Vladimir Polízio



Chico Xavier - A caridade em pessoa

01-04-2014
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Em Pedro Leopoldo, estado de Minas Gerais, no dia 02 de abril de 1910, nasceu aquele que mais tarde seria considerado um dos maiores médiuns do Brasil e do mundo.

Falar do Espiritismo brasileiro sem se lembrar de Chico Xavier seria como apresentar uma grande obra, mas incompleta, com ausência dos volumes de maior expressão, de informação e de interesse. Chico Xavier é referência nacional em Espiritismo. Essa omissão corresponderia a sonegar preciosos esclarecimentos a respeito de quem contribuiu sobremaneira com a Doutrina dos Espíritos.

O nome que inicialmente nosso Chico recebeu, foi o de Francisco de Paula Cândido. Curioso a princípio, mas logo se justifica. É que o pai de Chico pediu a um amigo íntimo para registrá-lo com o nome de Francisco Cândido Xavier, mas, ao chegar ao cartório, verificou que o dia de nascimento do menino era dois de abril, lembrando-se que a data era consagrada a São Francisco de Paula, segundo o calendário católico.

Querendo, por simplicidade, homenagear o santo do dia, sem comentar com ninguém o amigo registrou o menino como Francisco de Paula, completando com o sobrenome Cândido, em vez do já tradicional Xavier, que lhe fora dado pelo pai e usado por todos os irmãos de Chico. Assim, Chico se chamou durante 55 anos Francisco de Paula Cândido.

Somente a partir de abril de 1965 é que o médium de Pedro Leopoldo passou a assinar Francisco Cândido Xavier, por sentença judicial, isso porque o médium requereu sua aposentadoria no Ministério da Agricultura e o problema apareceu.

Sua primeira mensagem mediúnica foi recebida aos 17 anos, em uma sessão pública realizada no recém-fundado Centro Espírita Luiz Gonzaga, no dia 8 de julho de 1927, em sua cidade natal de Pedro Leopoldo-MG.

Mas foi somente em 1931, aos 21 anos, ainda em Pedro Leopoldo, que Chico, durante um de seus momentos de oração, foi visitado por uma luz muito intensa, cujos raios, a poucos metros, eram-lhe fulgurantes. Vestido com túnica típica de sacerdote, o recém-chegado perguntou-lhe se estava disposto a trabalhar a serviço da mediunidade. Diante da resposta positiva, o Espírito simplesmente lhe cobrou três requisitos fundamentais para aquele sagrado compromisso, e Chico quis saber quais eram:

– 1º. disciplina;

– 2º. disciplina;

– 3º. disciplina.

Nesse ano então, Chico iniciou seu profícuo apostolado, psicografando seu primeiro livro que recebeu o nome de Parnaso de Além Túmulo, trazendo mais de 400 páginas, com 260 trabalhos poéticos de 56 autores desencarnados. Uma verdadeira obra literária!

Emmanuel(1), essa grande luz, acompanhou Chico Xavier(2) por 75 anos de seu apostolado mediúnico em benefício do próximo.

Numa das ocasiões em que Chico inquiriu seu “protetor”, o bondoso guia esclareceu:

“Descansa! Quando te sentires mais forte, pretendo colaborar igualmente na difusão da filosofia espiritualista. Tenho seguido sempre teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida, e o sentimento afetivo que me impele para o teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos...”.

Chico Xavier desencarnou em 30 de junho de 2002, às 19:30h, em sua residência, à Rua D. Pedro I, no Parque das Américas, em Uberaba-MG. Nesse dia, enquanto os Espíritos, nos páramos do infinito rejubilavam-se com sua presença, o Brasil e os espíritas perderam não só o exemplo vivo da caridade e o bálsamo dos corações sofredores, mas o continuador das obras de Allan Kardec.

Francisco Cândido Xavier esteve na Terra por um período de 92 anos, dedicando 75 deles à caridade, através de sua mediunidade.

-o-

(1) Emmanuel, quando esteve na romagem terrena, foi Manoel da Nóbrega, missionário jesuíta português que viveu entre 1517 e 1570, exercendo atividade sacerdotal nas Missões do Brasil. Foi também, um dos fundadores da cidade de São Paulo, em 25-01-1554, juntamente com outro jesuíta, José de Anchieta.

(2) Afirma-se que Chico Xavier é a reencarnação de Kardec, pois o Codificador, ao final de sua existência na Terra, foi informado pela espiritualidade de que não seria possível terminar suas obras, por aproximar-se o momento de seu retorno, mas que voltaria à vida terrena no final daquele mesmo século (19), ou, no máximo, no início do outro (20), para concluir o trabalho iniciado.

Chico nasceu no começo do século 20, em 1910. Ele nunca concordou e também não desmentiu essa afirmativa. O fato é que, durante o seu período de atividade mediúnica, nunca recebeu de Kardec alguma mensagem.

Carlos A. Baccelli, médium mineiro, que conviveu com Chico por mais de 25 anos, é um dos estudiosos que se posicionam favoravelmente na defesa dessa questão em seu livro Chico Xavier, a Reencarnação de Allan Kardec, editado pela LEEPP-Livraria Espírita Edições “Pedro e Paulo”.

Baccelli psicografou, participou de reuniões mediúnicas, editou livros com Chico Xavier, etc. é um de seus biógrafos. Dentre outros testemunhos, declara pelo menos vinte e dois motivos para compreender que Allan Kardec esteve conosco no século 20, na pessoa de Chico Xavier. Três deles estão aqui:

“Chico Xavier – creio que todos concordam a respeito – foi o legítimo continuador de Kardec, no que tange ao desdobramento da Codificação e à tarefa de difundi-la, através da palavra e do exemplo”.

“Chico jamais confirmou ser a reencarnação de Allan Kardec; ao contrário, quando não fazia questão de negá-lo, inclusive em entrevistas, respondia reticentemente”.

“Kardec e Chico, acima de tudo, tinham e têm acendrado compromisso com o Evangelho de Jesus, em sua obra e em sua vida”.

Ao concluir sua posição, Baccelli esclarece que:

“... sendo adepto de uma doutrina de livre expressão, qual o é o Espiritismo, reinvidico para mim o direito de pensar como penso e deixo neste testemunho, sem, evidentemente, negar a qualquer outro, o direito de discordar de minhas convicções, sem que me sinta, necessariamente, constrangido a transformar o assunto em polêmica sem proveito, como responder a objeções que o tempo, e somente o tempo, haverá de fazer”.



Vladimir Polízio
polizio@terra.com.br

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