Carlos Pompéia



Letreiros vivos

01-06-13

Nem sempre é preciso estar próximo de uma pessoa para conhecer-lhe o coração. Há casos em que mesmo distante, ou numa conversa, sem qualquer contato permanente, se possa perceber e apreciar traços da formação interior que habita os seus sentimentos. Cada um deixa transparecer os traços, ao menos superficiais, de seu caráter, os quais, embora observados com rapidez, já poderão dar mostras de sua personalidade.

As diferenças internas, contudo, são acentuadas e os próprios instrutores do além afirmam que ninguém está em nível de igualdade, o que também entendemos, ou seja, ninguém é igual, daí a razão de sermos semelhantes.

A propósito do tema de hoje, ‘Letreiros vivos’, representa que trazemos as características que nos consolidam, individualizando a personalidade, e que vamos nos deixando conhecer pelos outros, de acordo com o que falamos, fazemos ou agimos. De acordo com a maneira de nos conduzirmos, mostramos as tendências que compõem nossos pensamentos.

É evidente que cada um traz consigo ao nascer, sua própria estrutura psíquica, alicerçada nas existências anteriores, uma vez que nem sempre herdamos de nossos pais os valores que nós gostaríamos de ter conosco, porém, não estamos impedidos de nos modificarmos ou de melhoramos os valores que já temos, como parte de nós.

André Luiz, orientador da Vida Maior, enviou ao médium Chico Xavier, esta mensagem importantíssima que fala da maneira lógica como as pessoas podem ser identificadas, através da propaganda natural, que se chama ‘Letreiros vivos’, pois é assim que somos apresentados perante a Humanidade:

“Nas faixas mínimas de sua experiência cotidiana surge o roteiro humano que você representa para os outros.

Os traços do semelhante pintam-lhe o clima interior.

Os seus objetos de uso pessoal compõem o edifício da sua simplicidade.

A ordem dos seus afazeres indica-lhe o grau de disciplina.

O cumprimento das suas obrigações denuncia-lhe o valor da palavra empenhada.

O teor da amizade dos seus vizinhos para com a sua pessoa qualifica a sua capacidade de se fazer entendido.

O diapasão da sua palestra dá o tom da sua altura íntima.

A segurança da sua opinião traduz a firmeza dos seus ideais.

Os tecidos que lhe envolvem o corpo configuram-lhe o senso de naturalidade.

As iguarias da sua mesa revelam-lhe o papel do estômago no mundo moral.

A natureza do cuidado com o seu físico fala francamente de suas possíveis relações com a vaidade.

O seu presente diz, para todos, o que você foi no passado e o que você será no porvir, com reduzidas possibilidades de erro.

A uniformidade entre o movimento das suas ideias, dos seus conceitos e das suas ações exibe, à vista de todos, a fibra a sua vontade.

Todas as criaturas que lhe partilham a existência lêem incessantemente os letreiros vivos que lhe estabelecem a verdadeira identidade nos panoramas da Vida, respondendo-lhe as mensagens inarticuladas com a aversão ou a simpatia, contentamento ou desagradando, conforme a sua plantação do bem ou do mal.”


Do livro O Espírito da Verdade, de Espíritos diversos, por Chico Xavier – Ed. FEB.

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Carlos Pompéia
carlospompeia@yahoo.com.br

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