Carlos Pompéia



02-10-2011

FILHOS CASADOS

Cada um tem seus próprios caminhos.

Enquanto pequenos, incapazes ainda de decidir o destino de seus passos, os filhos estão submissos à proteção do lar, dos pais, daqueles que são seus orientadores. São dependentes de tudo. Vão necessitar, por muitos anos, das mãos carinhosas e do afeto maternal, nos cuidados na alimentação, na higiene, no repouso, no amparo...

Mas, ao mesmo tempo em que vão crescendo em tamanho e inteligência, essa complexa estrutura de apoio vai se desfazendo, na medida em que o novo membro da família deixa a condição de fragilidade para constituir-se em coluna que aos poucos vai se mostrando em condições de igualdade física, somando-se ao campo produtivo do lar.

Naturalmente que esses filhos terão seus próprios pensamentos e vocações, que na maioria das vezes nada tem a ver com os pensamentos e vocações dos pais. São assim porque trazem consigo a individualidade, a personalidade, valores intransferíveis e que não são herdados.

Por isso mesmo, movidos muitas vezes pela incompreensão, mães e pais se sentem feridos pelo comportamento filial, pelo fato destes, nem sempre, corresponderem com os anseios imaginados e sonhados ao longo do tempo. Afinal, assim é com quase todas as famílias.

Através da psicografia de Chico Xavier, Emmanuel nos oferece a página “Filhos casados”, falando sobre os vínculos criados com a família íntima:

“Tema que provavelmente se nos afigurará corriqueiro, mas sempre na mais alta importância nas questões de relacionamento, com os filhos casados.

Muito comum na Terra, quando na mordomia do lar, esquecermo-nos de que os nossos filhos cresceram em tamanho físico e em responsabilidades espirituais. E quase sempre, enquanto involuntariamente, passamos a influenciá-los, de modo negativo, para lá da órbita do apreço que lhes devemos.

Reflitamos nisto, aprendendo a liberá-los de nossas exigências recheadas de amor.

Estejamos decididos a auxiliá-los, doando-lhes a oportunidade de serem eles mesmos nas escolhas que façam e nas experiências que busquem.

É preciso recordar que nem, sempre conseguirão afinar-se com as nossas inclinações e propósitos.

Desejarão outras companhias e outros hábitos. Estimarão tentar outro tipo de existência, diverso daquele em que nos acostumamos a trabalhar e a viver.

Decerto que nos amam, tanto quanto os amamos, entretanto, aspiram a seguir por vias diferentes das nossas.

Agradeçamos àqueles que se harmonizam conosco, reconfortando-nos com a ternura da presença constante, mas saibamos agradecer, também, o esforço daqueles outros que procuram ser bons e retos sem nós. Muitas vezes, quando alguns deles se nos afastam da convivência é porque permanecem atendendo a dificuldades e provas, nas quais a nossa intervenção resultaria simplesmente em ação indébita, complicando as questões em foco ao invés de resolvê-las.

Compadece-te de teus filhos casados, procurando respeitá-los na desvinculação de que necessitem para serem felizes.

O amor verdadeiro não cria problemas.

Recordemos nós todos, os espíritos encarnados ou desencarnados, que os nossos filhos no mundo, qual nos ocorre, são, acima de tudo, filhos de Deus e precisam, tanto quanto nós, de apoio na liberdade para conseguirem efetivamente viver”.


Extraído do livro Na era do espírito, de Espíritos diversos e Herculano Pires, por Chico Xavier, da Ed. GEEM – Grupo Espírita Emmanuel, de São Bernardo do Campo-SP.


Carlos Pompéia
carlospompeia@yahoo.com.br


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