Carlos Pompéia



Rogativa das mãos

06-03-13

─ Reclamas da vida? Perguntam os irmãos do outro lado.

"O homem dominará, cada vez mais, a paisagem exterior que lhe constitui moradia, embora não se conheça a si mesmo", é o que ouvimos constantemente dos que trabalham em prol do destino da Terra.

O homem imprudente, acostumado às vantagens e benefícios que vida lhe oferece em face dos recursos financeiros, se esquece das bênção divinas, que possuem a paz de que necessita, durante sua estada neste mundo de provas e expiações. O que assim pensa vê a vida como algo natural, que inicia-se e encerra-se aqui mesmo, sem que tenha continuidade, em algum lugar desse infinito.

Braços... mãos... recursos abençoados; ferramentas importantíssimas que concede o Criador, Senhor da Vida, aos que são convocados a viver deste lado de cá, na Terra. Geralmente só são valorizados os meios, os recursos ou as dádivas divinas, quando algo desesperador acontece. Não deveria ser assim. Mas, dado à indiferença com que as coisas espirituais são tratadas, o homem é advertido no sentido de acordar o mais rapidamente, lembrando sempre que ‘todo minuto da vida é importante para renovar e redimir, aprimorar e purificar’.

É a figura de André Luiz que nos vem em socorro, através da psicografia de Chico Xavier, oferecendo esta mensagem como chamamento à lucidez que a vida reclama de cada um de nós. ‘Rogativa das mãos’ fala com carinho e respeito desse maravilhoso instrumental de apoio, que são as mãos:

“Nascemos com você para a realização de sua tarefa. Não nos deixe desocupadas.

Evite usar-nos em bebidas e alimentos impróprios. Não nos obrigue a impor-lhe o suicídio.

Não se queixe do mundo. Em verdade, não conseguimos apanhar as estrelas, mas podemos plantar flores.

É possível que você tenha necessidade de estender-nos algumas vezes para pedir. Antes, porém, dirija-nos ao trabalho, para que venhamos a merecer.

Refere-se você à genialidade do cérebro. Entretanto, sem nós, a Torre Eiffel ficaria em projeto e as sinfonias de Beethoven não passariam de sonho.

Orgulha-se você de muitas máquinas. Contudo, sem a nossa cooperação, seriam elas inúteis.

Você diz que a manutenção da própria existência está pela hora da morte. Mas, se você quiser, cultivaremos feijão, arroz, milho ou batatas e enriqueceremos a vida.

Lamenta-se você quanto à falta de empregados. Não esqueça, porém, que é um insulto exigir dos outros aquilo que podemos fazer por nós mesmos.

Afirma-se você sem tempo para ajudar, mas gasta longas horas de conversações sem proveito. Recorde que Deus não nos confiou a você para sermos guardadas no bolso ou para sermos dependuradas em janelas e postes, poltronas e balaústres.

Em muitas ocasiões você cai na sombra da tristeza ou do desânimo, conservando a cabeça como pote de fel. Entretanto, se você colocar-nos no serviço do bem, vazaremos suas mágoas através do suor, e você sorrirá, cada instante, encontrando a alegria de viver em forma de nova luz.”

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Carlos Pompéia
carlospompeia@yahoo.com.br

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