No dia 01 de maio de 2014, aos 90 anos, Sr. Antônio Martins, conhecido carinhosamente como “Vovô Antônio”, retornou à pátria espiritual, depois de passar alguns anos enfrentando com resignação e humildade, a enfermidade que consumia seu corpo, pois o espírito estava sempre renovado pela prece amiga.
Nascido na cidade paulista de Valinhos, em 21 de abril de 1924, filho de Tomaz Martins e Maria Baroni Martins, casado, pai de três filhos, Antônio Martins conheceu o espiritismo desde pequeno, com o pai, que o levava para assistir reuniões mediúnicas. Desde então já sentia a presença do mundo espiritual em sua vida através da mediunidade que se manifestou precocemente.
Apesar de ter participado de várias Casas Espíritas, não se sentia à vontade para realizar o trabalho que tanto almejava, e assim, iniciou suas reuniões em um pequeno cômodo dentro de sua própria residência, e mais tarde, devido à necessidade de espaço maior para atender as pessoas que ali chegavam, comprou um terreno próximo e, inspirado pelos espíritos de Bezerra de Menezes e Eurípedes Barsanulfo, aceitou de pronto a missão de construir A Casa dos Espíritos, em Campinas-SP, cuja fundação aconteceu no dia 09-9-1962, onde trabalhou de maneira permanente, sempre de coração aberto para aqueles que buscavam seus conselhos, uma palavra amiga, um passe ou uma oportunidade de trabalho.
E sob a tutela desses espíritos que lhes aconselharam: “Pega tua cruz e caminha! Muitas pedras encontrarás, mas não percas a fé!”, iniciou em meados do mês de março de 1986 uma obra portentosa, uma casa de repouso para idosos no bairro Jardim Santa Genebra, na mesma cidade de Campinas, que recebeu o nome de "Recanto Vovô Antônio", erguido com doações e promoções festivas, não contando com recursos do poder público.
Vovô Antônio foi uma dessas que todos gostariam de ter conhecido um dia. Um mestre, um amigo, um pai, um avô, enfim um irmão que sempre esteve e estava ao lado daqueles que buscavam seus ensinamentos, conselhos e exemplo de vida dedicada ao bem, à caridade e do amor ao próximo.
Uma pessoa simples, que apesar de seu pouco grau de instrução, possuía uma imensa sabedoria, fruto do seu trabalho, vivência espírita, dedicação integral aos compromissos e afazeres na casa espírita e a prática constante da caridade, buscando atender a todos a que batessem à sua porta, não importando de que religião, credo, doença ou problema que traziam, pois todos achavam em suas palavras o amparo, o lenitivo e o remédio para retomar forças e prosseguir em frente, e quando lhe perguntavam quanto custa?, ele de pronto dizia que o preço era uma “uma prece, se puder fazer duas é melhor”.
Apesar de haver realizado tanto, sempre dizia que gostaria ter feito mais.
E com a certeza de que o trabalho nunca acaba, continua sempre onde quer que o vento sopre, rogamos a Deus que ilumine sua nova caminhada e que seu grandioso exemplo de amor e dedicação ao próximo nos sirva de valiosa fonte de motivação e inspiração.