José Mackário Filho



Atire a primeira pedra

13-04-2011

Nessa era da informática quase que virtual em que vivemos, um simples clic numa tecla de computador, pode enviar instaneamente, para um número infinito de endereços eletrônicos, no mundo inteiro e em tempo real, tudo aquilo que se pensar, mesmo que de procedência duvidosa. Então é preciso muita cautela, pois, as consequências podem ser irreparáveis.

O problema se torna mais grave ainda, quando o ônus da prova cabe ao denunciado, que se torna réu até prova em contrário, enquanto muitos adeptos da verdade a qualquer custo, bastas vezes, se acovardam no anonimato dentro das diversas comunidades virtuais ou outros meios quaisquer.

O grande filósofo grego Sócrates, um dos maiores sábios da humanidade, superado, na minha modesta opinião, tão somente pelo insuperável Mestre dos Mestres Jesus, contempla-nos com uma de suas pérolas de sabedoria, que usamos como parâmetro deste tema em questão:

OS TRÊS CRIVOS (Do livro “Mensagens de Saúde Espiritual, de Irmão X, por Chico Xavier.

Certa vez, um homem esbaforido sussurrou nos ouvidos do grande filósofo Sócrates:

- Na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te.

- Já passaste o que vais me dizer pelos três crivos? Disse Sócrates. Vejamos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto o que pretendes comunicar-me?

- Bem, - assegurar mesmo, não posso, mas ouvi dizer!

- Decerto peneiraste pelo segundo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bomo que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou: - Isso não, muito pelo contrário!

- Então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

- Útil?! Aduziu o visitante ainda agitado. - Útil não é.

- Bem - se o que me tens a confiar não é verdadeiro, bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem edificação para nós!

Estas verdades socráticas devem pautar a nossa vida de relação em todos os sentidos. Trata-se de um guia seguro para não tropeçarmos na nossa própria invigilância. São apenas três parâmetros.

Verdade: Muitos, na tentativa de se mostrarem autênticos, vociferam palavras como dardos venenosos, não importando a quem, como, onde e quando, contanto que as verdades sejam ditas. Não se condena a verdade, muito pelo contrário, pois foi Jesus que nos orientou: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!” João, 8, 32.

Mas, a propósito da verdade, não se pode ser cruel com o semelhante. A caridade diz que se deve entrevistar-se em particular, para não expor desnecessariamente, uma ferida já aberta. A caridade, segundo Jesus, é: “Benevolência para com todos, Indulgência com as faltas alheias, e Perdão das ofensas”

Bondade: Faça ao próximo, aquilo que gostaria que vos fosse feito. Colocar-se no lugar do outro, é o melhor parâmetro para avaliar, se está sendo fraterno, como Jesus ou se está na verdade, jogando mais combustível na fogueira, agravando a situação. Um erro jamais poderá justificar outro erro. É necessário amorosidade em todos os nossos pensamentos e ações!

Utilidade: Ninguém sendo perfeito, seguir-se-á que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo? Cada um deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja tutela vos foi confiada. Mas, deveis fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível. A censura que alguém faça a outrem deve ao mesmo tempo dirigi-la a si próprio, procurando saber se não a terá merecidoESE Cap. X, 19.

Diz-se popularmente, que quando se aponta o dedo para alguém, os outros quatro apontam para si, formando a imagem de uma arma de fogo, pronta para o disparo. Na verdade, o resultado é o mesmo, ou até pior, pois, uma arma de fogo, mata o corpo físico, enquanto que os disparos da língua matam física, moral e espiritualmente.

A língua é a mais letal das armas e é por isso, que Jesus pede-nos para “ORAR E VIGIAR”.

Em muitos países onde ainda se aplicam a pena de morte, vítimas são inocentadas, dezenas de anos após a sua execução; quando o estado friamente, pede perdão às famílias da vítima e, no máximo oferecendo indenizações materiais.

A doutrina Espírita nos ensina que não basta o perdão simplesmente; é preciso o reparo das faltas. Sabemos que não existem vítimas inocentes. Cada um colhe aquilo que semeou em algum lugar do passado, mas a missão de cada um é pensar feridas, amparar os fracos, porém, sem humilhação.

E só se ampara através de exemplos. Ninguém dá o que não possui. Quando se quiser mudar alguém; é preciso mudar-se primeiro, pois: “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam!”.

Neste quesito, Gandhi dá-nos um exemplo fantástico: Uma mulher pediu-lhe que ajudasse o seu filho a parar com o vício de consumir açúcar. A Grande Alma pediu quinze dias, findo os quais, convenceu facilmente o garoto. Intrigada, a mãe perguntou porque não teve essa conversa naquele dia mesmo. Gandhi respondeu-lhe: “Eu também consumia açúcar!” Então, precisei desse tempo para também me educar e ensinar exemplificando.

Jesus, diante daqueles que apontavam os dedos acusadores para a mulher tida como adúltera, dá-nos outra grande lição: “Atire a primeira pedra, aquele que nunca errou!” E quem nunca errou?

Em um programa televisivo, o apresentador afirmou com pompas que Allan Kardec havia se suicidado e em seguida pediu os comerciais. Na volta, não deu oportunidade para que o representante espírita rebatesse tal disparate. Alguns dias depois, houve um desmentido acanhado num cantinho de um jornal, cuja maioria dos telespectadores, não tinha acesso. Muitos ainda acreditam nisso.

Em tempo: Kardec desencarnou vítima de um aneurisma cerebral.

“É preferível rejeitar dez verdades que aceitar uma única mentira” Erasto, L.M. Imaginemos aceitar, por exemplo, que o aborto não seja crime. Muitos incautos aceitam, lutam por isto e o que é pior, praticam essas monstruosidades, plasmando em torno de si mesmos, uma esfera de dor e sofrimento, ou o “pranto e ranger de dentes”, segundo Jesus, pois, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

Por outro lado, se uma verdade, hoje é incompreendida, face ao nosso grau de evolução, mais tarde, ela desabrochará na mente daqueles que tenham os olhos de ver e os ouvidos de ouvir.

Não estamos aqui justificando o erro de ninguém qualquer que seja ele. Todos precisam trabalhar para a melhoria interior, de maneira que a cada momento sejam melhores que o instante anterior. É a lei de evolução e todos precisam ter consciência dos seus atos para poderem se corrigir. Também se aprende com os próprios erros. O grande problema é quando o educador esquece dos três parâmetros ensinados por Sócrates: Verdade, bondade e utilidade.

O Mestre Jesus vai ainda além: ─“ Hipócritas, tirai primeiro a trave ao vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão" ESE, Cap. X nº 9 / Mt. 7, 3 a 5.

Um grande indigenista brasileiro relatou que em algumas tribos, quando um dos membros falha, ninguém escancara o fato. No final do dia, reúne-se a tribo e alguém faz a tarefa corretamente, encerrando assim, o assunto. O resultado é que todos aprendem e sem traumas. Esses nossos irmãos índios, são aqueles aos quais chamamos de selvagens.

E finalmente, se você errou ou foi caluniado, atente para o conselho de Emmanuel para Chico Xavier: Chico, se o que falam de você é mentira, não se preocupe porque é mentira, mas se for verdade, não se preocupe porque é verdade.

Ou então: “Viva de tal maneira que o caluniador nunca tenha razão” C. Pastorino.


Para reflexão: “NÃO É A VERDADE QUE DÓI; É A FORMA DE DIZÊ-LA!” Voltaire.


Muita paz, com Jesus!

Mackário José
mackario@ibest.com.br

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