Kratus Ranieri



Um sonho quase possível

21-08-2010

O recente filme "Um Sonho Possível", estrelado por Sandra Bullock e Tim McGraw, mostra uma situação sobre a qual vale a pena refletir e da qual podemos tirar lições de vida. O longa, inspirado em uma a história real, narra a trajetória de um adolescente pobre que é acolhido por uma família e tem a oportunidade de se tornar um jogador de futebol americano.

Leigh Ann (Sandra Bullock), que pertence a uma classe social abastada, oferece abrigo e proteção a Michael Oher (Tim McGraw), um adolescente negro, cuja mãe se prostituía, era pobre e viciada em drogas. Como observado pelo crítico Lucas Rey, ao lado do abuso de clichês como, "nós acreditamos no seu potencial", "você faz parte da nossa família", e "você pode vencer na vida". Soma-se a lacuna criada por não se tentar mostrar nada além da simples narrativa. Ainda assim o filme é interessante e até comovente, e pode ser considerado como uma bela lição de vida.

O desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, aliado à ânsia dos meios de comunicação por maiores índices de audiência, que preferem antes de tudo nos alarmar do que informar, faz com que sejamos quase que diariamente bombardeados com noticiário de grandes catástrofes, naturais ou provocadas pelo homem. Nas grandes calamidades, o espírito de solidariedade e caridade cristã se manifesta intensamente e por diversas formas. Pode ser observado por gestos de coragem, renúncia e abnegação pelos envolvidos mais próximos ou através de campanhas nobres e generosas que são desencadeadas, nas quais não faltam pessoas e até governos interessados em mitigar o sofrimento.

Entretanto, ao lado dessas tragédias coletivas, existem milhares de tragédias particulares e individuais, muitas vezes ocorrendo ao nosso lado mesmo, em nossa comunidade, mas que muitas vezes são despercebidas. É o caso de Michael Oher, que passou pelo drama de inúmeros adolescentes em países do chamado terceiro mundo, mas que ironicamente vive no país mais rico do mundo. Triste contradição, que apenas confirma a situação geral de nossa evolução no planeta Terra, que, como ensinam os Espíritos, é em sua grande maioria habitado por espíritos de terceira ordem, espíritos que ainda têm grande apego à matéria.

Michael Oher teve a ventura de encontrar a generosidade verdadeira. Leigh Ann oferece-lhe não só recursos financeiros para superar sua aflitiva situação, mas vai além, e junto com esse auxílio, lhe oferece carinho e amor, bens muito mais poderosos para que Michael Oher pudesse mudar seu destino. Leigh Ann vive a experiência da verdadeira caridade ensinada pelos espíritos.

A caridade, que o apóstolo Paulo chama de amor, é a base de todas a virtudes. Sem ela, as outras não existem, sem ela, não poderá haver esperança de um futuro melhor, sem ela, não há moral e não há fé. A caridade é emanação de Deus.

Assim Leigh Ann une seu destino ao de Michael Oher doando-lhe seu tempo, carinho, piedade, apoio, indulgência e tolerância. Qualidades que todos podemos ter e doar sempre na quantidade que desejarmos, independente de nossa posição social, financeira, saúde ou qualquer outra situação em que nos encontremos.

Vale a pena conhecer melhor esta história de vida real. O exemplo de Leigh Ann deve ser seguido, pois é o ensinamento que Jesus nos legou há 2000 anos e é a base de abertura de nosso caminho evolutivo, como agora nos ensinam os Espíritos.


Kratus Ranieri
kratusranieri@ig.com.br

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