Henrique Monteiro de Almeida



Perturbação Espírita

12-09-2010

Constantemente ouvimos pessoas que dizem, de membros da família ou amigos, que voltaram à pátria espiritual, através da morte do corpo físico:  Ele descansou, ele está no Céu junto à Deus.

Todavia, os Espíritos da codificação nos esclarecem que nós estamos reencarnados num mundo de expiação e provas, portanto, ainda somos Espíritos imperfeitos, não tendo assim após a desencarnação, condições necessárias para ir a um mundo mais elevado, mais feliz.

São imensos os requisitos necessários para emigrar a mundos mais felizes.

No ‘Livro dos Espíritos’, questão 163, Kardec pergunta: − Deixando o corpo, a alma tem imediata consciência de si mesma?

− Consciência imediata não é o termo: ela fica perturbada por algum tempo.

Na questão 164, Kardec pergunta: − Todos os Espíritos experimentam, no mesmo grau e pelo mesmo tempo, a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo?

− Não, pois isso depende da sua elevação. Aquele que já está depurado se reconhece quase imediatamente, porque se desprendeu da matéria durante a vida corpórea, enquanto o homem carnal, cuja consciência não é pura, conserva por muito tempo mais a impressão da matéria.

Na questão 165, Kardec pergunta: O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração maior ou menor da perturbação?

− Uma grande influência, pois o Espírito compreende antecipadamente a sua situação; mas a prática do bem e a pureza de consciência são o que exerce maior influência.

A seguir, Kardec nos esclarece que, “No momento da morte, tudo, a princípio, é confuso: a alma necessita de algum tempo para se reconhecer e sente-se como atordoada, no mesmo estado de um homem que saísse de um sono profundo e procurasse compreender a sua situação. A lucidez das idéias e a memória do passado lhe voltam à medida que se extingue a influência da matéria de que se desprendeu, e que se dissipa nessa espécie de nevoeiro que lhe turva os pensamentos”.

A duração da perturbação de após morte é muito variável: pode ser de algumas horas, como de muitos meses e mesmo de muitos anos. Aqueles em que é menos longa são os que se identificaram durante a vida com o seu estado futuro, porque então compreendem imediatamente a sua posição.

Essa perturbação apresenta circunstâncias particulares, segundo o caráter dos indivíduos e sobre tudo de acordo com o gênero de morte. Nas mortes violentas, por suicídios, por suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc, o Espírito é surpreendido, espanta-se, não acredita que esteja morto e sustenta teimosamente que não morreu. Não obstante, vê seu corpo, sabe que é dele, mas não compreende que esteja separado. Procura as pessoas de sua afeição, dirige-se a elas e não entende porque não o ouvem.

Esta ilusão mantém-se até o completo desprendimento do Espírito, e somente então ele reconhece o seu estado e compreende que não faz parte do mundo dos vivos.

A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem: é calma e em tudo semelhante à que acompanha um despertar tranqüilo. Para aquele cuja consciência não está pura é cheia de ansiedade e angustia.

Resumindo, para que não passemos por essas dificuldades após o nosso regresso à pátria espiritual, devemos observar as exortações do nosso Mestre maior Jesus Cristo: “Amai-vos como eu vos amei, os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”.


Henrique Monteiro de Almeida

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