Kratus Ranieri



Criaturas do Céu, da Terra e do Mar - Espíritos da Natureza

08-04-2011
Ouvi também a toda criatura que está no céu, 
e na terra, e debaixo da terra, e no mar... 
                                       (Apocalipse, 5,13)
Espíritos da Natureza

Embora o tema deste pequeno artigo já tenha sido abordado outras vezes por muitos, é interessante a sua revisão pelas poucas informações que nos chegam da espiritualidade, portanto, o nosso objetivo aqui é apenas rever e sintetizar o assunto, que se encontra esparso em diversas fontes.

Duendes, silfos, gnomos, salamandras, sereias e ondinas são seres que pertencem à cultura e ao imaginário popular, mas sábios e videntes da antiguidade já haviam observado a sua existência real. As civilizações antigas, originárias da Grécia, de Roma, da China e da Índia, acreditavam na existência de sátiros e duendes que povoavam as florestas, as fontes, os rios, a atmosfera, os mares, enfim, toda a natureza. Os mitos africanos e indígenas do Brasil também fazem referências a esses seres. Eram admirados, adorados e alguns tidos como divindades, o que de certa forma acontece até hoje em algumas comunidades. Eles podem se associar aos encarnados, sendo de grande utilidade na execução de várias tarefas de ordem prática como arrumar um emprego e até nas questões amorosas. Por isso o grande interesse de certas pessoas em agradar e obter a simpatia de alguns tipos de seres naturais. Assim é estabelecida uma forte ligação fluídica com o encarnado, que na maioria das vezes é difícil de desfazer, pois encontra forte oposição deles, que quando zangados ou irritados podem trazer muitos transtornos na vida diária da pessoa.

A extensa designação dada em todas as épocas foi substituída, por Helena Blavatski, fundadora da Teosofia, pelo termo “elemental”, derivado do conceito Pitagórico dos quatro elementos formadores do Universo: o fogo, o ar, a terra e a água. Podiam ser vistos somente por pessoas que tivessem uma percepção especial, os chamados hoje de médiuns videntes.

Em O Livro dos Espíritos é feita menção à existência de espíritos que presidem os fenômenos da natureza (questões 536 a 540), sendo designados por “espíritos da natureza”. O que seriam afinal esses seres? Como informado pelos Espíritos, eles presidem e dirigem os fenômenos da natureza, agindo em massas inumeráveis. Não são seres à parte da criação. Esses Espíritos podem ser superiores ou inferiores, uns mandam e outros executam. Muitos ensaiam para a vida e antes de terem a plena consciência dos seus atos e seu livre-arbítrio, agem inconscientemente.

Acredita-se que a grande maioria desses seres seja pouco evoluída e que ainda não tiveram reencarnações na Terra. A variedade de nomes que recebem tem origem nas formas especiais com que se apresentam, às vezes de pequena dimensão. Vivem um período intermediário entre as formas primitivas e hominais, preparando-se para futuras reencarnações humanas. Os mais elevados já viveram na Terra, onde desenvolveram grandes aptidões, e os menos evoluídos, reencarnar-se-ão na Terra ou em outros mundos, avançando sempre, porque a perfeição é o destino de todos os seres.

Na questão 539, Kardec pergunta se no caso de uma tempestade existe a intervenção desse espírito. Os Espíritos respondem que sim! E ainda mais, que atuam em quantidade inumerável, ou seja, em quantidades tão grandes que não se poderia contá-los. É uma resposta surpreendente, para nossas mentes acostumadas a entender a natureza como um mecanismo impessoal e que a custa de um grande esforço através dos séculos vêm sendo investigada e esclarecida pelos nossos cientistas.

Na questão seguinte (540) os Espíritos explicam que a intervenção dessas entidades pode ser comparada as “imensidades de animais que pouco a pouco fazem sair do mar as ilhas e os arquipélagos” (a analogia feita pelo Espírito mais se aproxima da formação dos recifes de corais), que agindo inconscientemente, também agem na transformação da superfície do globo promovendo a necessária harmonia geral.

Na revista Espírita de março de 1860, ao ser questionado sobre uma comunicação espontânea de um Espírito (Hattani) que afirma presidir às flores e seus perfumes, junto com seus milhares de companheiros, São Luís explica que o Espírito elementar (é esse o termo usado por S. Luís) dirige sua ação fluídica para a criação dos vegetais. Isso não significa que esses espíritos tenham a capacidade de controlar ou modificar as leis da natureza, mas agem como auxiliares da Criação. Não é difícil entendermos isso, quando pensamos na nossa atuação na natureza enquanto encarnados. O homem atuando como coletividade, modifica o clima, a topografia, cursos de rios, a atmosfera do planeta, infelizmente de maneira destrutiva, mas poderia ser ao contrário, se declinasse o grande apego a matéria, a busca infinda de prazeres materiais, como a posse, o poder, o consumo insaciável e a ganância.

André Luiz também relata em suas obras, dois episódios envolvendo os espíritos da natureza. Em Nosso Lar, surpreso, vê a enfermeira Narcisa, entabular uma palestra, com expressões que lhe eram estranhas, com oito “servidores do reino vegetal da natureza”, para lhes pedir auxílio na preparação de medicamento para Ernesto. Em Libertação, André Luiz faz referência também a um encontro com espíritos da natureza em regiões inferiores do plano espiritual.

Na verdade, pouco se sabe sobre essas entidades, mas a informação de sua existência aumenta a nossa responsabilidade com a preservação do meio ambiente, pois, além dos seres do nosso plano de vida, existe uma quantidade inumerável de seres de um plano invisível para nós, mas muito próximo de nós, que na natureza efetuam seu processo evolutivo. Isso tudo também nos faz entender que o funcionamento do planeta é mais do que um simples mecanismo. É muito mais! Pois faz parte da Terra uma imensa vida espiritual que ultrapassa em muito a vida material.

A resposta a questão 604 do Livro dos Espíritos mostra-nos nosso atual estágio de conhecimento: “Tudo se encaixa na natureza pelos laços que não podeis ainda compreender, e as coisas mais desiguais na aparência têm pontos de contato que o homem nunca chegará a compreender na sua condição atual. Ele pode entrevê-los pelo esforço de sua inteligência, mas somente quando essa inteligência tiver adquirido todo desenvolvimento e estiver livre dos preconceitos, do orgulho e da ignorância, é que poderá ver claramente na obra de Deus. Enquanto isso não acontece, suas idéias limitadas lhe fazem ver as coisas sob um ponto de vista mesquinho e restrito. Sabei bem que Deus não pode se contradizer e que tudo, na natureza, se harmoniza pelas leis gerais que nunca se afastam da sublime sabedoria do Criador”.


Kratus Ranieri
kratusranieri@ig.com.br

Voltar para a página anterior / Voltar para a página principal