Joel F. de Souza



Médiuns e mediunidades-II

21-07-2012

Mesmo sendo um fenômeno natural, porque ínsito na natureza humana, a mediunidade sempre despertou, nos que a presenciaram, emoções ambivalentes de alegria e receio em relação aos seus detentores, os modernos médiuns. Todavia sempre houve médiuns em todos os tempos civilizatórios, porquanto o tipo de mediunidade mais habitual é o da intuição pelo pressentimento. Afinal sempre houve xamãs, curandeiros, pajés, e os que com a simples imposição das mãos faziam e ainda fazem a retirada da dor e até mesmo da doença. Era e ainda é aparentemente inexplicável, mas, por outro lado, era e ainda é também verdade, pois quem poderá arremeter contra os fatos?

A própria Medicina tem, em seus primórdios, a ação dos espíritos ruins como sendo os causadores das incontáveis patologias. Não é o BRASIL o país pioneiro na formação da primeira sociedade médico-espírita do mundo? Nos idos de 1968, na residência do notável médium SPARTACO GUILLARDI, surgiu a ideia e sua consequente efetivação, em 30 de março daquele ano, na Biblioteca do Hospital São Lucas. Nascia assim a ASSOCIAÇÃO MÉDICO-ESPÍRITA DE SÃO PAULO, organização religiosa, científica, cultural, beneficente, e sem fins lucrativos, buscando a interação espírito-corpo através das investigações experimentais nesse sentido. Unindo Ciência e Religião, lá se estuda e pesquisa, certamente e muito, a dinâmica faculdade da mediunidade, conceituada como “capacidade inerente à espécie humana de perceber, em menor ou maior intensidade, a influência dos espíritos”. Aqui mesmo em ITUPEVA abundam médiuns, não obstante ainda carecentes de saber como lidar com essa energia capaz de lhes pôr em contato com o mundo espiritual, algo que os intimida devido os quase 20 séculos debaixo do talante das religiões tradicionais que a proibiram porém jamais puderam impedi-la, conforme constatamos em Deuteronômio , 18:11.

Ora, se somos sabedores de que nada ocorre no interior do universo sem que DEUS o saiba e permita, portanto DEUS sabia e permitira aos “mortos” estabelecerem comunicações com os vivos, e tanto isso não é falso que o futuro da mediunidade foi previsto por Joel, 2:28-29 desde IV a.C. Ademais de nada adiantou aquela “advertência divina” aos judeus – repassada ao Cristianismo pela Tradição–, porquanto os fenômenos mediúnicos continuaram a ocorrer. Derrota dos homens e vitória de DEUS, é lógico. E agora estupefaça-se: “ISRAEL, como outros povos da Antiguidade, sentia-se próximo de seu DEUS e acreditava que ele respondia a indagações relativas a todos os aspectos da vida. Em crises públicas ou privadas, em questões importantes ou triviais, era costume procurar um oráculo” (“A Religião de Israel”; YEHEZKEL KAUFMANN; P. 89; Ed. USP-SP e Associação Universitária de Cultura Judaica).

Qual fora, portanto, o motivo daquela proibição? Simplesmente o uso das técnicas pagãs pelos judeus, mais nada, pois os meios legítimos seriam só através dos Urim e Tumim – leia Números, 27:21, onde o médium JOSUÉ, apontado por DEUS a MOISÉS, seria consultado pelo sacerdote ELEAZAR –, das sortes, dos sonhos, e das profecias. Não é isso mediunidade? No entanto cumpre ressaltar que nós, os espíritas, nunca nos servimos daqueles expedientes adivinhatórios mas sim da mediunidade psicográfica e psicofônica, pelas quais os Espíritos superiores em moralidade e sabedoria nos instruem ao amor de DEUS. Nada mais. Quem entrou e saiu dum Centro Espírita jamais viu, durante o período enquanto lá permaneceu, quaisquer daqueles atos judaicos, todavia ainda somos injustamente acusados de feitiçarias, magias, bruxarias, ...! Você acha mesmo que os homens de ciência, médica ou não, dedicar-se-iam a coisas que tais?

Relegada aos planos inferiores pelos pesquisadores passados, a mediunidade se encontra citada na Filosofia nos livros “Apologia de SÓCRATES” e “O Fédon”, ambos de PLATÃO, todavia jamais havia sido estudada e categorizada antes de ALLAN KARDEC por ela se interessar. A mediunidade nos desvela o maior dos enigmas humanos – exceto o de DEUS –: o mundo espiritual em toda sua pujança e exclui, definitivamente, os pavores dos Céu e Inferno (que sejam lidas as “Colunas Espíritas” anteriores).

A se crer ainda na malfadada Tradição dos concílios com seus dogmas malcheirosos, teríamos que descrer de GALILEU e retomar a crença bíblica da Terra como centro do universo. Acordemos! Basta de tantas fragilidades intelectuais religiosas! Os tempos mudaram desde 1861 quando ALLAN KARDEC fez surgir o “O Livro dos Médiuns” , monumento cientifico-psicológico-espiritual-experimental.

Saia então da obscuridade e conheça-o.


Joel F. de Souza
bigjoel@terra.com.br

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