Sua definição chega a ser exageradamente simples, conforme o item 159 d’“O Livro dos Médiuns” (LM), de ALLAN KARDEC: “Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por esse fato, médium”. E prossegue: “Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo”. E finaliza: “Por isso, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode-se, pois, dizer que todos somos, mais ou menos, médiuns”.
Médiuns e mediunidades sempre estiverem presentes em todos os evos ao longo da nossa história, como, por exemplo, com PLATÃO, na GRÉCIA clássica, vamos encontrar os poetas, os inspirados das musas, sendo expulsos da pólis. Na verdade, preso ao conteúdo, a mais alta exigência de racionalidade não lhe permitiria ir tão longe ao ponto de examinar os fundamentos daquele fenômeno "psi" postado diante de seus olhos experimentados como se, banindo-os como nocivos, pudesse pôr fim às divindades que por aqueles bardos falavam.
Porém, mesmo tendo sido execrada e colocada à margem da realidade fática por haver sido considerado algo anormal no ser, inobstante se encontrar longe de o adoecer e, mesmo, de o enlouquecer, essa potencialidade humana foi e ainda é estudada pelos judeus na ciência da cabala – palavra que significa “recepção; tradição” –, quer dizer, da busca do conhecimento das coisas divinas: quais seriam as características diferenciadas de alguns homens escolhidos por DEUS e pelos quais Este “fala”? Mas, curiosa, injusta, e exatamente por causa dos mesmos fenômenos mediúnicos, os médiuns modernos, ou os médiuns espíritas, vêm sendo sobremaneira atacados pelas igrejas católica e protestante pelos mesmos fenômenos que, agora sabemos, são muito mais antigos que elas, pois constantes da velha Bíblia da qual são herdeiras e têm, por baixo, 3950 anos desde quando DEUS “falou” pela primeira vez a ABRAÃO (Gn 12:1) – teoricamente o primeiro médium após ADÃO –. Em suma, criticam sua herança e nada sabem desta, exatamente a que lhes permitiria entrar em contato com o mundo espiritual ao qual, ao fim e ao cabo, estamos destinados. Saibam todos, contudo, que a finalidade do Espiritismo no mundo é “a melhora humana” e, para isso, serve-se da mediunidade, “faculdade humana-natural”, reitero.
Entrar em contato com o mundo espiritual é tão sem ornatos quanto respirar porque faz parte do viver, senão vejamos: “Enquanto o corpo repousa o espírito se desprende dos laços materiais que o jungem ao corpo e, ficando mais livre, pode, mais facilmente, avistar outros espíritos e entrar em comunicação com estes. O sonho não é senão a recordação desse estado” (item 100/LM). E também interferem constantemente em nossas vidas – conforme a explicação do Espírito ERASTO, discípulo de PAULO de Tarso –, criando-nos mil circunstâncias e incidentes necessários ao cumprimento dos nossos atos existenciais.
O medo quase escabroso da mediunidade deriva do seu desconhecimento, a começar pelos padres e pastores que não a estudam, seguidos pelos céticos, materialistas, e niilistas que, “part-pris”, julgam-na maravilhosa e sobrenatural porque “desde todos os tempos o homem teve o gosto do maravilhoso”. Bobagens à parte, afirmamos: qualquer espírito é menos perigoso que um homem vivo, como um malfeitor, por exemplo, pois não é o fato de ser espírito que o torna perigoso mas sim a influência que pode exercer sobre o encarnado, desviando-o do bem e impelindo-o ao mal. Enfim, entendamo-nos: as existências dos espíritos e da mediunidade são fatos exaustivamente demonstrados e estudados há 155 anos por grupos de cientistas consumados para saber das condições da vida espiritual e suas influências sobre as saúdes moral e física dos que lhes sofrem as ações. Só não enxerga quem não quer, confirmando assim o antigo adágio “o pior cego é aquele que não quer ver”.
Do fato de existirem pessoas inescrupulosas devemos concluir que todas as são? Pois do mesmo modo pensamos dos padres e pastores pedófilos do mundo todo: nem todos os são. Pois no Espiritismo dá-se o mesmo: do fato de haver médiuns não-espíritas que aplicam seus poderes em ler as mãos, jogar búzios, baralhar o tarô, fazer previsões futurísticas e solver casos amorosos, etc., explorando assim a credulidade alheia a troco de lucros fáceis, a Doutrina Espírita adverte: não é este o seu evangelho!
O verdadeiro médium-espírita é o mesmo que verdadeiro médium-cristão, pois conhece pelo estudo a mediunidade disponível em si e seu controle mediante seus bom senso e vontade. Jamais a aplica no suborno, antes faz dela um instrumento útil à sua evolução espiritual, dando de graça o que de graça recebeu.
Leva-se anos para se formar um médico medíocre; portanto, como querer conhecer a ciência espírita em duas semanas? Trata-se duma religião racional cujas questões entende com as mais graves da Filosofia. Aliás, também concordamos em que os espíritos não são entidades maravilhosas-sobrenaturais do nosso imaginário ou manifestações diabólicas!