Meus caros irmãos, não pensem que eu melhorei em nada. Estou como antes tocando o barco como posso. Agora que cheguei aqui, esperando encontrar com ela, descobri como a Dona Margarida(1) está longe. Mas continua olhando por mim. Ai que bom! Pois a coisa não está fácil.
Nem bem começamos a descansar, já somos colocados imediatamente no batente. Descansar é no chão da terra, é quando o bálsamo do refazimento e do esquecimento nos proporcionam o verdadeiro descanso. Depois não tem mais. Aqui acordamos, mas temos todos que ir para o trabalho.
Agradeço ao seu Adelino que me levanta e me leva paro o trabalho.
Agradeço também a paciência do Doutor Elias Barbosa, que conversa conosco para que saibamos nos conduzir aqui.
Agora, já agradeço até minha doença, pois me permitiu sair aos poucos da vida física, e não de uma vez só.
Então, podem crer, eu não estaria aqui, tentando bater nesse teclado(2), e os dedos do homem (médium) voam. Eu não sei onde estão as teclas, ainda mais essas especiais que me confundem tanto.
Acho que sou a pessoa menos indicada para dar essa mensagem de fim de noite, era muito melhor quando eu só recebia, e o resto ficava para os espíritos.
Agora chegou a minha vez de passar pelo que fiz os outros passarem, como é difícil.
A vida para um homem comum não está fácil por aqui. Só tem bacana iluminado. E eu nem uma lamparina.Não vamos deixar o trabalho parar, pois deste lado é muito mais difícil.
Temos que agir e não somente ficar nos estudos distantes.
A crosta é lugar de ação.
Reflexão podemos fazer de sobra no lugar para onde vamos.
Então, com o perdão da palavra, vamos deixar de moleza e pegar a enxada para capinar, pois tem muito mato por aí.
Abraços para todos e para a família que não me larga o coração.
Celso Afonso
(1) Dona Margarida é a querida mãezinha de Celso Afonso.
(2) Celso faz uma leve ironia com a habilidade do médium na psicodigitação.
Mensagem recebida pela mediunidade de psicodigitação de Dilson Borges, na reunião pública da noite de 06 de fevereiro de 2015, no Centro Espírita “Aurélio Agostinho”, Uberaba-MG.