Ai do mundo, por causa dos escândalos. Porque é necessário que sucedam escândalos, mas ai daquele por quem vem o escândalo. Jesus - Mateus, 18, 6-11 (ESE VIII-11).
Dez anos depois do atentado terrorista no World Trade Center (EUA) ocorrido no dia 11 de setembro de 2001, cabem ainda sérias reflexões: “que lições tiramos daquela terrível tragédia, que ceifou cerca de três mil vidas, sem contar as mortes indiretas? Fizemos alguma coisa? O que estamos fazendo? O que precisamos fazer ainda?
Naquela ocasião, alguns vibraram, dançaram e cantaram vitórias; outros lamentaram e ainda choram seus mortos e feridos, jurando vingança num círculo vicioso de ódio e de consequências trágicas inimagináveis.
Todos nós, de alguma forma, fomos e estamos envolvidos nesse nefasto acontecimento, seja como agentes causadores, vítimas ou bombeiros.
É preciso romper essas algemas de ódio, de rancor e violência. Somos todos irmãos em Cristo, e precisamos ceder, não como um ato de covardia, pois, a verdadeira e maior coragem está no esquecimento das ofensas, no perdão incondicional e no respeito às diferenças, sejam quais sejam: religiosas, raciais, costumes regionais, culturais, etc. Somos todos iguais perante Deus.
É verdadeiramente corajoso aquele que perdoa e mais meritório ainda, aquele que, se quer se ofende, pois, entende que o ofensor é um doente da alma que ainda não abriu os olhos para o verdadeiro e sublime amor.
Diferenças não são defeitos. São antes, oportunidades para aprendermos uns com os outros, pois:
“Ninguém é tão sábio que não possa aprender, nem tão tolo que não possa ensinar!”
A indignação era tamanha por causa do atentado às torres gêmeas, que se questionava até a justiça Divina: “Onde estava Deus no dia 11 de setembro de 2001?”, bradava a principal manchete de um importante jornal norteamericano; “Por que Deus?”, protestava um jornal regional brasileiro.
É muito cômodo jogar a culpa em Deus pelos nossos desatinos e mau uso do livre arbítrio, quando foram homens que sequestraram, pilotaram e direcionaram propositadamente as aeronaves em direção às torres gêmeas.
Será que Deus é realmente, o responsável ou se omitiu como sugerem as manchetes? Em o Livro dos Espíritos, questão 13, um dos atributos da divindade é: Deus é soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das Leis Divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e essa sabedoria não permite duvidar de sua justiça nem de sua bondade.
Portanto, cabalmente, essa e todas as outras tantas insanidades que enxameiam por este, ainda mundo de provas e expiações, não são obras de Deus e nem de sua soberana vontade.
Segundo um conceito atribuído a Albert Einstein, o mal não existe por si mesmo. O mal é a ausência do bem, assim como o frio é a ausência do calor e a escuridão é a ausência da luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações.
As leis de Deus são perfeitas, o erro está sempre na má interpretação das mesmas. A eletricidade é um bom exemplo: Trata-se de uma lei da física, tão importante que, sequer imaginamos a vida sem a mesma: pois que ela salva, ilumina, aquece, prepara o alimento, move as máquinas que facilitam a nossa vida, entre outras tantas aplicações úteis, desde que usada adequadamente, mas que pode ser fatal em mãos inábeis ou mentes perniciosas.
É a mesma lei divina ou natural: se beneficia ou prejudica, depende de quem a manipula. É como o dinheiro, tido como o vil metal, porém, por ser inanimado, pode tanto salvar vidas, como tirá-las: depende sempre da direção que lhe for dada. Um trecho da música: “Viola enluarada” (Paulo Sérgio Valle) traduz bem esse argumento: “A mão que toca um violão, se for preciso faz a guerra, mata o mundo fere a terra”..., Aqui também, a mão não pensa.
“A diferença entre o remédio e o veneno está na dose”.
