Carlos Pompéia



Coragem e fé

08-09-2013

Viver apenas por viver, não é condição digna do ser humano. As plantas, de um modo geral, também vivem; as pestes, as pragas, as ervas daninhas, também têm seu ciclo de vida, portanto, também vivem; os pássaros, os peixes, outros animais, igualmente vivem e também se locomovem. O homem, no entanto, possuidor de qualidades nobres, embora tenha a inteligência consigo e o poder de se transformar, raramente faz uso desses recursos para avaliar a importância da vida, em sua própria vida.

O homem possui coragem suficiente para agredir o próximo, mas não é capaz de reconhecer os erros, as falhas pessoais ou do próximo; envolve-se com a bebida com rapidez incrível, mas não tem forças para deixar esse ou outros vícios que atormentam a família ou a si próprio; encontra ânimo para tirar a vida de seu semelhante quando se vê frustrado nas investidas para conseguir dinheiro, mas não tem a coragem suficiente para trabalhar e sustentar-se, procurando vencer as barreiras naturais que todos enfrentam, porque fazem parte da existência.

Emmanuel, mentor de Chico Xavier, nos oferece esta página que fala da ‘Coragem e fé’ que faltam às pessoas. São valores que a grande maioria da humanidade desconhece porque não faz parte do sentimento individual daqueles que raciocinam, daqueles que pensam:

’Coragem e fé’:

“Padeces provavelmente graves conflitos.

Tens a idéia de que os familiares não te compreendem.

Acreditas que os melhores companheiros te abandonaram.

Admites que estás vivendo entre aposentos fechados.

Sofres na solidão e perguntas como abrir tantas portas trancadas.

Entretanto, basta que te recolhas por dentro de ti mesmo e procures pelo apoio da humildade. Com ela, encontrarás o segredo para que todas as portas se abram alegres, diante de ti.

Deves refletir, contudo, no sentimento de força que está dentro de ti mesmo.

Muitos companheiros na Terra evidenciam coragem nas horas de heroísmo.

O homem que enfrentou um animal selvagem, colocando-lhe um freio; outro que conquistou o campeonato de mergulho em águas perigosas; outro, ainda, que adquiriu o maior destaque na longa corrida de pedestres.

Todos eles, pelo devotamento à disciplina, são dignos de respeito.

Um tipo diferente de coragem, porém, se espera dos seguidores do Cristo: a coragem da fé.

Aquela de se calar alguém para que o outro fale mais alto; de sofrer injúrias e humilhações sem deteriorar a imagem dos próprios adversários e agressores; de acreditar no bem, mesmo quando a ignorância e a maldade parecem triunfar; de aceitar a rotina dos encargos de cada dia, nela encontrando a alegria do trabalho, sem aplauso público e a coragem de esquecer-se para que outros recolham as vantagens do serviço que lhe haverá custado imenso esforço.

O heroísmo é, talvez, mais fácil pelo deslumbramento de uma hora, à frente dos homens. Entretanto, a coragem da fé será sempre mais difícil, porque exige humildade e renúncia, tolerância e dedicação ao bem do próximo, no desdobramento incessante do dia-a-dia.”

-o-


Do livro Monte acima, de Emmanuel, com Chico – GEEM..


Carlos Pompéia

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