José Mackário Filho



Malhação do Judas

28-05-2011
“Pai, perdoai-os, pois não sabem o que fazem!” Lc, 23, 34.

Jesus fez a rogativa acima no auge do seu sofrimento, quando agonizava sob torturas cruéis, pregado numa cruz infamante, nos instantes finais da sua última encarnação terrena.

O Mestre olhou para os seus verdugos sem ódio, mas com amor e pena, exemplificando assim, mais uma vez, como sói acontece com as grandes almas o: “Amai os vossos inimigos”. Mt. 5, 43 a 47

Porém, quase dois mil anos depois, assistimos estarrecidos, por ocasião da chamada “semana santa”, como se as demais não o fossem, um verdadeiro frenesi de pessoas malhando o Judas, alheios ao sublime ensinamento do Mestre: O perdão incondicional.

Esse costume bárbaro ainda faz parte de muitas culturas, onde amiúde, vira atração turística. A cada ano, escolhem-se os Judas de ocasião, além é claro, de Judas Iscariotes.

Em 2.011, o Judas preferido foi aquele infeliz rapaz que perpetrou uma chacina, matando 12 crianças indefesas e ferindo outras tantas numa escola da cidade do Rio de Janeiro. Ora, esse rapaz, por si só, já adquiriu pesados débitos que terá que resgatá-los dolorosamente através do “choro e ranger de dentes” Mt, 25, 30. Esse irmão não precisa mais de vibrações negativas, mas, de preces e vibrações positivas para que possa suportar a dura carga que amealhou, em função do mau uso do seu livre arbítrio. Não podemos esquecer, é claro, das suas vítimas, mas lembrando que ninguém é vítima inocente, dentro da lei de causa e efeito.

Muitas pessoas ainda defendem esse bárbaro costume, asseverando que Judas Iscariotes, não merece perdão.

Quando Jesus pediu perdão para os seus verdugos, não excluiu Judas Iscariotes. Ao menos, não conheço nenhuma literatura que ateste tal fato. E pelo seu amor infinito, Jesus jamais seria intolerante com alguém, como provam os seus ensinamentos: “Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se extravia, não deixa ele, as noventa e nove e vai procurar a que se extraviou? Assim não é da vontade do vosso Pai que está nos Céus que pereça nenhum desses pequeninos". Mt, 28 e 12-14 – e Lc, 15, 3-7

Será que Judas Iscariotes foi o único traidor, nessa tragédia?

Pelo que consta nos Evangelhos, Pôncio Pilatos, procurador da província romana da Judéia, entre 26 e 36 d.C. ainda deu oportunidades para que o povo, escolhesse entre Jesus e Barrabás, por ocasião dos festejos de Páscoa, quando era costume libertar um preso.

Disse Pilatos: “Não vejo neste homem crime algum” Lc, 23, 3 (...), “Nada verifiquei contra ele (Jesus) dos crimes que o acusais; portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei” Lc. 23, 14-16. “Toda a multidão, porém, gritava: Fora com este! Solta-nos Barrabás!” Lc, 23. 18

Durante o seu martírio na cruz, dos onze apóstolos restantes, apenas João, estava presente. E os demais apóstolos? E a multidão?

Não sou a favor da pena de morte, pois, um erro jamais pode justificar outro e ainda corre-se o risco de penalizar inocentes, circunstancialmente. Mas, no tempo de Jesus, já existia a pena capital e era aplicada de diversas maneiras, sempre primando pela crueldade extrema: a crucificação, pelos romanos; o apedrejamento, pelos judeus, entre outras. Não se justifica, nem mesmo, a execução de Barrabás, mas quando a multidão optou por este, sabia que o destino de Jesus era a crucificação.

Fato consumado, dois grandes álibis foram eleitos: Judas Iscariotes e Pôncio Pilatos. Parece que aqueles que gritaram por Barrabás, não têm culpa neste assassinato e continuam malhando o Judas.

Enquanto apontamos o dedo acusatório para os outros, mudamos o foco para bem longe da nossa responsabilidade: será que não clamamos por Barrabás e ou atiramos pedras na cruz?

Por isso, muita gente rejeita com veemência a lei da reencarnação, pois, nascendo pós Cristo, não poderia estar na cena do crime, o que com esta lei, é uma grande possibilidade. Além do mais, impõe-se a Jesus, a responsabilidade de sofrer por nós. É a chamada zona de conforto.

A reencarnação é uma lei Divina e, como tal, é imutável e não deixará de existir com a descrença ou a não aceitação por quem quer que seja, pois é através dela que se aplica a lei de causa e efeito, ou ação e reação, ou como disse o Mestre: "A cada um segundo suas obras" Lc, 22. 47-48.

Judas Iscariotes foi um dos doze apóstolos escolhidos por Jesus. Fato este, que demonstra as credenciais desse espírito para fazer parte do seletíssimo grupo de apóstolos do Mestre, a não ser que consideremos que Jesus não sabia o que fazia.

A escolha dos apóstolos não foi por acaso. Embora, simples na roupagem terrena, faziam parte da equipe de espíritos de escol, para o processo de encarnação do Mestre nas paragens terrenas.

Se Judas Iscariotes realmente errou, pois, há divergências nos relatos evangélicos com relação ao fato, esta é a oportunidade de colocarmos em prática o perdão incondicional: – Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando pecar contra mim? “Será até sete vezes? perguntou Pedro. E Jesus respondeu-lhe:

"Não vos digo até sete, vezes, mas até setenta vezes sete vezes.“ Mt, 18, 15, 21 e 22

“Se alguém vos bater na face direita, lhe apresenteis também a outra”. MT, 5, 38-42

Assim, cada ofensa, deverá ser perdoada setenta vezes sete vezes: O Perdão é incondicional.

Mas, há duas maneiras bem diferentes de perdoar: ESE, X, 15

O PERDÃO DOS LÁBIOS: Muitas pessoas dizem: "Perdôo", mas, não me reconciliarei nunca e ainda alegram-se com o mal que advenha ao adversário, comentando que terá o que bem merece.

E o PERDÃO DO CORAÇÃO:. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é peculiar às grandes almas; o rancor é sempre sinal de baixeza e de inferioridade. O verdadeiro perdão se reconhece muito mais pelos atos do que pelas palavras. (Paulo, apóstolo -Lião, 1861).

"Se a vossa justiça não for mais abundante que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos céus". Mt, 5, 20

Perdoa sempre, porque, em verdade, aqueles que não perdoam também não sabem o que fazem! (Meimei, por Chico Xavier – O Espírito da Verdade – item 47 )

Muita paz, com Jesus!


Mackário José
mackario@ibest.com.br

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