A história nos traz um personagem de nome Esopo, contador de fábulas que viveu entre os séculos VII e VI a.C., inicialmente escravo e depois liberto. Esopo, certa vez, recebeu ordens de seu senhor para que comprasse no mercado o que houvesse de melhor. O fiel servidor cumpriu à risca sua missão, trazendo para casa línguas, justificando que não há nada melhor do que a língua, vínculo da vida, chave das ciências, órgão da verdade e da razão, da oração, etc.
Diante dessa franca opinião e para embaraçar o escravo, o senhor novamente lhe ordena que voltasse no dia imediato ao mercado e de lá trouxesse o que houvesse de pior. Na refeição do dia imediato Esopo só serviu línguas, o que surpreendeu seu senhor. Ao ser questionado sobre a repetição do prato, Esopo lembrou que a pior coisa que há no mundo é a língua, mãe de todas as questões, origem das divisões e das guerras, órgão do erro e da calúnia, da blasfêmia e da impiedade.
Isso nos faz compreender que a língua pode ter duas facetas bem definidas, já que tanto pode edificar como destruir. Reúne todas as condições para oferecer precioso auxílio a quem dela queira fazer uso: poderá servir para um precioso auxílio no campo da bondade como um ácido tenebroso em meio dos que anseiam o mal.
Quando o uso da palavra não for em benefício construtivo, a favor do aprimoramento do conhecimento que conduz à elevação moral, é preferível o silêncio. Neste caso, é aceitável o ditado: ‘Falar é prata, calar é ouro’.
Pela mediunidade de Chico Xavier, André Luiz enviou esta página que aborda as condições desse importante órgão: A língua:
“Não obstante pequena e leve, a língua é, sem dúvida nenhuma, um dos fatores determinantes no destino das criaturas.
Ponderada, favorece o juízo; leviana, descortina a imprudência; alegre, espalha otimismo; triste, semeia desânimo; generosa, abre caminho à elevação; maledicente, cava despenhadeiros; gentil, provoca o reconhecimento; atrevida, atrai o ressentimento; serena, produz calma; fervorosa, impõe confiança; descrente, invoca frieza; bondosa, auxilia sempre; descaridosa, fere sem perceber; sábia, ensina; ignorante, complica; nobre, cria o respeito; sarcástica, improvisa o desprezo; educada, auxilia a todos; inconsciente, gera desequilíbrio.
Por isso mesmo, exortava Jesus:
─ ‘Não procures o argueiro nos olhos de teu irmão, quando trazes uma trave nos teus.’
A língua é a bússola de nossa alma, enquanto nos demoramos na Terra.
Devemos conduzi-la, na romagem do mundo, para a orientação do Senhor, porque, em verdade, ela é a força que abre as portas do nosso coração às fontes da vida ou às correntes da perturbação e da morte.”
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