Joel F. de Souza



Você sabe

24-06-2012

Sabe, sim, desse conhecimento prático-comum, extraído do nosso dia-a-dia: o de que “nem tudo que reluz é ouro”; e sabe também do conhecimento teórico-acadêmico, extraído dos modelos experimentais da Física: E = mc²; isto é, que a quantidade de energia dum objeto corresponde à sua massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado.

A primeira afirmação é popular e diz, acertadamente, do modo como nos relacionamos com a vida comum-ingênua-descomplexificada, a vida prática do aqui e agora, enquanto a segunda também, não menos acertadamente, do modo como cientificamente conhecemos a vida energética-matematizada-complexificada, a vida intelectual-cientificizada das leis naturais. A segunda, na verdade, fundamenta a primeira como sendo seu pano de fundo por racionalizá-la ao explicá-la, dando-lhe assim sustentação, logo, a primeira depende da segunda para ser e continuar sendo ou, dito doutra maneira, que a nossa realidade jacente se apoia noutra, subjacente. Daí, por expansão de raciocínio: “nem tudo que reluz é ouro”, ou “as coisas não são, em sua mais íntima realidade, exatamente como nos parecem ser”.

Ambas assertivas representam as duas faces da moeda da realidade e mostram-nos como o universo sempre foi, é, e será, simultaneamente: realidade visível-sensível-perceptível e, em contraponto, realidade invisível-insensível-imperceptível-intangível. Curioso, não? Foi a partir de 1905 que o notável físico alemão, ALBERT EINSTEIN (1879-1955) – o pai do fóton –, mergulhou-nos no conhecimento daquela realidade acima, a de que a massa deve ser vista como uma forma de energia, ideia proveniente do físico e fisiologista germânico, HERMANN VON HELMHOLTZ que, em 1847, finalizara a célebre história da transformação do calor em trabalho ao afirmar: “a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada, por ser uma constante universal”. Seja: a energia do universo é constante por ser inalterável.

É incontroverso afirmar que o conhecimento humano se desenvolveu por acumulação de conhecimento das Ciências Naturais e da Filosofia, você sabe; mas ainda, e infelizmente, você sabe que não podemos afirmar o mesmo quanto à ciência moral porque o homem moderno continua a se comportar como o homem velho, seguindo “ipsis litteris” (“com as mesmas letras”) a célebre citação do poeta cômico latino, MACCIUS PLAUTUS (254 a 184 a.C.): “homo homini lupus” (“o homem é o lobo do homem”). Advém disso o desrespeito do ser-homem por sua própria vida, pois, anualmente, só no tráfego nacional morrem 48.000 pessoas, e assassinamos dolosamente – intencionalmente –, 50.000 outras, números que nos rebaixam ao escandaloso primeiro lugar de país homicida sul-americano! E nem falamos nas mortes por drogadição nas quais a vida – o bem maior – se esvai precocemente em plena força de trabalho, dificilmente ultrapassando os 27 anos! A partir desses dados os lares se enlutam, esposas enlouquecem de dor, as famílias se enfraquecem por falta de alimentos, os pais perdem o referencial paterno-materno, e a obscuridade intelectual avança, ganhando força, corpo, e campo, levando a Terra, um dos infinitos orbes de nosso céu estrelado, à indigência moral ao se caracterizar pelas selvagerias das maldades e matanças, porquanto aqui, não obstante os inumeráveis esforços educacionais duns poucos, ainda impera a rude incivilidade primitiva dos muitos, pois, se temos leis e não as seguimos, então é como se não as tivéssemos; mas como as temos, então nos tornamos duplamente responsáveis.

Nosso modelo de viver o presente é, lamentavelmente, o do pensarmos num niilista e, sendo assim, não nos restar outra alternativa senão a da irresponsabilidade, o que nos aponta para um claro flagrante das falências das religiões que, com os seus absurdos princípios aprisionadores das inteligências desde antes os nossos nascimentos, já haviam fracassado fragorosamente, bastando-nos sobrevoar a História das Civilizações para constatarmos seus mitos despropositados, seus dogmas irracionais, e suas inércias científicas; para constatarmos seus templos cada vez mais gigantescos e faustosos nos quais os pobres não se sentem à vontade para entrar nem para serem atendidos em seus dramas dolorosos; e para constatarmos, finalmente, o quanto é repugnante vê-las retirar destes que precisam, sob as ameaças dum carcomido Inferno, o parco alimento de suas panelas. Por isso surge-nos a indagação: teria fracassado o plano de JESUS? Claro que não, pois:

1º) Não confundamos o Cristianismo com os líderes cristãos que conduziram e ainda conduzem as religiões à descrença, e porque

2º) Trazemos as leis divinas insculpidas inatamente em nossas consciências.

Estas se manifestam primariamente consoante o mais básico de todos os instintos necessários, o de conservação, impedindo-nos de querer o mal para nós mesmos por ser antinatural e antivital. Contudo, inobstante isso, continuamos a barbarizar nossos cônjuges, filhos, parentes, amigos, os bolsos dos desprovidos da sorte e do povo em geral, malbaratando nossas virtudes potenciais. Entretanto, se ontem as religiões da Tradição se converteram no que são – religiões-políticas do Estado por cobiçar os bens terrenos, honra, glória, e poder econômico –, hoje devemos nos lembrar das lições do Espiritismo – no mundo desde 1857 com a edição d’“O Livro dos Espíritos” – e, dentre tantas, a de que deveremos prestar contas às nossas consciências das consequências dos nossos atos.

A Religião dos Espíritos assevera-nos a existência da ética regente no universo moral, a ética do amor incondicional a tudo. Se as religiões de ontem são as responsáveis pelos modernos ceticismo, agnosticismo, e materialismo, os espiritistas os negam pelas provas substanciais das existências dos Espíritos no Mundo Espiritual.


Joel F. de Souza
bigjoel@terra.com.br

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