Conta-se que um recruta, ao fazer a sua primeira ronda, à noite, numa rua quase deserta, pareceu-lhe ouvir passos suspeitos vindo em sua direção. Assustado, olhou o relógio e já passava da meia noite. Desesperado, atirou para o alto, como advertência, fato este que acordou os demais soldados que correram para verificar o ocorrido e, ao se aproximarem de um poste, constataram, para vergonha do pobre soldado, que era apenas uma mariposa se debatendo em um daqueles antigos “pratos” protetores de lâmpadas de rua. Por receio de conhecer a verdade, o soldado simplesmente, ignorou a luz, sujeitando-se àquele vexame todo.
Num paralelo com a história do soltado, muitos temem a morte por não buscar a luz. Mas, que luz? “Brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” Mt. 5, 14-16.
Se a morte é a maior certeza da vida material, então, por que desse medo, às vezes mórbido da morte?
Primeiro porque há, predominantemente, preparação para a vida material e dificilmente, prepara-se para o fenômeno inexorável, chamado morte ou desencarne, mais apropriadamente.
Esquece-se, muitas vezes do alerta do Mestre Jesus:
“Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus!” Mt. 4, 4.Então, ignorando-se esse alerta, dá-se maior valor ao conforto corporal, idolatrando a beleza física, como Adônis, o deus mitológico da beleza, numa inversão de valores, priorizando o ter, em prejuízo do ser.
E nesta escala de valores, torna-se doloroso e difícil a aceitação da morte do corpo físico, como se a alma não fosse imortal e o ator principal e insubstituível da vida de cada um. No fenômeno morte, perece o corpo físico para possibilitar a libertação da alma.
Depois, as culturas niilistas e materialistas, que no fim das contas dar-se-ão as mãos, induzem as pessoas a temerem o nada depois da morte, forçando-as a se agarrarem com “unhas e dentes” à fração de tempo da única vida material, segundo esses dogmas, baseados em textos do Velho Testamento:
“E, aos homens, está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo," Hb. 9, 27.Mas que juízo é este? Entendemos que segundo o ensinamento dos amigos espirituais, trata-se do período em que o espírito permanece no plano espiritual, entre uma encarnação e outra, quando faz um balanço dos seus atos, pesando os prós e os contras, o que certamente influenciarão no seu plano reencarnatório. Assim, a cada juízo, renasce para um novo estágio em outro corpo.
Ainda na bíblia: Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo. Job. 14, 10-14. Versão da Igreja grega : Aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada viverão de novo; aqueles que estavam mortos em meio a mim ressuscitarão. (...). Is. 26, 19.
Algumas religiões, embora espiritualistas, apregoam o destino final e inalterável das almas após “um único desenlace”: o Céu para as boas almas e o fogo eterno do inferno para as almas pecadoras. Neste caso, quantos podem atirar a primeira pedra?
E se assim fosse, como ficariam, por exemplos, as mães que tenham a ventura de estar no céu, enquanto entes muitos queridos ardem impiedosamente no inferno? Ficariam indiferentes à dor daqueles que tanto amaram na terra? Isso não é coerente com as leis de Deus, o Pai, soberanamente bom e justo!
Já o Espiritismo, dá outra explicação para o medo da morte: trata-se do mecanismo de preservação da vida do encarnado, caso contrário, poder-se-ia perder precocemente os benefícios da reencarnação, dado a atos temerários.
A morte é apenas um processo e o sono é uma espécie de morte que acontece quase todos os dias, sempre que se dorme.
A metamorfose da lagarta dá uma ideia do que é a morte: morre no casulo, a lagarta disforme para despertar para a vida como borboleta num deslumbrante espetáculo da natureza.
O corpo físico é apenas uma ferramenta que, o homem deixa ao retornar para a pátria espiritual, libertando-se como espírito numa espécie de metamorfose.
Em O Livro dos Espíritos (Q.941), os amigos espirituais esclarecem:
– É um erro o medo da morte. Procura-se convencer as crianças de que existe um inferno e um paraíso, e que é mais certo irem para o inferno, porque ao agirem de acordo com a natureza, cometem um pecado mortal; e quando adultas, se têm algum discernimento, não podendo admitir isso, tornam-se ateus ou materialistas. É assim que se conduzem as pessoas a crer que além da vida presente não há mais nada, e as que persistiram em suas crenças de infância temem esse fogo eterno que deve queimá-las sem destruí-las.
A morte não inspira ao justo nenhum temor, porque tem a certeza do futuro; a esperança lhe faz esperar vida melhor, e a caridade que praticou dá-lhe a certeza de que não encontrará no mundo para onde vai, nenhum ser do qual deva temer. A moderação dos desejos dá ao Espírito a calma e a serenidade.
Portanto, a morte deve ser encarada como o coroamento de uma etapa e o limiar de uma próxima. Aqueles saudosos entes queridos não morreram, apenas voltaram para a pátria espiritual e lá vivem à espera dos demais viajores na dinâmica da vida.
Paulo entendeu tanto este processo que pergunta: “Onde está, ó morte, o seu aguilhão?” I. Cor.
Para reflexão:
“Aquele que quiser ganhar a vida, perdê-la-á, e aquele que a perder por amor de mim, ganhá-la-á” Mt. 16:25.
“Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal é a lei” Kardec
Muita paz, com Jesus!