Cézar Carneiro de Souza



Divisão de herança

01-03-2014

“... só o necessário é útil; o supérfluo não o é jamais.”O Livro dos Espíritos, Q. 704 – Allan Kardec.

Estudando o assunto, nos lembramos do estimado Weimar que anotou bela lição dada por Chico Xavier:


A Águia Previdente

O caso ora narrado vem de nossas amigas e irmãs Maria Elzi Campos do Nascimento e Elzita de Melo Quinta, psicóloga e pedagoga, respectivamente, ambas de Goiânia, que ouviram da boca do próprio Chico.

Contam elas que, numa das costumeiras visitas anuais que Chico fez, nos últimos anos, à Colônia Santa Marta, desta Capital, ao visitar um dos hansenianos, num dos humildes aposentos, registrou-se o mais interessante dos diálogos entre o Chico e o visitando, um pobre velho.

Diante da indagação do Chico, que lhe perguntou como ia passando, recebeu a resposta de que não estava bom não, porque ele era dono de umas terras lá pelas bandas de Goiás, antiga Capital do Estado, e seus filhos estavam digladiando pela posse das mesmas, enquanto ele estava ali, enfermo, sem ter condições de nada fazer para harmonizar a família.

O amoroso médium, respondendo, confortou-o com palavras de estímulo, de carinho e de otimismo, ao mesmo tempo em que relatou a seguinte história, em essência:

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“Conta-se que uma águia, certa vez, depois de muito voar e voar, conseguira, por fim, apossar-se de uma presa, que seria um animal ou um naco de carne, alçando voo para as alturas, levando consigo o desejado petisco.

Considerava-se feliz por conseguir localizar comida, eis que a crise de alimentos era terrível naquele ano, em razão de vários fatores.

Mas quando se encontrava a elevada altitude, notou que águias, suas irmãs, também esfomeadas, em enorme bando, perseguiam-na, em desesperado alvoroço e incrível velocidade, de tal sorte que o risco de ser estraçalhada, juntamente com o petisco, era iminente e inevitável.

A Águia, refletindo, em fração de segundos, concluiu que a única alternativa que lhe restava era deixar a presa cair de suas garras.

E assim fez.

E nem acabara de agir e aquele bando incalculável de famintas águias passou por ela, com a rapidez de um raio, ao mesmo tempo em que disputava, agressiva e vorazmente, o raro almoço.” Chico Xavier, Casos Inéditos – FEEGO, Weimar Muniz de Oliveira.

Indiretamente e com carinho, Chico orientou o velhinho daquela Colônia a se desfazer daqueles bens materiais que o torturava bastante. A sabedoria do Chico é simplesmente incrível!...

Ainda, meditando a respeito da posse dos bens da Terra, vejamos com Kardec em “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” o que nos orientam os Espíritos Sublimes da Codificação:

Q. 717 – Que pensar daqueles que monopolizam os bens da Terra para se obter o supérfluo em prejuízo daqueles a quem falta o necessário?

Eles desconhecem a lei de Deus e responderão pelas privações que terão feito experimentar.

Q. 886 – (...) Aqueles que passam sua vida na abundância e na felicidade humana são espíritos frouxos que permanecem estacionários.

Concluindo o nosso pequeno estudo, vejamos ainda com Allan Kardec, em “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, cap.XVI, 15, a opinião do sábio mentor:

“O princípio segundo o qual o homem não é senão o depositário da fortuna que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira-lhe o direito de transmiti-la aos seus descendentes?

O homem pode perfeitamente transmitir, depois de sua morte, do que gozou durante a vida, porque o efeito desse direito está sempre subordinado à vontade de Deus que pode, quando quiser, impedir seus descendentes de gozá-lo; é assim que se vê desmoronar fortunas que pareciam solidamente estabelecidas. A vontade do homem em manter sua fortuna na sua descendência é, pois, impotente, o que não lhe tira o direito de transmitir o empréstimo que recebeu, uma vez que Deus o retirará quando julgar conveniente” (São Luís, Paris, 1860).

Cézar Carneiro
Uberaba, Mar/2014.



Cézar Carneiro de Souza
cezarcarneiro@hotmail.com

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