Mackário José



Natal com Jesus

24-12-2011

Então é natal, e o que você fez? O ano termina, e nasce outra vez...

É natal e a frase acima, extraída da música “Então é natal” Happy xmas – John Lennon, convida-nos a uma reflexão retrospectiva: Será que amamos mais? Realizamos mais? Somos melhores que o ano anterior ou esperaremos o próximo ano, com novos projetos de vida?

Natal é sentimento; o mais sublime dos sentimentos: o amor, puro e verdadeiro, tal qual ensinou o mestre de Nazaré: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Jo, 15, 9.

Então, além da mesa farta, dos familiares, dos amigos, não nos esqueçamos do aniversariante mais ilustre, afinal: Só há natal verdadeiro com Jesus no coração!

Isso nos faz lembrar uma historieta contada pelos nossos antepassados sobre o natal:

”O cel. Afonso Tenório, como era conhecido, mandava e desmandava naquele pequeno povoado. Era dono de tudo. Marrudo, bravo, impunha medo na própria sombra. Mas, era muito religioso e todos os domingos, participava da missa, com generosas doações para o dízimo e para as famosas quermesses.

Época de natal, colheita farta, dinheiro fácil, o coronel foi agradecer as bênçãos recebidas. Na igrejinha da corruptela, ajoelhado diante da imagem de Jesus crucificado, rezava com todas as forças, em forma de gratidão por tanta fartura, especialmente naquele ano.

Então, o coronel pensou em algo diferente: convidou o próprio Jesus, ali crucificado, para almoçar com ele no dia de Natal, festa tradicional na sua luxuosa residência.

Surpreso, pareceu-lhe ouvir Jesus aceitar o convite com um sorriso enigmático.

Voltou para casa e mandou preparar tudo com o melhor que existia na região e circunvizinhança.

Deu folga aos empregados mais humildes e contratou os melhores profissionais, não se esquecendo de músicas, flores e muita fartura para a mesa. Nada foi esquecido, nem mesmo um presente especial para o convidado.

No dia aprazado, hora do almoço, expectativa para chegada do Senhor; tapete vermelho estendido, músicos a postos... Criados e contratados em posições, impecavelmente trajados.

Nada do Senhor aparecer.

De repente, eis que surge um menino, raquítico, esfarrapado e esfomeado, pedindo:

- Seu moço, um pedaço de pão, pelo amor de Jesus!!!

- Some daqui, seu moleque atrevido, antes que solte os cachorros. Espero uma visita especial. Não atrapalhe e não blasfeme, pronunciando o nome do Senhor com essa boca imunda!

O menino se foi, choramingando de fome.

Um andarilho aparece, cambaleando, pedindo algo para comer. A ladainha foi a mesma e o pobre coitado foi expulso com severas ameaças.

- Espero uma pessoa muito importante!

Nada do Senhor.

Um pobre trabalhador, fisionomia cansada, pele queimada pelo sol, mãos calejadas, pede-lhe emprego.

- Vai daqui, vagabundo, não me envergonhe diante do meu convidado especial.

Humilhado, retirou-se o pobre homem, sem rumo.

Nada do Senhor.

Uma mulher, tida como de vida fácil, aparece e pede uma oportunidade para recomeçar a vida. Foi expulsa sem piedade.

- Minha casa é um oásis de pureza no meio do deserto de podridão de pessoas como você! Saia daqui com a sua imundície para não envergonhar o meu convidado especial!!

Foi-se a pobre mulher, humilhada; ela que já lhe prestara favores especiais quando mais moça.

Um negro apareceu e, antes que falasse, foi expulso para não envergonhar o nobre convidado.

Sucessivamente, um coxo, um leproso, outros desafortunados e até um cão sem dono. Todos foram escorraçados impiedosamente.

E Jesus não apareceu...

Desapontado, volta o coronel à capela. No caminho encontra seu antigo desafeto, conhecido por Zizinho, que, motivado pelo clima natalino, estende-lhe a mão, a qual foi recusada com veemência e desdém.

Ao chegar, vê Jesus, em desalinho, aspecto faminto, ainda mais magro e olhar extremamente triste.

Sem entender, questiona o coronel:

- Senhor, preparei a melhor festa, contratei o que há de melhor na redondeza para receber-te e não me honraste com a tua presença, o que falta? O que fiz de errado?

Jesus o olha triste, mas amorosamente responde:

- Filho, aceitei o teu convite com alegria e compareci, porém me recusaste!

- Mas, como Mestre, se eu pessoalmente Te esperei durante todo o dia na entrada principal da fazenda?

- Pois é, meu filho, eu compareci na fome daquele menino, no desespero do andarilho, no cansaço do trabalhador, na dor daquela mulher condenada pela sociedade à prostituição, no olhar daquele negro que sequer ouviste! Ainda te procurei no caminho através da mão estendida do perdão. Tantas vezes tentei e tantas vezes fui expulso sem dó, por ti, pobre filho meu!

Não entendeste ainda qual é o verdadeiro significado do natal! Natal não é só ter mesa farta, isso é importante para o corpo, mas, nem só de pão vive o homem(1). Natal é ser amoroso, tolerante, paciente, humilde, agregador e pacificador! Esses são os alimentos da alma!

Lembra que pedi para convidar os coxos, os pobres e os estropiados!(2).

Vai então, meu filho! Volta, e, pelo caminho, presta atenção: Enxuga as lágrimas que teimam em rolar nos rostos esculpidos pelo sofrimento; aplaca a revolta e ignorância dos que se enveredam pelos vícios, ouve o clamor dos anônimos perdidos na multidão; ampara as almas indefesas! Ama sem medidas!

Lembra filho que: Quem receber em meu nome um pequenino é a mim que recebe!(3)

Agora, filho, se me amas, vai e apascenta as minhas ovelhas! Tu podes fazer a diferença!

E a propósito, filho meu: estarei sempre contigo, então: FELIZ NATAL TODOS OS DIAS!”

Eu tenho certeza que a gente podia fazer com que fosse Natal todo dia!

(Mauricio Gaetani Tapajós/Roupa Nova)

MUITA PAZ, E FELIZ NATAL COM JESUS!

(1) Mateus, 9, 4.

(2)Lucas, 14, 12 a 15.

(3)Mateus, 18, 5.


Mackário José
mackario@ibest.com.br

Voltar para a página anterior / Voltar para a página principal