Depois dos atentados às torres gêmeas, outros em menores proporções, porém cruéis e devastadores, sucederam-se mundo afora, como no metrô na Espanha, ônibus na Inglaterra entre outros.
O mundo pós 11/09/2011 mudou e alguns teóricos acham que foi para melhor, outros para pior.
Na verdade, criou-se uma neurose, um clima de medo, onde todo mundo desconfia de todo mundo. Antes, cercávamos as nossas casas com cerca eletrificada, muros altos, alarmes, etc. Hoje, cercamos também o país.
Qualquer estrangeiro é suspeito. E foi o que aconteceu com um nosso compatriota no metrô de Londres, alvejado mortalmente pela polícia local, tal é a paranoia que tomou conta do mundo. Não entraremos aqui, no mérito da questão de quem estava ou não com a razão.
Precisamos trabalhar a paz dentro de cada um; desarmar as almas e colocar Deus nos nossos corações.
Hoje, estamos feras feridas e acuadas, marcando e defendendo nosso território a qualquer custo, na fria e egoísta teoria de que os fins justificam os meios; não importando quais sejam esses meios.
Paralelo a isso, há outra tragédia silenciosa, mas muito mais devastadora: A fome. A FAO/ONU (2010) estima que 925 milhões de pessoas se deitam com fome todas as noites e uma criança, morre a cada seis segundos, de causas relacionadas à fome no mundo. “Seis segundos!”
As crianças não nascem odiando e nem preconceituosas: são induzidas e acabam cultuando estas mazelas como valores da vida e assim a bola de neve vai aumentando e a avalanche ceifando vidas, mundo afora.
Dentro da pureza e inocência das crianças, uma delas, fez um questionamento singular:
“Who drew the line around the countries?” Quem desenhou a linha em volta dos países?
Por causa dessa linha, permite-se que em questão de seis segundos, uma criança morra de fome, principalmente no continente africano. E isso não é terrorismo?
Alhures, pessoas se divertem em festivais de tomates, laranjas, arremesso de abóboras, etc., num escandaloso, criminoso e monstruoso desperdício de alimentos! E uma criança morre de fome a cada seis segundos...
Acolá, produtores jogam leite fora, queimam o excesso de produção para forçar a melhora do preço, na fria lei de oferta e procura... E uma criança morre de fome a cada seis segundos...
Em outras plagas, a praga da corrupção e a malversação da verba pública... E uma criança morre de fome a cada seis segundos...
Uma violência não justifica outra, assim como um erro não justifica outro. Mas, o mundo chocou e com justa razão, com o atentado às torres gêmeas que feriu gravemente a grande águia.
Mas, a cada dia, morre de fome, o equivalente a cinco vezes o número de vítimas das torres gêmeas e só falando em crianças: uma a cada seis segundos; 10 a cada minutos; 600 a cada hora, vezes 24h => final do dia: 14.400 (Catorze mil e quatrocentas) vítimas da fome. No atentado às torres gêmeas, não chegaram a 3.000 vítimas.
E me valerei de uma frase de Steve Jobs, o gênio da eletrônica e informática, até como uma singela homenagem a este grande homem, recém desencarnado: “Desculpe ser tão dramático, mas isso é bem verdade.”
Precisamos conhecer as nossas mazelas para combatê-las. Somos passageiros da mesma nave Terra, numa viagem onde poderíamos tomar como regra de conduta o lema dos mosqueteiros: ”Um por todos e todos por um!”
Afinal, o escândalo é necessário porque, de uma maneira geral, só despertamos quando a água bate no queixo; por isso, o escândalo funciona como o agente provocador desse despertar.
“Enquanto houver um ser humano passando fome, somos um povo que ri quando devia chorar!” (adaptação da frase de José do Patrocínio)
“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!
(Martin Luther King)“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento.”
Paulo – Romanos, 12, 2.Para reflexão: A SEMEADURA É LIVRE, MAS A COLHEITA É OBRIGATÓRIA!