Vladimir Polízio



Todos podem mudar o jeito de ser

17-11-2010

Esta frase “Pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto”, constitui-se em versos de canção de autoria de Waldeck Artur de Macedo (Gordurinha), que há mais 40 anos, falava da intelectualidade garantida do povo da Bahia, pois arrematava afirmando que “Baiano burro garanto que nasce morto”.

Sátiras à parte, o que importa mesmo é reconhecer que não só o pau que nasce torto pode ser endireitado ou entortado, como as pessoas também. Ambos dependem da boa vontade: o vegetal, do homem; o homem, dele próprio.

Em que pesem as responsabilidades e compromissos que todo indivíduo traz consigo ao chegar ao mundo, as transformações de qualquer natureza podem acontecer.

Da mesma forma recebemos sobre nossa cabeça, repositório de decisões, a influência incisiva dos astros, cujo vigor magnético nos impõe pressão constante no sentido de ceder às forças naturais e invisíveis que arrastam com seus tentáculos os mais frágeis a transitar por caminhos penosos.

Mas, como mudar, se nasci assim? Perguntarão muitos.

Não só o afastamento do álcool, do cigarro, da delinquência e de outros atos considerados como vícios perniciosos, dependem exclusivamente do próprio interessado, como também, e principalmente, a correção das influências astrológicas negativas incidentes.

Há um ditado chinês que diz: “O impossível mora nos dedos inertes daqueles que não tentam”.

A astrologia, como outros tratados e princípios, não são estudados em Casas Espíritas, mas Emmanuel, que acompanhou Chico Xavier por 75 anos, teceu comentários a respeito da influência dos astros. O mentor lembra que “O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico, em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra; porém, a existência planetária é sinônimo de luta. Se as influências astrais não favorecem a determinadas criaturas, urge que estas lutem contra os elementos perturbadores, porque, acima de todas as verdades astrológicas, temos o Evangelho e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras, achando-se cada homem sob as influências que merece” (O Consolador, de Emmanuel, por Chico Xavier-FEB).

De fato, vemos que tudo está atrelado a um motivo ou razão precedente.

Portanto, são compreensíveis as lutas travadas com vistas às mudanças internas de cada estrutura emocional. Compreensíveis e naturalmente difíceis, pois, como dizem os espíritos, certas raízes vinculadas aos vícios encontram-se emaranhadas nos refolhos da alma, cuja ação e vitória dependerão de esforço acentuado.

O mérito, que se traduz em valor moral, está justamente na conquista da vitória frente a esses e outros desafios que a vida se nos apresenta.

Um dos maiores exemplos vem da história antiga e está figurado na pessoa de Demóstenes que viveu de 384-322 a.C., na Grécia:

“O mais célebre dos oradores atenienses, após ser vaiado diversas vezes, aperfeiçoou seu estilo e empregou seu talento e eloquência em combate aos projetos ambiciosos de Felipe, rei da Macedônia, que queria reduzir a Grécia à servidão.

Esse grande orador não parecia fadado pela natureza para as lutas da tribuna e tornou-se-lhe necessário empregar extraordinária força de vontade para se desembaraçar dos graves defeitos que, no princípio da sua carreira, o haviam exposto às vaias dos auditórios.

Avultava entre eles um vício ridículo de pronúncia. Para corrigir, Demóstenes declamava longos discursos com a boca cheia de seixos, e também ia discursar à beira mar, onde se esforçava por dominar com a voz o fragor das vagas, a fim de, mais tarde, poder dominar os clamores da multidão. Outras vezes encostava seu peito à ponta de espada, a fim de corrigir movimentos desordenados.

Mercê de sua perseverança conseguiu adquirir as qualidades oratórias que lhe asseguraram o primado da eloquência na Antiguidade.

Seu estilo é um modelo de concisão e de pureza”.

Demóstenes à parte, somos donos e responsáveis únicos pelo nosso próprio destino.


Vladimir Polízio
polizio@terra.com.br

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