Nessa era da informática quase que virtual em que vivemos, um simples clic numa tecla de computador, pode enviar instaneamente, para um número infinito de endereços eletrônicos, no mundo inteiro e em tempo real, tudo aquilo que se pensar, mesmo que de procedência duvidosa. Então é preciso muita cautela, pois, as consequências podem ser irreparáveis.
O problema se torna mais grave ainda, quando o ônus da prova cabe ao denunciado, que se torna réu até prova em contrário, enquanto muitos adeptos da verdade a qualquer custo, bastas vezes, se acovardam no anonimato dentro das diversas comunidades virtuais ou outros meios quaisquer.
O grande filósofo grego Sócrates, um dos maiores sábios da humanidade, superado, na minha modesta opinião, tão somente pelo insuperável Mestre dos Mestres Jesus, contempla-nos com uma de suas pérolas de sabedoria, que usamos como parâmetro deste tema em questão:
OS TRÊS CRIVOS (Do livro “Mensagens de Saúde Espiritual, de Irmão X, por Chico Xavier.
Certa vez, um homem esbaforido sussurrou nos ouvidos do grande filósofo Sócrates:
- Na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te.
- Já passaste o que vais me dizer pelos três crivos? Disse Sócrates. Vejamos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto o que pretendes comunicar-me?
- Bem, - assegurar mesmo, não posso, mas ouvi dizer!
- Decerto peneiraste pelo segundo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bomo que me queres contar?
Hesitando, o homem replicou: - Isso não, muito pelo contrário!
- Então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
- Útil?! Aduziu o visitante ainda agitado. - Útil não é.
- Bem - se o que me tens a confiar não é verdadeiro, bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que de nada valem casos sem edificação para nós!
Estas verdades socráticas devem pautar a nossa vida de relação em todos os sentidos. Trata-se de um guia seguro para não tropeçarmos na nossa própria invigilância. São apenas três parâmetros.
Verdade: Muitos, na tentativa de se mostrarem autênticos, vociferam palavras como dardos venenosos, não importando a quem, como, onde e quando, contanto que as verdades sejam ditas. Não se condena a verdade, muito pelo contrário, pois foi Jesus que nos orientou: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!” João, 8, 32.
Mas, a propósito da verdade, não se pode ser cruel com o semelhante. A caridade diz que se deve entrevistar-se em particular, para não expor desnecessariamente, uma ferida já aberta. A caridade, segundo Jesus, é: “Benevolência para com todos, Indulgência com as faltas alheias, e Perdão das ofensas”
Bondade: Faça ao próximo, aquilo que gostaria que vos fosse feito. Colocar-se no lugar do outro, é o melhor parâmetro para avaliar, se está sendo fraterno, como Jesus ou se está na verdade, jogando mais combustível na fogueira, agravando a situação. Um erro jamais poderá justificar outro erro. É necessário amorosidade em todos os nossos pensamentos e ações!
Utilidade: Ninguém sendo perfeito, seguir-se-á que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo? Cada um deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja tutela vos foi confiada. Mas, deveis fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível. A censura que alguém faça a outrem deve ao mesmo tempo dirigi-la a si próprio, procurando saber se não a terá merecidoESE Cap. X, 19.
Diz-se popularmente, que quando se aponta o dedo para alguém, os outros quatro apontam para si, formando a imagem de uma arma de fogo, pronta para o disparo. Na verdade, o resultado é o mesmo, ou até pior, pois, uma arma de fogo, mata o corpo físico, enquanto que os disparos da língua matam física, moral e espiritualmente.
A língua é a mais letal das armas e é por isso, que Jesus pede-nos para “ORAR E VIGIAR”.
Em muitos países onde ainda se aplicam a pena de morte, vítimas são inocentadas, dezenas de anos após a sua execução; quando o estado friamente, pede perdão às famílias da vítima e, no máximo oferecendo indenizações materiais.
A doutrina Espírita nos ensina que não basta o perdão simplesmente; é preciso o reparo das faltas. Sabemos que não existem vítimas inocentes. Cada um colhe aquilo que semeou em algum lugar do passado, mas a missão de cada um é pensar feridas, amparar os fracos, porém, sem humilhação.
E só se ampara através de exemplos. Ninguém dá o que não possui. Quando se quiser mudar alguém; é preciso mudar-se primeiro, pois: “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam!”.
Neste quesito, Gandhi dá-nos um exemplo fantástico: Uma mulher pediu-lhe que ajudasse o seu filho a parar com o vício de consumir açúcar. A Grande Alma pediu quinze dias, findo os quais, convenceu facilmente o garoto. Intrigada, a mãe perguntou porque não teve essa conversa naquele dia mesmo. Gandhi respondeu-lhe: “Eu também consumia açúcar!” Então, precisei desse tempo para também me educar e ensinar exemplificando.
Jesus, diante daqueles que apontavam os dedos acusadores para a mulher tida como adúltera, dá-nos outra grande lição: “Atire a primeira pedra, aquele que nunca errou!” E quem nunca errou?
Em um programa televisivo, o apresentador afirmou com pompas que Allan Kardec havia se suicidado e em seguida pediu os comerciais. Na volta, não deu oportunidade para que o representante espírita rebatesse tal disparate. Alguns dias depois, houve um desmentido acanhado num cantinho de um jornal, cuja maioria dos telespectadores, não tinha acesso. Muitos ainda acreditam nisso.
Em tempo: Kardec desencarnou vítima de um aneurisma cerebral.
“É preferível rejeitar dez verdades que aceitar uma única mentira” Erasto, L.M. Imaginemos aceitar, por exemplo, que o aborto não seja crime. Muitos incautos aceitam, lutam por isto e o que é pior, praticam essas monstruosidades, plasmando em torno de si mesmos, uma esfera de dor e sofrimento, ou o “pranto e ranger de dentes”, segundo Jesus, pois, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Por outro lado, se uma verdade, hoje é incompreendida, face ao nosso grau de evolução, mais tarde, ela desabrochará na mente daqueles que tenham os olhos de ver e os ouvidos de ouvir.
Não estamos aqui justificando o erro de ninguém qualquer que seja ele. Todos precisam trabalhar para a melhoria interior, de maneira que a cada momento sejam melhores que o instante anterior. É a lei de evolução e todos precisam ter consciência dos seus atos para poderem se corrigir. Também se aprende com os próprios erros. O grande problema é quando o educador esquece dos três parâmetros ensinados por Sócrates: Verdade, bondade e utilidade.
O Mestre Jesus vai ainda além: ─“ Hipócritas, tirai primeiro a trave ao vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão" ESE, Cap. X nº 9 / Mt. 7, 3 a 5.
Um grande indigenista brasileiro relatou que em algumas tribos, quando um dos membros falha, ninguém escancara o fato. No final do dia, reúne-se a tribo e alguém faz a tarefa corretamente, encerrando assim, o assunto. O resultado é que todos aprendem e sem traumas. Esses nossos irmãos índios, são aqueles aos quais chamamos de selvagens.
E finalmente, se você errou ou foi caluniado, atente para o conselho de Emmanuel para Chico Xavier: Chico, se o que falam de você é mentira, não se preocupe porque é mentira, mas se for verdade, não se preocupe porque é verdade.
Ou então: “Viva de tal maneira que o caluniador nunca tenha razão” C. Pastorino.
Para reflexão: “NÃO É A VERDADE QUE DÓI; É A FORMA DE DIZÊ-LA!” Voltaire.
Muita paz, com Jesus!
Mackário José