Mackário José



Flagelos naturais destruidores

02-02-2011

Em face das tragédias que ocorrem sistematicamente nesta época do ano no Brasil, causadas pela chuva, muitos questionam: “O que está ocorrendo com a natureza?”

Creio que o questionamento deva ser diferente: “O que nós estamos fazendo com a natureza?” Qual a nossa contribuição para a preservação deste ainda maravilhoso planeta, nosso lar atual?

Em um supermercado de uma cidade do interior paulista, perguntei pelas sacolas recicláveis e ou retornáveis, e a funcionária respondeu que não as tinha e que isto era uma grande bobagem, pois existem coisas muito mais importantes para nos preocuparmos. Pensei comigo: “Não caímos porque tropeçamos nas montanhas e sim porque não prestamos atenção nos pequenos pedregulhos!” (desconheço o autor da frase).

Terceirizamos a nossa responsabilidade, cobramos do governo, das grandes empresas, dos países desenvolvidos, mas jogamos lixo nas calçadas, não fazemos a coleta seletiva, soltamos balões, provocamos queimadas, poluímos os rios, desmatamos, e até uma insignificante ponta de cigarro, jogada displicentemente, pode destruir uma floresta e causar o desequilíbrio da natureza, que reage cobrando-nos “um basta!”.

“Uma andorinha só não faz verão”, justificam alguns. É óbvio que não estamos a sós nesta empreitada, mas cada um tem a sua quota intransferível de responsabilidade, de acordo com o seu grau evolutivo. Alguns têm mais responsabilidades: são aqueles com a séria incumbência de dirigir povos e nações: “Muito se pedirá àquele a quem muito se houver dado e maiores contas serão tomadas àquele a quem mais coisas se haja confiado. (Lc, 12, 47-48). Mas, isto não isenta ninguém da participação; não estamos neste mundo a simples passeio.

Numa reportagem retrospectiva em um canal fechado, mostrava que desde a década de noventa do século passado, as chuvas têm causados danos cada vez maiores. O mesmo teor de precipitação pluviométrica provoca uma destruição maior que a do ano anterior.

No ano passado (2010) a grande tragédia na cidade de Angra dos Reis-RJ; este ano na região serrana do mesmo Rio de Janeiro, uma história ainda mais cruel, com previsão de milhares de mortes diretamente e por consequências de doenças oportunistas. Depois da tempestade, nem sempre vem a bonança. As consequências vão ainda mais além: muitos perdem entes queridos, bens imóveis, emprego, saúde e se não tiverem uma fé robusta, alicerçada no Cristo, perdem o horizonte da própria caminhada, chegando ao desespero com consequências muitas vezes mais drásticas.

Mas, depois tem carnaval, carnaval temporão, micaretas, festas, futebol... e ano que vem, o panorama se repetirá... Infelizmente, se nada fizermos no aqui e agora.

O povo brasileiro é extremamente solidário. Verdadeiros heróis anônimos ignoram a própria segurança para amenizar o sofrimento de muitos. Isto é extremamente louvável! Com certeza não faltará solidariedade. Mas, é melhor prevenir que remediar: sejamos solidários também na prevenção!

Na lei divina não existem vítimas inocentes. Alguns voltam a construir suas casas no mesmo lugar, ou em outras áreas de risco, pois “Se Deus quiser, nada acontecerá!”, esquecendo da máxima cristã: “Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará” (E.S.E. XXV-2). Colocam em prática a chamada teoria dos loucos: “Fazer sempre do mesmo modo e esperar resultados diferentes!”. São os insensatos, segundo Jesus: “Quem ouve as minhas palavras e não as põe em prática, é como o homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Veio a chuva, as enxurradas, e os ventos sopraram com força e a casa caiu e a ruína foi completa!” (Mt. 7,24).

Em O Livro dos Espíritos, no capítulo VI – V “Lei de Destruição”, questões 728 e 737, Kardec pergunta: A destruição é uma lei natural e qual é o objetivo? É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. O que chamais destruição é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos. São aborrecimentos necessários para fazer chegar mais rapidamente a uma ordem de coisas melhores e realizar em alguns anos o que exigiria séculos.

Na questão 738, os espíritos informam que a Providência usa outros meios que não os flagelos destruidores, uma vez que deu ao homem os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. É o homem que não tira proveito disso: É preciso castigá-lo em seu orgulho e fazer-lhe sentir sua fraqueza.

Nesses flagelos, o homem de bem morre assim como o perverso; isto é justo? (LE.738 a) – Nas grandes calamidades que destroem os homens, é como se um exército tivesse durante a guerra seus trajes estragados ou perdidos. O general tem mais cuidado com seus soldados do que com as roupas que usam.

Na lei Divina não há fatalidade. A lei de ação e reação, ou de causa efeito explica essas aparentes injustiças. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, (V – 3 a 6) “Bem Aventurados os Aflitos”: Se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há também aos quais, pelo menos na aparência, é-lhe completamente estranho e que parecem atingi-lo como por >strong>fatalidade: a perda de entes queridos, dos arrimos de família, acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da fortuna, que frustram todas as precauções aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais, enfermidades de nascença, deformidades, idiotia, o cretinismo, etc. Em virtude da lei, segundo a qual todo efeito tem uma causa, tais misérias são efeitos que têm uma causa e, Deus que é justo; essa causa também há de ser justa.

O homem nem sempre é punido, ou punido completamente, na existência na qual falhou, mas não escapa às consequências de suas faltas. Se não expiar hoje, expiará amanhã. Aquele que sofre está expiando o seu passado. O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: Perdoa-me, Senhor, porque pequei.

Para reflexão:

Um beija-flor tentava apagar um incêndio na floresta, fazendo inúmeras viagens levando algumas gotas de água em seu pequeno bico. Outras aves, jocosamente lhe disseram: – ‘Você não conseguirá apagar o incêndio levando algumas gotas de cada vez!’ “Estou fazendo a minha parte!”, respondeu o beija-flor sem perder tempo.

Neste mesmo sentido, um dia alguém disse para madre Teresa de Calcutá:

‘O trabalho que a senhora faz é uma gota no oceano; não faz diferença...’, ao que ela respondeu: – “Eu sei, meu filho, mas sem essa gota, o oceano seria menor!”

Assim como o pequeno beija-flor e madre Teresa, façamos a nossa parte, mesmo que seja remover um pequeno pedregulho para alguém não tropeçar!

Parafraseando John F. Kennedy, questionemo-nos:

“Não perguntemos o que a natureza fará por nós, mas o que nós faremos pela natureza!”


Muita paz, com Jesus!


Mackário José
mackario@ibest.com.br

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