Joel F. de Souza



A intenção é relembrar

06-09-2012

Você ouviu dos lábios dos seus professores as informações astronômicas dos corpos celestes não serem todos da mesma natureza, não obstante parecerem-nos ser, pois semelham-se na emissão de luz; contudo somente as estrelas são capazes disso porquanto os demais astros como os planetas, satélites, cometas, etc., apenas refletem-na. Claro, homem algum, esteve lá para tal distinção, nem você duvidou da capacidade das poderosas lentes telescópicas. Você não viajou ao centro da Terra para comprovar a existência do nife, massa sólida e ígnea, composta por níquel e ferro, à temperatura de 5.000ºC, porém acreditou nas coletas dos dados vulcânicos e dos terremotos, pois só um tolo, diante de seus pares, afirmaria o contrário das verdades trazidas pelas conquistas geológicas. Você não viu o elétron, contudo está certíssimo dele existir após as demonstrações do físico inglês J. J. THOMSON, desde 1897, através do estudo da condução elétrica nos gases rarefeitos.

Em suma não foi enganado pela Ciência porque você mesmo pode participar dessas experiências, basta querer saber onde ocorrem ou assistir um documentário científico, pois o quê, afinal, iludiria a lente duma filmadora de altíssima velocidade? Você não esteve lá, não tocou, nem viu, as experimentações acima, mas creu nelas porque os artifícios tecnológicos ampliaram sua visão. É o conhecimento dito “experimental”, induzido dos erros e acertos. Saiba ainda que na Filosofia não será tampouco enganado por esta também partir duma base fenomênica irrefutável; mas, infelizmente, não podemos afirmar tal idoneidade no âmbito das religiões tradicionais porque, sem que você tenha visto, pegado, ou estado lá, exigem sua crença naqueles “fundamentos”: 1º) DEUS fez (!) o mundo em 7 dias e, depois, descansou (!); 2º) O primeiro casal e JESUS não nasceram duma fecundação (algo nada lisonjeiro para MARIA, JOSÉ, e DEUS, nem tampouco para a inteligência de quem me lê)!; 3º) Era a serpente que falava (!) num idioma inteligível pelo casal ou era o contrário?

Que horror! Tanta pretensão soa-nos pior que as lendas dos modernos “Sherek”, “Os 101 dálmatas”, e etc.. Mas se estas são falsas, então por que aquelas seriam verdadeiras? Sem exceção, no mundo inteiro as religiões oriundas da Tradição tratam-nos como indigentes ou aleijados intelectuais, fazendo-nos sentir vergonha em sermos racionais! Chega a ser vexaminoso termos que abdicar e jogar fora a razão, ou o bom senso, para acreditar no que nem as nossas crianças creem mais. É isso que os espíritas denominam de “fé cega” e repudiam: o mau emprego das faculdades racionais inatas-divinas. Se são excelentes para as ciências empíricas e abstratas, por que não podem sê-lo para a religiosidade em geral? E pasme: insistem, diariamente, em nos fazer passar tais historietas-fábulas por fideístas, porquanto continuam diante de nós a serem pregadas em templos cada vez mais grandiosos e luxuosos.

Por que permitimos a continuidade de tais aberrações? Porque fomos embaídos pela catequese – instrução metódica-oral sobre as coisas religiosas –, desde nosso surgimento no mundo, com o dito “sacramento do batismo”. E a este seguiram outros seis: crisma, eucaristia, penitência, ordem, matrimônio, e extrema-unção. As igrejas “tradicionais” conseguiram algo impossível: trocaram o culto interior, o do amor, pelo culto exterior, o das formalidades, exatamente o inverso do ensinado por JESUS-CRISTO: “:... não vem o reino de Deus com aparência visível. Nem dirão: ei-lo aqui! Ou: lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc, 17, 20-21); ou respondendo a PILATOS: “O meu reino não é deste mundo”. Enormes porcentagens dos “judeus” e “cristãos” surpreendem-se ao saber que os espíritas estudam a Bíblia, todavia nela apenas enxergamos um conjunto simbólico sob o qual divisamos a fé simples e ingênua anterior ao advento de JESUS-CRISTO o qual, por sua vez, também não nos disse tudo, segundo lemos: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador a fim de que esteja para sempre convosco” (Jo, 14, 16)”; e ainda: “...; mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo, 14, 26)”); e enfim: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vô-lo enviarei” (Jo, 16, 7). Ora, qual outra religião avocou ser o Consolador prometido por JESUS antes de 1857, ano d’“O Livro dos Espíritos”, exceto o Espiritismo? Vindo no ápice materialista fez-nos relembrar dos esclarecimentos do CRISTO.

Nossa intenção, então, é a relembrar.


Joel F. de Souza
bigjoel@terra.com.br

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