José Mackário Filho



Da evocação dos mortos e a proibição de Moisés

17-11-2010

“O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles”. (Levítico 19-27)

“Não vos voltareis para os que consultam os mortos nem para os feiticeiros; não os busqueis para não ficardes contaminados por eles. Eu sou o Senhor vosso Deus” ... (idem 20-31)

Em Deuteronômio 17, 9-14, encontraremos outras dissertações semelhantes.

Porém, um dos pilares da Doutrina Espírita, é justamente a comunicação com os espíritos, tendo entre as cinco obras básicas, O Livro dos Médiuns, que é um “Guia dos Médiuns e Evocadores“, contendo o ensino especial dos Espíritos sobre:

=> Os gêneros de manifestações;

=> Os meios de comunicação com o mundo invisível;

=> O desenvolvimento da mediunidade;

=> As dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

=> O Livro dos Médiuns é o mais completo tratado de fenomenologia paranormal de todos os tempos, leitura obrigatória a todos aqueles que trabalham na área mediúnica.

Estaria, então, o Espiritismo descumprindo uma ordem de Deus? Analisemos com carinho:

Os detratores de plantão do Espiritismo se apegam a tais proibições contidas no velho testamento, para rotularem a doutrina codificada por Allan Kardec, com os mais diversos adjetivos pejorativos, tais como: fraudulenta, demoníaca, herética, entre outros, por estar, segundo pensam, em desacordo com a palavra de Deus expressa na Bíblia Sagrada.

Uma proibição só pode visar algo exequível, caso contrário, não teria nenhum sentido. Essa proibição, em especial, só vem confirmar a realidade das comunicações com os espíritos. Imaginemos a seguinte lei de trânsito: “É proibido trafegar nas rodovias a mais 1.000 km/h”. Não teria lógica alguma, afinal, os melhores veículos terrestres não chegam nem perto dessa velocidade. Mas, se a proibição, for a mais de 200 km/h, aí sim já faz sentido: é uma velocidade perfeitamente atingível.

Determinadas leis civis cabem num determinado contexto e numa determinada época, tornando-se obsoletas em outro momento, e substituídas ou alteradas de acordo com o progresso da civilização.

No Brasil, o direito ao voto feminino só foi regulamentado no ano de 1.934, até então era proibido. Hoje, não somente é um direito e um dever, como também se elegeu para o cargo máximo desta pátria continente, uma presidente ou presidenta. Ou seja: o que era proibido, hoje está em voga.

O que a Lei mosaica proibia é justamente o que o Espiritismo não compactua: os abusos; ou seja, o costume que muitos têm de consultar os espíritos para as mais banais situações, desde comercialização de bens materiais, consultas sentimentais, jogos de azar e assemelhados.

É muito confortável jogar toda a responsabilidade de cada um pelos seus atos, nas costas dos espíritos. Os bons espíritos não se prestam para isto e nem estão à nossa disposição, como meros fantoches, ao bel prazer dos caprichos de seus manipuladores.

No entanto, espíritos brincalhões, zombeteiros e até maldosos, acorrem a prestar as mais estapafúrdias informações, a título de agradar esses ingênuos, dizendo-lhes exatamente o que gostariam de ouvir e se divertem às custas dos pobres clientes. E isso, sem contar com a charlatanice dos pseudos médiuns.

Para aqueles que ainda se apegam às proibições do Velho Testamento, lembramos que na mesma sentença se pregava o apedrejamento até a morte dos seus praticantes. Isto ainda é aceitável? É como se recorrêssemos à Constituição antes de 1.934 para proibir as mulheres de exercitarem o sagrado direito de votar e ignorar ao mesmo tempo, a nova Carta Magna promulgada em 05 de outubro de 1.988.

Assim, como as mulheres eram proibidas de votar, embora tecnicamente possível, o mesmo se aplica a evocação dos mortos, proibida por Moisés, mas tecnicamente praticável, tanto é que o próprio rei Saul burlou tal lei, evocando a Samuel, como transcrito a seguir, acompanhado de outros exemplos, agora nos Evangelhos.

1 - Saul e a bruxa (médium) de Endor: (Samuel, 28 – 1-25) Então, disse Saul aos criados: Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que a consulte (...). Saul se disfarçou e foi com dois homens, e de noite vieram à mulher; e disse-lhe: - Peço-te que me adivinhes pelo espírito de feiticeira e me faças subir a quem eu te disser (...) Faze-me subir a Samuel (...) e Samuel já era morto, e todo Israel o tinha chorado e o sepultado em sua cidade; e Saul tinha desterrado os adivinhos e os encantadores.

2 - A manifestação do espírito é concedida a cada um, visando um fim proveitoso; porque a um é dada, mediante o espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo espírito, a fé, e a outro, no mesmo espírito, o dom de curar. (Paulo, Cor. 12 – 7-9)

3 - Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. (Atos, 2, 4)

4 - Transfiguração de Jesus - (Mt, 17, 1-9 / Mc. 9, 2-9 / Lc, 9, 28-36)

E foi transfigurado diante deles: seu rosto resplandeceu como o sol, e suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que foram vistos Moisés e Elias conversando com ele.

Veja quem tem olhos para ver... Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure. Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram. (Mt. 13, 15-17)

Portanto, tanto o velho, quanto o novo testamento estão repletos de comunicações mediúnicas, muito bem explicitadas, e citamos aqui apenas alguns exemplos.

A grande questão está na diferença entre a prática do mediunismo e a prática da mediunidade:

Mediunidade e Mediunismo: (José Herculano Pires)

A expressão mediunismo, criada por Emmanuel designa as formas primitivas de Mediunidade, que fundamentam as crenças e religiões primitivas; onde não havia nem podia haver reflexão sobre os fenômenos e seu sentido e natureza. O Mediunismo absorve a herança mágica do passado e mistura-se com religiões, crenças e superstições de toda a espécie.

Mediunidade é o Mediunismo desenvolvido, racionalizado e submetido à reflexão religiosa e filosófica e às pesquisas cientificas necessárias ao esclarecimento dos fenômenos, sua natureza e suas leis. A mediunidade rejeita infiltrações que possam prejudicar a sua natureza racional e comprometer o seu desenvolvimento natural. Integrada na estrutura do Espiritismo, que a estuda e pesquisa através de suas instituições culturais e cientificas, torna-se cada vez mais numa área específica da teoria do conhecimento, que terá forçosamente de reconhecer os seus direitos na cultura geral do próximo século.

Para reflexão:

O Maior Mandamento (ESE, XI.- Mt. 22, 37-40)

"Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito”.

Este é o maior mandamento.

O segundo é semelhante: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo". "Toda a lei e os profetas estão contidos nestes dois mandamentos".

Muita paz, com Jesus!
Mackário José
mackario@ibest.com.br

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