ASSUNTO DE MORTE, dá pra pensar




FIM DO CORPO

Do leito fito, além, o renascer da Lua...
Agita-se-me o peito, ante o cansaço extremo...
Amplia-se o torpor... Anseio, choro, temo...
O frio me entorpece... A aflição continua...

Ouço, de longe em longe, os ruídos da rua...
Num mar de indagações, a mente é nau sem remo...
Recorro à prece e busco o Socorro Supremo...
Todo o corpo esmorece... A memória flutua...

Depois, é a escuridão ante choque violento...
De súbito, um clarão me varre o pensamento...
Liberto, ergo-me, enfim... No quarto, a luz fulgia...

E, ao rever afeições que deixara na Morte,
Entro no Mais Além, sob doce transporte,
Voltando ao Grande Lar em pranto de alegria!...

Moyses Maia

--o--

MORTE E REPOUSO

(Página aos irmãos que, às vezes, desejam a desencarnação para repousar)

- Quero morrer, meu Deus, e ver se alcanço
Estar no Espaço, ao lado de meu guia!...
Tanto rogou Cocota de Lilia
Que morreu numa queda atrás de um ganso.

Mas não achou a paz que ela queria,
Nem o Céu, nem a rede de balanço...
Acompanhava o guia sem descanso,
Trabalhando e servindo, noite e dia.

A fatigada em tanto movimento,
Reclamava chorando: - Não aguento!...
E renasceu na roça em Vila Bela...

Hoje é feliz, no Sítio da Moenda,
Destoca terra e serve na fazenda,
Carregando comida na gamela. 

Cornélio Pires
	

Do livro Estrelas no chão, de Espíritos diversos, por Chico Xavier - GEEM.


Amigos, a história da Cocota de Lilia nos faz recordar uma conversa que tivemos um dia desses com o nosso querido e saudoso Celso de Almeida Afonso(1) em nosso trabalho mediúnico na Casa de “Agostinho”.

Ele, incorporado em uma irmã médium quando lhe perguntei:

‒ "E daí Celso, e a vida aí depois da morte, o que você conta para nós?"

‒ "Cezar!...Vou contar uma coisa para vocês todos: descanso, feriado, férias e passeios de lazer? É só daí onde vocês estão, de cá? Nada de moleza, é trabalho e mais trabalho, aqui!... a coisa pega. Você vai ver a hora que chegar a sua vez..."

‒ E eu respondi: "Celso amigo, você que fique com sua turma daí, porque eu tô muito bem de cá e não quero te ver tão cedo".

‒ Ele sorriu e disse: "Anjinho você que se cuide".

Ele afastou-se, e mentalmente falei: "vai com Deus meu querido...".


Nota de Limiar Espírita: Celso de Almeida Afonso (05-8-1940//26-02-2013), médium que atendia regularmente às sextas e segundas-feiras no Centro Espírita "Aurélio Agostinho", na Cidade mineira de Uberaba.


César Carneiro de Souza - Uberaba, 27 de janeiro de 2016
cezarcarneiro@hotmail.com

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