Mackário José



Ressurreição e Reencarnação

17-12-2011

Não esqueça que para você devo voltar... Somente um momento, de descanso ao vento, e outra mulher há de me carregar. (Kahlil Gibran Kahlil – 1883-1931)

Reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. (ESE - IV – 4)

Ressurreição significa literalmente "levantar; erguer; voltar à vida”. O ato de uma pessoa considerada morta viver novamente era chamado ressurreição. (Wikipédia)

Algumas culturas religiosas entendem que ressurreição é a volta do espírito ao mesmo corpo, o que a ciência prova definitivamente a sua impossibilidade, pois, a matéria que compunha aquele corpo se desorganiza e se dispersa na natureza para compor outros corpos. A história também não é favorável a essa tese, haja vista, as múmias dos faraós do Egito, após milhares de anos embalsamadas, continuam na mesma condição, ressalvada a implacável ação do tempo, apesar da pompa e engenhosidade das pirâmides.

A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus não a aceitavam, porque acreditavam que tudo acabava com a morte. (ESSE - IV - 4)

Segundo o historiador Flávio Josefo, os fariseus ensinavam que as almas são imortais, e que as justas, passam depois desta vida a outros corpos. Flávio Josefo era adepto do farisaísmo.

Sócrates e Platão: O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia unida aos tipos primordiais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo; separa-se deles, encarnando, e, recordando o seu passado, é mais ou menos atormentada pelo desejo de voltar a ele. (ESE Introdução – V-1).

Jesus e a reencarnação: Em muitas oportunidades, o mestre falou sobre reencarnação, diretamente ou por alegorias, respeitando a incipiente condição de entendimento daquele povo e sabedor das dificuldades de assimilação e aceitação das gerações futuras. Quase dois mil anos depois, a resistência ainda é muito grande motivada por desconhecimento, comodismo ou ideias pré concebidas.

Assim, o CRISTIANISMO era reencarnacionista, se não vejamos alguns tópicos nos Evangelhos:

Jesus e Nicodemos: Na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. (João, 3, 1 a 12 e ESE. – IV-5)

O cego de nascença: Jesus passando, viu um homem que era cego de nascença. Seus discípulos perguntaram: Mestre, a causa deste homem ter nascido cego, o pecado é dele, ou de seus pais? (João 9, 1 a 7) Se era cego de nascença, como poderia ter pecado se não houvesse reencarnação? Notemos que no texto original, Jesus não contestou a pergunta dos discípulos.

Transfiguração. Após a transfiguração, os discípulos o interrogam: "Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?" Jesus respondeu: "É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas, mas, eu vos declaro que Elias já veio e não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. Seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara”. (Mt. 17, 10 a 13 e Mc.9, 11 a 13 e ESE – IV-3)

Nesta passagem, Jesus foi além da alegoria, indicando que João Batista era Elias reencarnado, pois todos conheciam João Batista, desde o seu nascimento até a sua degola a mando de Salomé. Elias era profeta citado no velho testamento.

A ressurreição de Lázaro. Ele estava, dizem, havia quatro dias no sepulcro e que já cheirava mal. Sabe-se, porém, que há letargias que duram oito dias e até mais. Em certos indivíduos há decomposição parcial do corpo, mesmo antes da morte, havendo em tal caso cheiro de podridão, mas a morte só se verifica quando são afetados os órgãos essenciais. (Gen.40)

A filha de Jairo: (...) Por que fazeis tanto alarido e por que chorais? Esta menina não está morta, está adormecida. (...) Tomou-lhe a mão e disse: Talitha cumi, (minha filha, levanta-te, eu to ordeno). No mesmo instante a menina se levantou e se pôs a andar, pois contava doze anos (...) (Mc. 5, 21 a 43. – Gen. 37)

Filho da viúva de Naim: (...) Jesus tocou o esquife e disse: Mancebo, levanta-te, eu o ordeno. Imediatamente, o moço se sentou e começou a falar. E Jesus o restituiu à sua mãe. (Lc. 7, 11 a 17 - Gen. 38)

Nos últimos três casos houve, por parte de Jesus, a cura do corpo, mas não ressurreição.

