Quanta gente não abusará dos recursos da escrita, para veicular imposições e difundir enganos na Terra?
Quantos espíritos, mesmo desencarnados, valem-se dessa oportunidade para atender a venenosos caprichos individuais?
Aqui, escreve-se para a consecução de determinados objetivos inferiores; além, aproveitam-se publicações para o mercado de propósitos subalternos.
Quantas vezes nós mesmos teremos movimentado o jornal ou o livro, pretendendo impor nossa interpretação individual?
Quem escreve precisará lutar contra numerosos monstros que ameaçam o espírito.
É indispensável guardar-se todos os dias.
E, nessa vigilância justa, será razoável lembrar a posição de Jesus, que não nos deixou livros ou pergaminhos, legando-nos, apesar disso, os tesouros da vida imperecível. (...)
(...) A Terra é o grande livro que o Senhor nos deu aos serviços de formação espiritual.
Ainda que não percebas, estás escrevendo diariamente. (...)
(...) A Terra está registrando o que fazes. Não manches o livro que o Pai nos confiou.
Emmanuel/Chico Xavier - (Plantão da Paz – GEEM)
“Admiro todos os escritores bastante corajosos para esquecer as conveniências pessoais, procurando escrever em auxílio real dos seus leitores”. No Mundo de Chico Xavier, Elias Barbosa, cap. 09, IDE.
Em certa ocasião, ouvimos o Chico falar que ganhava livros psicografados de autores amigos e percebia no início da leitura que os escritos não eram dos Espíritos, e sim, provinham da cabeça daqueles que os escrevera, sendo assim, logo desistia da leitura.
O poder do Chico Xavier para analisar um texto era extraordinário, e além do mais, sua mediunidade de psicometria, afloradíssima, lhe favorecia ajudando-o nas análises. Ele, como missionário, não podia perder tempo! Já presenciamos o querido médium por a mão em um livro e daí, a instantes, descrevê-lo. Não era comum, mas quando necessário acontecia. Médium com mandato mediúnico é diferente!...
André Luiz, em Conduta Espírita, Waldo Vieira, FEB, cap.15, recomenda:
“Escrever com simplicidade e clareza, concisão e objetividade, esforçando-se pela revisão severa e incessante, quanto ao fundo e à forma, de originais que devam ser entregues ao público.
O patrimônio inestimável dos postulados espíritas está empenhado em nossas mãos.(...)
(...) Sistematicamente, despersonalizar, ao máximo, os conceitos e as colaborações, convergindo para Jesus e para o Espiritismo o interesse dos leitores.
O personalismo estreito ensombra o serviço. (...)”
Pontos do escritor espírita:
(...) Selecionar os pensamentos, compreendendo a sua responsabilidade pelas imagens que veicule.
Usar linguagem acessível a todos, evitando termos chulos. (...)
Consultar necessidades do povo a fim de ajudá-lo a encontrar caminhos de pacificação e progresso.
Abster-se de extravagâncias verbais. (...)
Consagrar-se ao estudo quanto possível, honorificando a Doutrina Espírita com a literatura sem ridículo. (...)
Reconhecer a autoridade moral de Nosso Senhor Jesus Cristo e submeter-se, sem subserviência ou pieguice, mas com dignidade e respeito, ao controle dos ensinamentos evangélicos explicados pelo Espiritismo Cristão.
Cultivar o hábito da prece para que os seus textos humanos não se mostrem vazios de luz espiritual.
Em assunto tão sério, recorramos a Allan Kardec, em O LIVRO DOS MÉDIUNS, cap. XXIII, 247 – DA OBSESSÃO:
“Os Espíritos dados a sistemas são geralmente escrevinhadores, pelo que buscam os médiuns que escrevem com facilidade e dos quais tratam de fazer instrumentos dóceis e, sobretudo, entusiastas, fascinando-os. São quase sempre verbosos, muito prolixos, procurando compensar a qualidade pela quantidade. Comprazem-se em ditar, aos seus intérpretes, volumosos escritos indigestos e frequentemente pouco inteligíveis, que, felizmente, têm por antídoto a impossibilidade material de serem lidos pelas massas. Os Espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios de palavras; dizem muita coisa em poucas frases. Segue-se que aquela fecundidade prodigiosa deve sempre ser suspeita.
Nunca será demais toda a circunspecção, quando se trate de publicar semelhantes escritos. As utopias e as excentricidades, que neles por vezes abundam e chocam o bom-senso, produzem lamentável impressão nas pessoas ainda noviças na Doutrina, dando-lhes uma ideia falsa do Espiritismo, sem mesmo se levar em conta que são armas de que se servem seus inimigos, para ridiculizá-lo. Entre tais publicações, algumas há que, sem serem más e sem provirem de uma obsessão, podem considerar-se imprudentes, intempestivas, ou desazadas.”
Que o Senhor, o Divino dono da Vinha, nos ajude a escrever com proveito.