Nos dias de hoje, é muito natural ouvir nos Centros Espíritas músicas melodiosas, com letras e temas baseados nos propósitos fraternais da Doutrina.
Como sabemos, a boa música é lenitivo ao sentimento e conforto, não só ao Espírito encarnado.
Nos tempos primeiros, por ocasião das reuniões mediúnicas, especialmente as que eram direcionadas aos trabalhos de materialização, as músicas utilizadas durante o tempo em atividade se relacionavam com a religiosidade, como Ave Maria, ou mesmo com o cancioneiro brasileiro, sempre retratando assuntos que falavam da natureza e da paz.
Mas, as canções tipicamente espíritas foram nascendo e sendo apresentadas inicialmente nas próprias Casas, por ocasião dos atos festivos, e, com o tempo, inclusive conquistou espaço para a divulgação eletrônica, alcançando horizontes mais distantes.
Como tudo, sempre há os que chegam primeiro.
Falamos, naturalmente, de um personagem que se chamou, quando na Terra, João Cabete.
Com mais de 200 letras e músicas, esse paulista de São Paulo, nascido aos três de abril de 1919, rumou para a cidade de Cruzeiro, no leste do Estado, onde fixou residência, já casado com a Sra. Ady, com quem teve três filhos, Dinazara, João e Denise, além de Lílian, que encontrou no lar físico de Cabete a luz para seus caminhos.
Envolvido que estava nas questões espíritas, desenvolveu trabalhos filantrópicos, materializando sonhos antigos como a criação do Lar Carmem Cinira (hoje, Grupo da Fraternidade), além da fundação e direção do S.O.S, como alguns dos feitos.
Em 26 de agosto de 1987, numa quarta-feira, João Cabete despediu-se do mundo físico aos 68 anos, na mesma cidade que o acolheu e desenvolveu toda sua existência e de sua família.
Para que este trabalho fosse realizado contamos com a ajuda prestimosa de João Euclides, que cedeu fotos e fatos de seu pai e espírita João Cabete, cujo respeito e admiração de nossa parte ultrapassou os limites da fronteira física, pois devemos-lhe, praticamente, a introdução da música espírita em nosso meio, hoje cantada nos quadrantes do país, inclusive as de sua lavra. O que vemos hoje, já foi feito ontem, há mais de trinta anos. Quando João Cabete falava sobre o Evangelho, entre um tópico e outro, apresentava suas canções.
Aliás, nos moldes da atualidade, é necessário registrar que palestrantes se apresentam acompanhados de aparelhagem de som, onde, além da exposição temática dos assuntos com base doutrinária, ainda comovem os presentes com interpretações que trazem letras que são verdadeiros poemas. Os Centros Espíritas e frequentadores só tem a ganhar com essa nova modalidade.
Dentre as músicas de Cabete, escolhemos um trecho de ‘ALMAS DAS ANDORINHAS’:
Eu não sei dizer
Para onde vão
As almas das andorinhas!
Eu não sei...
Eu não sei...
Eu não sei dizer
Para onde vão
Perfume de tantas flores!
Eu não sei...
Eu não sei...
Eu só sei dizer
Que dentro de minh’alma
Sinto a natureza
Cantando e chorando...
Eu só sei dizer
Que sinto Deus
Sorrindo para mim!...