Mas, por volta do ano 300 da era cristã, o rei Constantino se converteu ao cristianismo, não por convicção religiosa, mas por conveniência bélica e política e impôs o cristianismo como a religião oficial do império romano. O cristianismo expandiu-se vertiginosamente, uma vez que trocava as sombrias e frias noites nas catacumbas pelos esplendores dos palácios imperiais; porém, teve que pagar um preço altíssimo, que o desfigurou substancialmente: a reencarnação foi abolida por um decreto real.

A mudança do rei Constantino foi apenas exterior e continuava sendo implacável e cruel. Sabedor de que numa futura reencarnação, responderia por todos os seus atos, não teve dúvida: aboliu a reencarnação, utilizando a prerrogativa de divindade que era atribuída aos reis e imperadores.

Sem a reencarnação, os ensinamentos de Jesus não têm nenhum sentido, porquanto, o mestre preconiza as bem-aventuranças sempre no futuro:

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.”

“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.”

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.”

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão a misericórdia.”

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Etc.

Que futuro é este? Seria o dia do juízo final? Segundo a teoria do juízo final, as almas estarão irremediavelmente fadadas à felicidade suprema ou ao suplício eterno. Mas, essa teoria não se coaduna com a infinita bondade e justiça de Deus.

Qual seria o significado de tanto sofrimento para uns e tantas benesses para outros? Diriam alguns que são mistérios de Deus e que não nos cabe questionar a sábia providência Divina. No entanto, Jesus nos afirma que nada há de oculto que não seja revelado ao vulgo, no ensinamento da “Candeia sob o alqueire”.

Que justiça é esta que manda punir os descendentes até a terceira e a quarta geração pelas faltas cometidas por seus antepassados? “porque eu sou o senhor teu Deus, forte, e zeloso, que vinga a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira, e quarta geração daqueles, que me aborrecem; e que faz misericórdia até mil gerações àqueles que me amam, e que guardam os meus preceito." (Êxodo, 20, 5).

As diversas traduções de uma língua para outra e as interpretações equivocadas de palavras ou termos, mesmo sem dolo, podem ter alterado, parcial ou completamente o significado original.

No caso de até a terceira e a quarta geração, só justificaria se houvesse uma única vida material; nesse caso, alguém posteriormente, teria que pagar por erros alheios. Com a reencarnação, a história soa completamente diferente; ela dá uma interpretação justa e de acordo com os ensinamentos de Jesus: “A cada um segundo suas obras”, que só se aplicaria na terceira e na quarta geração; pois que, já deu tempo daquele que semeou, colher os frutos em nova reencarnação.

Muitas culturas religiosas milenares aceitam a reencarnação com algumas discordâncias sutis ou profundas. Algumas defendem a metempsicose, ou seja, a reencarnação em animais ditos irracionais.

O espiritismo não compactua com essa tese, abordada na questão 612 de O Livro dos espíritos:

O Espírito que animou o corpo de um homem poderia encarnar em um animal?

Isso seria retroceder e o Espírito não retrocede. O rio não retorna à sua fonte.

Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas dotados de aptidões para tudo conhecerem e para progredirem, em virtude do seu livre-arbítrio. Pelo progresso adquirem novos conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e, conseguintemente, novos gozos desconhecidos dos Espíritos inferiores; eles veem, ouvem, sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem ver, sentir, ouvir ou compreender. (O Céu e o inferno – III – 6)

NASCER, MORRER, RENASCER AINDA, E PROGREDIR SEMPRE, TAL É A LEI. Allan Kardec

Muita paz, com Jesus!
Mackário José
mackario@ibest.com.br

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