Da Redação



"Relacionamentos"

Ronaldo Pereira Rodrigues

12-01-2020

“Reconcilia-te sem demora com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele...”
- Mateus, 5, 25 e 26.


De acordo com O Livro dos Espíritos, todos nós fomos criados simples e ignorantes.

Viajamos pelos mundos com o fim de nos tornamos seres evoluídos.

Aportamos em vários corpos, aprendendo usos, costumes e acima de tudo, o mais importante: os valores morais.

Atualmente estamos vivenciando experiências em um mundo de provas e expiações que nos ajuda a forjar em nós, os verdadeiros valores que servirão de base para alcançarmos instâncias mais evoluídas.

A conquista de cada passo na senda do bem, será realmente um grande salto para nós.

Quando aqui chegamos, pelos laços conjugais de nossos pais, entramos em uma nova fase. A família é o primeiro grupo de relacionamento que teremos como prova principal.

Essa rede de relacionamento com o tempo irá se estender, pois como vivemos em sociedades, gregários que somos, teremos que aprender a interagir com os demais grupos que surgirão pouco a pouco em novas vidas.

Na escola, na faculdade, na vizinhança, no trabalho, na igreja, no Centro Espírita, etc... Todos eles, de alguma forma irão contribuir para esse passo a mais em busca de crescimento moral e intelectual.

Não podemos fugir deles, senão estaríamos negligenciando uma oportunidade reencarnatória tão abençoada, pois os espíritos são categóricos em falar que é a vivência em sociedade que nos faz progredir.

Segundo Freud, o homem é um ser de falta. Isso quer dizer que, por natureza, o homem sempre estará querendo alguma coisa, e obviamente ele estará querendo algo que não possui.

Trazendo isso ao nosso tema, o que falta ao ser humano em seus relacionamentos para se sentir saciado: amor, prazer, alegria, felicidade, respeito, cumplicidade?

E a questão de suma importância, já que estamos inseridos em mundo onde tudo se relaciona, por que ainda estamos tão distantes da máxima do Cristo que dizia: “amai ao teu próximo com a ti mesmo”?

E diante do que falta ao homem, tão desgastado e decepcionado com seus relacionamentos ele cria rotas de fugas onde a variável crucial para atingir o seu progresso fica de fora: a presença do outro (do próximo). Ele criou redes virtuais, a fim de que não tivesse mais que interagir fisicamente com o seu próximo, sem olhares, sem gestos, sem abraços, sem sorrisos sinceros, sem presença, apenas imagens sem fidelidades, escondidas atrás de textos sem valor.

Não podemos fugir das Leis Naturais, estamos mergulhados nelas e é nas suas vivências e entendimentos, que caminharemos melhor rumo à evolução. A fuga dessas Leis leva o ser humano a enfrentar caminhos tortuosos e doloridos, repletos de vícios e paixões que aprisionam e locupletam(1) o ser de orgulho, egoísmos e vaidades, que vão pesar negativamente em sua bagagem espiritual.

Sendo assim só poderemos aprender a resolver nossos conflitos e imperfeições aprendendo a conviver com os nossos semelhantes tendo o amor e respeito como bandeira, como já dizia o filósofo Sófocles: Só uma palavra nos liberta de todo peso e dor da vida – essa palavra é o Amor.

Encerrando, deixo as palavras do Chico para reflexão: “Não exija dos outros qualidades que não possuam” e tenha a certeza que “Não existe problema que não possa ser solucionado pela paciência”.


(1) Locupletar: saciar; fartar-se.



Por Ronaldo Pereira Rodrigues.ronguapi@gmail.com




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