Ronaldo P. Rodrigues



Hoje eu fiz o bem

20-07-2013

Existem muitos heróis anônimos na história da humanidade. Alguns não querem ser descobertos e outros o são por “acaso”; mesmo assim, eles não se sentem heróis, apenas se acham instrumentos do bem.

Nascido na Inglaterra em 19 de maio de 1909, Nicholas Winton poderia ter passado despercebido pela história, se não fosse sua mulher que, arrumando o sótão da casa, descobriu um álbum velho com fotos de crianças, telegramas, cartas e uma lista. A história de Winton ficou guardada em segredo por quase meio século.

No ano de 1938, Nicholas teve seu plano de férias de fim de ano com seu amigo, Martin Blake, cancelado. Este mesmo amigo sugeriu uma outra opção: que eles viajassem até a Checoslováquia, pois queria lhe mostrar algo. Winton se interessou pela proposta do amigo e partiram para lá.

Ao pisar na Checoslováquia, Winton sentiu o clima de horror e medo, compreendeu o que o amigo tanto lhe queria mostrar. O país estava sob o domínio da Alemanha nazista. Milhares de pessoas assustadas e perseguidas com um futuro nada promissor, podendo a qualquer momento ser mandadas para campos de extermínio.

“Não me vejo como um herói. Para ser herói, alguém precisa fazer algo de perigoso. Não fiz. O que fiz foi algo que os outros achavam impossível. Mas eu tinha de tentar, para ver se era possível ou não.”

Nicholas, diante daquele momento sombrio, sabia que poderia fazer algo por aquelas pessoas. Teve a ideia de mandar as crianças das famílias perseguidas para outros países. Apenas uma ideia, porém, não resolveria a situação. Winton precisaria ter muita disposição e colocar a mão na massa para realizar esse objetivo.

“Tive a ideia certa de resgatar as crianças quando todo mundo achava que nem valeria a pena tentar.”

Nicholas pesquisou e coletou dados das crianças que precisavam de ajuda e escreveu cartas para vários países. Foi um trabalho árduo e burocrático, mas nada o fazia desanimar. Persistente, atendeu as exigências impostas pelas autoridades. As portas do mundo sempre se abrem para aquele que não se intimida com os obstáculos. Com a ajuda de organizações cristãs e beneficentes, foi possível conseguir recursos para o transporte dos pequenos refugiados e arrumar famílias interessadas em adotá-los.

“Não é um ato heróico. Meu lema é: se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma maneira de fazer.”

Nos primeiros nove meses de 1939, Winton planejou o transporte e o resgate de 669 crianças – judias, em sua maioria – da Checoslováquia para a Inglaterra.

O número de pessoas salvas poderia ser maior, pois um grupo de aproximadamente 250 crianças não pode seguir para Inglaterra devido ao bloqueio de todos os meios de transportes com o início da guerra. Essas crianças que não conseguiram embarcar infelizmente foram mortas em campos de extermínio.

“Sempre penso nelas, porque poucas horas fizeram a diferença entre iniciar uma vida nova ou serem mortas. Não se ouviu falar daquelas criança.”

Muitas dessas crianças salvas por Winton se tornaram pessoas generosas, oferecendo suas habilidades para o mundo e com as mais diversas profissões: professores, escritoras, enfermeiros, jornalistas, cineastas, biólogos…

Perguntaram para Winton se ele achava que tinha feito do mundo um local melhor:

“É preciso mais do que um Nicholas Winton para fazer do mundo um lugar melhor. Mas tudo é uma questão de visão. Quase todas as crianças que salvei estão envolvidas hoje em trabalhos de caridade. Estão fazendo o bem.”

O importante não é chegar em casa de noite e dizer, passivamente: ‘Hoje, eu não fiz nada de mal’. O importante é chegar em casa e dizer: ‘Hoje eu fiz o bem’.”

No aniversário da Rainha, em 1983, foi nomeado membro da Ordem do Império Britânico por seu trabalho na instalação de asilos da sociedade Abbeyfield na Grã-Bretanha e, em 2002, elevado a cavaleiro pela rainha Elizabeth II em reconhecimento ao seu trabalho no salvamento das crianças.

Winton está vivo (104 anos) e são, e não vê sua atitude como extraordinária.

Um programa de TV inglês resolveu fazer uma surpresa para Winton e convidou várias pessoas que foram salvas por ele quando eram crianças, mas nunca o tinham conhecido. Winton foi convidado para o programa, mas não sabia da surpresa: lhe informaram que ele apenas assistiria um show.

No decorrer do programa a apresentadora Esther Rantzen anunciou que sentadas ao seu lado estavam duas pessoas salvas por ele em 1939. A apresentadora também pediu para que as outras pessoas que estavam no auditório e que também foram salvas por Winton se levantassem, e todo auditório ficou de pé.

A humanidade está repleta de espíritos iluminados e comprometidos com o bem. Nossas atitudes diante da vida é que faz a diferença. Nicholas, fez a diferença na vida daquelas crianças, e dizia que fez o que qualquer ser humano deveria fazer, simples assim.

Diante das dificuldades da vida e das tragédias humanas, não serremos nossos olhos sentados no muro da indiferença, façamos a nossa parte como Cristãos e legionários do bem.

Deus nos criou para fazermos o bem.

“O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros aquilo que queria que os outros fizessem por ele.” (ESE - Cap. XVII, item 3).

Então, você já fez o bem hoje?

Muita paz!



Ronaldo P. Rodrigues
ronguapi@gmail.com

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