A excepcional obra O Céu e o Inferno, integrante da Codificação Espírita organizada por Allan Kardec, lançada em 1865 e 4ª. obra na sequência dos livros do Pentateuco espírita, por si só constitui monumental documento que apresenta a Justiça Divina segundo o Espiritismo, conforme subtítulo da obra.
Composto de 11 capítulos na primeira parte e 8 na segunda parte, a obra concentra estudos de importância sobre o céu, o inferno, o purgatório, as penas segundo o Espiritismo, anjos, demônio e proibição de evocar os mortos; já na segunda parte reúne exemplos de espíritos em diferentes condições, demonstrando com sabedoria que céu e inferno são, antes de tudo, estados conscienciais, antes que lugares determinados para supostos suplícios como castigos infernais.
Referida obra contém, todavia, no capítulo 7 da primeira parte, um valioso estudo intitulado Código Penal da Vida Futura, que é composto de estupendos 33 itens que estudam as consequências dos atos morais perante a vida futura. Referidos itens oportunizam inesgotáveis desdobramentos de estudos, debates e reflexões muito saudáveis diante dos acontecimentos naturais da vida humana frente às nossas reações, gestos, iniciativas e posturas diante de ocorrências a que somos colocados diante do futuro que nos aguarda.
Pois referido Código ensejou ao escritor e palestrante José Lázaro Boberg – pedagogo, advogado, Mestre em Direito e professor radicado em Jacarezinho-PR, inclusive com larga folha de serviços na divulgação espírita – a elaboração do excelente livro O Código Penal dos Espíritos – A Justiça no Tribunal da Consciência, edição da Editora EME. Com sua formação acadêmica, experiência profissional e iluminado pelo conhecimento espírita, presenteia-nos em obra de quase 200 páginas, de rica pesquisa bibliográfica, e muito enriquecida de casos e citações de outras obras de expressão e de exemplos recentes do cotidiano humano, com suas lutas tão comuns ao nosso estágio evolutivo. E mais: a didática do livro foi construída na mesma sequência dos 33 itens do referido Código apresentado por Kardec em O Céu e o Inferno, de forma que os 33 capítulos comentam, com exemplos e citações, cada um dos referidos 33 itens.
Empolga-nos verificar a coerência – pois que isso é natural mesmo – do pensamento espírita com o progresso da legislação penal, analisada esta sob a ótica do conhecimento espírita, simultaneamente com a ciência do Direito.
Parabéns ao amigo Boberg e à Editora EME por tão oportuno lançamento. Cremos que o livro, muito útil para qualquer estudante e pesquisador espírita, também pode ser estimulado à leitura e estudo pelos estudantes de Direito e por profissionais que atuam em processos, análises e julgamentos de causas tão comuns nos conflitos de interesses. É que a clareza do pensamento espírita lança a luz da justiça, aliada à bondade, em todos os casos, sempre chamando à luz da razão e da responsabilidade para que possamos agir com retidão e respeitando o direito alheio, pois que todo mal que fizermos resultará em nosso prejuízo e todo bem que espalharmos será nosso advogado em toda parte. Não há, pois, um sistema de punição ou premiação na Justiça Divina, mas simplesmente uma lei de ação e reação que determina recebamos de volta, como consequência, tudo que oferecemos à vida.
Melhor, pois, agir no bem para estarmos com a consciência tranquila.