A questão 742 de O Livro dos Espíritos registra a pergunta de Allan Kardec:
Qual a causa que leva o homem à guerra?
Os Espíritos respondem que é a “predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie os povos só conhecem o direito do mais forte, e é por isso que a guerra, para eles, é um estado normal. À medida em que o homem progride ela se torna menos frequente, porque ele evita as suas causas, e quando ela se faz necessária ele sabe adicionar-lhe humanidade.”
Na questão 743, Allan Kardec quer saber:
A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?
“Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus. Então, todos os povos serão irmãos”, é a resposta.
Este raciocínio pode também ser utilizado no caso da violência. Em quaisquer dos casos, aplica-se a questão 932, em que Allan Kardec indaga:
Por que, neste mundo, geralmente a influência dos maus predomina sobre a dos bons?
A resposta: “Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância.”
É importante que nós, os bons, preparemos a Terra para este bom período que virá, quando o planeta deixará de ser um mundo de expiações e provas, onde domina o mal, e passará à condição de mundo de regeneração, onde as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta.
Comecemos pelo exercício diário da caridade moral, que consiste em amarmos uns aos outros, apesar das diferenças que existem entre as criaturas, fato que se dá por sermos Espíritos diferenciados. É desta forma que chegaremos à condição do verdadeiro homem de bem, que cumpre a lei de amor e de caridade na sua maior pureza.
Há quem diga que não adianta ser bom, quando dentro da própria família poucos rezam por esta cartilha e no trabalho e na sociedade em que vive, também. Então, o pouco que fizer, alteraria as coisas. Engano. Por menos que façamos em favor do bem comum, será importante a nossa parcela de contribuição, em favor do bem comum. Como a história da ave que molhava as suas asas num lago e espalhava as pequeninas gotas no grande incêndio da floresta. Um gavião gozador, ao passar por ela, observou: “Quer dizer que você pretende, com sua atitude, apagar o grande incêndio!!!”, ao que a ave respondeu: “Eu sei que não vou apagar o incêndio. Mas pelo menos, estou fazendo a minha parte.”
Outra contribuição para que tenhamos um mundo melhor, é o que podermos fazer através da educação. Neste sentido, Pitágoras, muitos anos antes de Cristo, disse: “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens.” E os Espíritos revelam que o verdadeiro batismo da criança é o batismo processado através da educação. O Espiritismo educa o homem moralmente, para a vida em sociedade, e prepara-o para a caminhada do Espírito em direção a Deus.
O Espiritismo tem um caráter eminentemente pedagógico, não só porque Hippolite Léon Denizard Rivail – Allan Kardec, seu codificador, foi um grande educador francês, seguidor da proposta educacional de Pestalozzi, como o princípio da proposta da educação espírita é uma proposta de Educação do Espírito. O Espiritismo reconhece que a dimensão espiritual do homem é essencial para o seu desenvolvimento integral.