Joel F. de Souza



Faça e ensine a fazer

15-06-2012

O surgimento do Espiritismo com “O Livro dos Espíritos”, de autoria conjunta com ALLAN KARDEC e os Espíritos superiores em sabedoria e sentimento, fincou profundamente o modo religioso pelo qual o homem vinha realizando a sua teosofia – ligação com DEUS – até então. Com a Doutrina Espírita conseguimos ultrapassar e superamos as barreiras das dúvidas sobre a vida além-túmulo, geradoras do agnosticismo, do cepticismo, e do materialismo.

A Terceira Revelação veio na esteira dos racionalistas pós-cartesianos e logrou vencer o fortíssimo aparato do esquematismo kantiano ao demonstrar empiricamente a existência dos espíritos – ex-almas dos homens quando reencarnados –, ao incorporar em seu patrimônio intelectual positivista as experiências levadas a efeito no laboratório da mediunidade, testificando assim, pelas observações e controles, as pré-existência, existência, pós-existência, e imortalidade, dos espíritos reencarnados.

É relevante destacar que a sua força reside em sua filosofia extraída dos elementos práticos e não a partir das meras suposições metafísicas propaladas pelas igrejas tradicionais, porém carentes de comprovação, porquanto o único exemplo histórico de vida além-túmulo se deu com JESUS-CRISTO; todavia esse exemplar não pode ser levado em consideração por não estarmos tratando de um homem comum-normal, porém do próprio DEUS, segundo elas. Aceite tal falácia contra as leis naturais-biológicas quem quiser, uma vez que DEUS é lógico e jamais poderia sabotar Suas próprias leis, entrar em luta contra Si mesmo, pois isso se constituiria num absurdo! Para os espíritas, cristãos modernos por acreditarem nos avanços da razão científica universal, JESUS foi homem nascido de mulher, e a gravidez de MARIA de Nazaré, sua mãe, ocorreu pelos modos convencionais. Se é no mínimo controvertido admitirmos a hipótese do pai ser o pai de si mesmo, quanto mais admitirmos a sua concretude! Qual razão poderia aceitá-la?

Isto posto, inexistindo os Céu e Inferno e confirmadas as vida espiritual e a reencarnação, resta-nos apenas compreender e seguir a fé raciocinada de conformidade com os ensinos trazidos pelos Guias Espirituais condutores da Humanidade, todavia sem tolher a liberdade da vontade humana, pois, caso contrário, como conquistaríamos o mérito espiritual individual? Os Espíritos existem, são uma realidade da natureza, e interferem em nossas vidas, tanto nos inspirando para o Bem quanto para o Mal através das nossas boas ou más intuições, deixando DEUS, assim, o caminho livre para utilizarmos o livre-arbítrio soberano e moral.

Encontramos, na diversidade das orientações dadas por eles, a realização do Culto do Evangelho no Lar (CEL) , o qual consiste no esforço de se levar a vivência dos ensinamentos contidos n’“O Evangelho Segundo o Espiritismo” (ESE) ao interior daquele, numa oportunidade ímpar da família reunida poder se educar à luz dos postulados espírita-cristãos e realizar seu progresso moral simultaneamente.

Eis, em linhas gerais, suas finalidade e importância: 1º) Estudar o ESE com a família reunida, uma vez por semana, em dia e horário pré-combinados, a fim de compreender os ensinos cristãos cujas práticas conduzem aos aprimoramentos éticos e ao despertamento do sentimento de fraternidade; 2º) Precedido duma curta prece de abertura, sua duração não deverá ultrapassar 00:30. Todos poderão ler o livro-guia e tecer comentários sobre a leitura, inclusive as crianças. 3º) Higienizar o lar por meio de pensamentos e sentimentos altruístas, favorecendo a influencia dos Mensageiros do Bem; 4º) Contribuir com o Plano Espiritual na obtenção dum mundo melhor; e 5º) Tornar O Evangelho Segundo o Espiritism compreendido, sentido, e exemplificado, em sua racionalidade e totalidade.

Seja dito também que o CEL não é uma inovação, porquanto, historicamente, foi iniciado pelo Mestre JESUS na casa do apóstolo SIMÃO PEDRO e, segundo o Espírito EMMANUEL, em psicografia do saudoso CHICO XAVIER, “É uma necessidade em toda parte onde o Cristianismo lance raízes de aperfeiçoamento e sublimação(...). Quando o ensinamento do Mestre vibra entre as quatro paredes de um templo doméstico os pequeninos sacrifícios tecem a felicidade comum” (“in” “Luz no Lar”; Espíritos diversos; Ed. FEB; 1997). O CEL deve ser dirigido pelos responsáveis pelo lar, e uma garrafa com água poderá ser posta para ser fluidificada pelos Bons Espíritos presentes. Outras obras espíritas poderão ser agregadas a ele, como “Caminho, Verdade, e Vida”, do Espírito EMMANUEL; “Agenda Cristã”, do Espírito ANDRÉ LUIZ; “JESUS no Lar”, do Espírito NÉIO LÚCIO; “Messe de Amor, do Espírito JOANNA DE ÂNGELIS, dentre outras de conteúdos semelhantes. Há ainda a possibilidade de ser feito por uma só pessoa, contudo o roteiro não varia.

As visitas de última hora poderão ser convidadas a participar e, se não forem profitentes espíritas, deverão ser esclarecidas sobre a finalidade do encontro semanal da equipe familiar.

O CEL une, agrega, e dá polimento, às almas sob o mesmo teto, pois o ESE é, acima de tudo, lógico-pedagógico ao esclarecer e educar o homem a viver no mundo dum modo que o faz compreender de onde veio, o que faz aqui, e para onde vai.

Não seja preconceituoso, não menospreze o que não conhece, adquira, leia, e instale, em seu lar, o CEL

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Joel F. de Souza
bigjoel@terra.com.br

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