Carlos Pompéia



De retorno

14-07-2013

Uma questão importante em relação à vida é a maneira que a vivemos, que nos comportamos frente aos problemas que o tempo apresenta, que agimos no lar com os nossos familiares, no serviço ou mesmo na rua, em deslocamentos tumultuados como nos dias hoje.

Quando Jesus disse ser O Caminho, A Verdade e A Vida, estava se referindo aos seus ensinamentos Evangélicos, pois, através deles, quem assim agisse alcançaria o espaço destinado aos eleitos. Para isso, sem dúvida, o coração teria que estar manso, suave,pacífico e pleno de amor, distante das impurezas que a vida impregna aos sentimentos desavisados.

Pelo lápis de Chico Xavier, Romeu Camargo, figura religiosa da década de 1940, assim expressou-se sobre a chegada na outra margem da vida, nos dando notícias sobre as expectativas aguardadas por muitos que imaginam tapetes, flores e trombetas como parte da recepção.

Esta mensagem não deixa de ser uma oportunidade para corrigir a rota enquanto estamos por aqui, a caminho. Nos conduzir bem é dever para os que querem chegar bem.

“A morte é sempre um caminho surpreendente.

Sabemos que a reencarnação nos enforma na carne e que, antes de qualquer operação biológica no renascimento, já vivemos na pátria espiritual, quase sempre no mesmo ponto em que se verifica o nosso reingresso. Entretanto, quem não experimentaria o deslumbramento do novo despertar?

O pássaro encarcerado na gaiola, em escuro porão, por muitos e muitos anos, ao se ver inesperadamente em liberdade, contempla os quadros da natureza livre com imenso júbilo, como se o vento e o sol, o rio e o arvoredo lhe fossem preciosas descobertas. Em verdade, sentir-se-ia enfraquecido e incapaz de sustentar-se, sem auxílio, na floresta enorme, viciado como se encontra, com o alpiste e o bebedouro diariamente colocados no artificial domicílio da carne.

É o nosso caso.

Por muito que nos disponhamos a encarar, face a face, as realidades da morte, atravessamos os pórticos da vida nova, de coração aos pulos e a passos vacilantes.

A razão, aos poucos, amadurece, o campo do pensamento se alarga, e, aos poucos, vamos nos restabelecendo.

Os grandes ensinamentos das religiões são fórmulas que, aplicadas nas experiências de cada dia, operam a higiene e a iluminação de nossa alma, rumo aos degraus superiores. Todavia, enquanto permanecemos no corpo, infinita é a nossa distração. Embora dispostos a ensinar o bom caminho aos outros, dele nos afastamos, sempre que a virtude nos peça algo contra os nossos desejos.

As implicações que resultam dessa desatencão na vida para com as coisas relacionadas a esses ensinamentos significam que para lá voltamos à semelhança de máquinas desarranjadas levadas à oficina. Vícios do pensamento, inclinações nocivas não combatidas, desequilíbrios nervosos não extintos, sentimentos de culpa imanifestos, hábitos deprimentes, impulsos não educados, excessivo apego a objetos, situações e paisagens materiais ainda arraigadas, acidentes íntimos de mágoa ou de revolta, paixões ocultas, e verdadeira onda de outros fenômenos corruptores do sentimento, nos obrigam a lamentável demora na viagem, constrangendo-nos à perda de muito tempo que poderia ser utilizado em nossa própria recuperação e ascensão.

Saibam, enfim, que o corpo de sangue e ossos é simplesmente uma sombra da nossa entidade real e que todas as nossas virtudes ou vícios a nós se atrelam além da Terra, pelo que, de cada qual, depende o caminho aberto ou o desfiladeiro sombrio na sublime romagem para a luz.”

-o-


Do livro Falando à Terra, de Espíritos diversos, por Chico Xavier - FEB.


Carlos Pompéia

Voltar para a página anterior / Voltar para a página principal