Vladimir Polízio



Os três crivos

10-11-2015

Conhecemos a vida muito bem, no que diz respeito à preocupação em relação ao nosso próximo.

Muito dificilmente, no transcorrer de uma conversa coloquial, não se fale de alguém. Os hábitos normais, com raízes profundas na maioria das sociedades humanas, traz um vício pernicioso com a roupagem perversa da maledicência.

Sabemos também da importância e do poder da palavra, quando bem dirigida, que é capaz de estabelecer a harmonização de um ambiente em desequilíbrio, espargindo fluidos e fortalecendo os sentimentos.

Da mesma forma, quando a intenção é promover a desordem psíquica, a palavra também estará presente, cumprindo o seu papel de desestabilizar o campo de ação de modo a perturbar todos os que ali se encontram, sentindo no ar, algo pesado a suportar.

É assim mesmo que nos sentimos quando entramos em certos estabelecimentos, que por si só, não deveriam estar em desarmonia, mas que, devido aos assuntos negativos que são dados a conhecer para o grupo que ali se ache, o ambiente não fica em franca harmonia, o que contribui para algum mal-estar e ligeiras indisposições. Isso é sinal de intranquilidade fluídica, a qual não vemos mas captamos, e muito mais ainda, percebem aqueles cuja sensibilidade é maior; são os chamados sensitivos.

Através da mediunidade de Chico Xavier, Irmão X, que é o pseudônimo de Humberto de Campos, enviou pela psicografia a mensagem "Os três crivos"(1), onde são estabelecidos os requisitos essenciais para que uma conversação seja desenvolvida com produtividade ou que se faça o silêncio, a fim de que não se aumente o compromisso com a Grande Lei de causa e efeito.

"Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:

– Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular...

– Espera!... ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?

– Três crivos?! – perguntou o visitante, espantado.

– Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro, é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?

– Bem, ponderou o interlocutor, assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... então...

– Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar? Hesitando, o homem replicou:

– Isso não!... Muito pelo contrário...

– Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

–Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado.

– Útil não é...

– Bem – rematou o filósofo num sorriso, – se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificações para nós...

Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência...".

Observado está que, calar-se, em alguns casos, vale ouro.


(1) Aulas da vida, de Espíritos diversos, por Chico Xavier - Ed. IDEAL.



Vladimir Polízio

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