses homens estudam no silêncio e se mostrarão quando o momento propício chegar. Até lá, é útil que se mantenham à parte.

Logo também vereis as artes nele haurir como numa mina fecunda, e traduzir seus pensamentos e os horizontes que descobrem pela pintura, pela música, pela poesia e pela literatura. Foi-vos dito que haveria um dia uma arte espírita, como houve a arte pagã e a arte cristã, e é uma grande verdade, porque os maiores gênios nele se inspirarão. Logo vereis os seus primeiros esboços, e mais tarde tomará o lugar que deve ter.

Espíritas, o futuro é vosso e de todos os homens de coração e de devotamento. Não temais os obstáculos, porque não há nenhum deles que possa entravar os desígnios da Providência.

Trabalhai sem descanso, e agradecei a Deus por vos haver colocado na vanguarda da nova falange. É um posto de honra que vós mesmos pedistes, e do qual é preciso vos tornar dignos pela vossa coragem, vossa perseverança e vosso devotamento. Felizes aqueles que sucumbiram nessa luta contra a força; mas a vergonha será, no mundo dos Espíritos, para aqueles que sucumbirem por fraqueza ou pusilaminidade.

As lutas, aliás, são necessárias para fortalecer a alma; o contato do mal faz apreciar melhor as vantagens do bem.

Sem as lutas que estimulam as faculdades, o Espírito se deixaria ir para uma negligência funesta ao seu adiantamento.

As lutas contra os elementos desenvolvem as forças físicas e a inteligência; as lutas contra o mal desenvolvem as forças morais."

-o-

(1) Autoscopia: Embora não conste ainda dos dicionários, é definida como uma qualidade específica de pessoa em transe através do sono magnético, com total condições de observar o interior do corpo físico, relatando, inclusive, o quadro clínico e as possíveis medidas de reequilíbrio da saúde. Esta visão ocorre na condição de espírito, tanto no local onde ela se encontra como também em ambientes à sua volta, vendo como se estivesse fora do seu corpo físico, inclusive em outros planos.

(2) Suicídios - dados de Set-2016: "No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10 de setembro), a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OMS) alertaram para este grave problema de saúde pública responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo. Segundo a organização, poucos países incluíram a prevenção ao suicídio entre suas prioridades de saúde e só 28 relatam possuir uma estratégia nacional para isso". https://nacoesunidas.org/oms-suicidio-e-responsavel-por-uma-morte-a-cada-40-segundos-no-mundo/

NOTA DA REDAÇÃO: Alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS): A depressão é um transtorno mental frequente. Globalmente, estima-se que 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem com esse transtorno. O número de pessoas com depressão chegou em 2015 a 322 milhões, 18,4% a mais que em 2005, indica a organização. A depressão está aumentando em toda a população, inclusive entre os mais jovens. Segundo a OMS, o Brasil é o país campeão mundial do transtorno de ansiedade e somos o quinto em número de pessoas com depressão; o que significa aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros.


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