Carlos Enrico Crive



A CARIDADE

21-08-2010

A caridade é o caminho a ser escolhido por todos nós para a nossa evolução nesta caminhada terrena. Nada simboliza a caridade de forma mais pura, do que aquela trazida pelo Evangelho na Parábola do Bom Samaritano.

É o caso de um homem sem interesse de saber se era judeu ou pagão, nem importando com a nacionalidade ou religião, descia de Jerusalém para Jericó, que se achava a 250 metros abaixo do nível do mar. A estrada era árdua e íngreme e atravessava regiões desertas, fácil de ser atacado por salteadores, numerosos naquela época.

O homem foi envolvido por um desses bandos, e tiraram-lhe tudo, até a roupa do corpo, deixando-lhe nu e, além disso, o cobriram de pancadas, largando-o ferido.

Esboçado este quadro, chegam os personagens para estabelecer o confronto. O primeiro é um sacerdote, cujo ofício lhe impunha amor aos semelhantes e socorro aos necessitados, olha o desgraçado ferido e nu, não querendo complicações, passa sem ajudar.

O segundo a passar foi o Levita (servidor do templo da tribo sacerdotal de Levi) que devia conhecer o preceito da lei, que diz: “Se encontrar teu inimigo caído sob o fardo, não te abstenhas, ajuda-o.” E os dois se afastaram não dando cumprimento a lei que ensinavam.

Entretanto aparece na estrada um Samaritano, que os Judeus consideravam como infiel, que se compadeceu do ferido e o atende com misericórdia e humanidade. Lava-lhe as feridas, segundo costume da época com óleo e vinho, e coloca-lhes ataduras, embora precárias. Carrega-o sobre o seu próprio jumento, caminhando a pé ao seu lado, até a próxima hospedaria. Lá cuida melhor dele, pernoita e na manhã seguinte ao partir, tira do bolso 2 denários, que entrega ao hospedeiro para as despesas futuras com o ferido. O denário era a importância correspondente a um dia de trabalho.

Disse ao hospedeiro, que ao regressar pagaria o que lhe faltasse. E segue viagem tranquila com o dever cumprido. Jesus ensinava a lei de Deus por parábolas, isto é, contando estórias e dava o exemplo colocando-a em prática.

Buscando tirar o sentido mais profundo desses ensinamentos, poderemos ver esse homem caído, ferido e nu na estrada, de várias maneiras. Podemos considerar o Espírito desencarnado, judiado por perseguidores do plano astral, que seriam os salteadores. Não serão os Ministros ou Sacerdotes que poderão prestar-lhe socorro. Só uma alma vigilante (samaritana), caridosa é capaz de realizar os esforços indispensáveis a sua recuperação conduzindo-o a um Posto de Socorro “hospedaria” no plano espiritual, cuidando que suas forças sejam refeitas, a fim de que possa preparar-se convenientemente para continuar sua viagem evolutiva, após essa descida moral que o fez vítima dos espíritos maléficos.

Podemos também considerar todos nós, que através de nossos erros, desacertos, somos assaltados por grandes dificuldades físicas e espirituais, nos sentimos caídos, e precisamos sempre de alguém que nos de a mão e nos ajude a levantar. Nem sempre recebemos a ajuda daquele que esperamos que tivesse obrigação ou responsabilidade para conosco, mas elevando nosso pensamento ao Pai, e pedindo forças para vencer, aparecerá alguém disposto a nos ajudar.

Podemos aplicar esta parábola dentre aqueles que comungam o nosso reduto particular. Quase sempre, temos os caídos dentro do nosso reduto doméstico. Não descem de Jerusalém para Jericó, mas tombam da fé para desilusão e da alegria para dor, espoliados nas melhores esperanças, em rudes experiências. Quantas vezes surpreendemos as vítimas da obsessão e da provação, dentro de casa.

Julgamos assim, que a parábola do bom samaritano produzirá também efeitos admiráveis, toda vez que nos decidirmos a usá-la, na vida íntima, compreendendo e auxiliando aos vizinhos e companheiros, parentes e amigos, sem nada exigir e sem nada perguntar.

Vamos praticar a caridade como fez o samaritano, que no exercício do bem, ofereceu o coração e as mãos, o tempo e o trabalho, o dinheiro e a responsabilidade. Deu de si o que podia por si, sem nada pedir ou perguntar.

Sentiu e agiu, auxiliou e passou.

Este é um exemplo para todos nós, que sempre que interessados em aprender a praticar a caridade e a misericórdia rememorem este ensinamento de Jesus e façamos nós a mesma coisa.


Carlos Enrico Crive
carlosenrico.criv@yahoo.com.br

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