Vemos na maioria das vezes o defeito nos outros e não enxergamos as nossas próprias imperfeições.
Através do tempo, o homem foi deixando as cavernas e lentamente modificando seu modo de vida, além de aperfeiçoar a forma e a maneira de conviver com outras pessoas.
Sempre se compreendeu essa vida comunitária como uma das grandes dificuldades enfrentadas pelo homem. Viver em grupos nunca foi fácil.
Do isolamento ao ambiente social em que hoje se encontra, percebe-se que o ser humano, nesse trajeto de milênios, ainda conserva-se hostil em reconhecer a necessidade de respeitar e compreender seu semelhante, considerando-o como um seu companheiro de caminhada, com os mesmos problemas e as mesmas necessidades.
O homem que ainda ofende, agride, invade, rouba e mata, como o fazia no início dos tempos, ainda não se deu conta de seu estágio na Terra e das implicações desse destempero fraterno, dessa ausência de respeito à pessoa.
Conseguimos perceber os sinais de elevação moral que envolvem muitos dos que estão conosco a caminho. Aqueles que já se acham nos degraus mais altos da escada da perfeição, sabem como compreender e auxiliar os que ainda estão buscando o equilíbrio para levantar-se.
Através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, Emmanuel nos brinda com esta mensagem sobre as dificuldades de se manter uma boa amizade ou mesmo o respeito entre as pessoas, com esta página ‘Ante nossos adversários’:
“Interpretemos nossos adversários por irmãos, quando não nos seja possível recebê-los por instrutores.
Quando o Senhor nos aconselhou a paz com os inimigos do nosso modo de ser, recomendou-nos certamente o esquecimento de todo o mal.
Às vezes fustigando aqueles que nos ofendem, a pretexto de servirmos à verdade, quase sempre faltamos ao próprio dever nos setores da cortesia e da educação.
Nem todos podem enxergar a vida por nossos olhos ou aceitar o mapa da jornada terrestre, através da cartilha dos nossos pontos de vista.
E, não raro, golpeando os outros com a ofensa da crítica ou intoxicando-os com o vinagre do azedume, procedemos à maneira do lavrador que enlouquecesse, de improviso, espalhando veneno sobre a plantação nascente, necessitada de auxílio pela fragilidade natural.
Claro que o amor fraterno encontra múltiplos modos de fazer-se sentir no reajuste das situações difíceis da vida e é justamente para a verdadeira solidariedade que nos cabe apelar em qualquer circunstância difícil.
Se incentivamos o incêndio, atirando-lhe combustível, e se maltratamos as feridas alheias, alargando-lhe as bordas, a golpes de força, também não entraremos em harmonia com os nossos adversários por intermédio da violência.
Usemos o amor que o Mestre nos legou, se desejamos a paz na Vida Maior.
Compreendamos aqueles que nos ofendem.
Oremos pelos que nos perseguem ou caluniam.
Suportemos quantos nos perturbem.
Sejamos o apoio dos companheiros mais fracos.
E o Divino Senhor da Vinha do Mundo que nos aconselhou o livre crescimento do joio e do trigo, no campo da Terra, em momento oportuno se fará revelar, amparando-nos e selecionando-nos os caminhos para as tarefas que se nos façam mais justas”.
Do livro Mais perto, de Emmanuel, por Chico Xavier – Editora GEEM.