O respeitado escritor Sir Arthur Conan Doyle (22-5-1859/07-7-1930), criador do célebre detetive Sherlock Holmes, não só declarou-se publicamente espírita, como também deixou inúmeras obras referentes às pesquisas que encetou.
Mas não foi somente ele que entendeu assim. Outros tantos se manifestaram a respeito ao longo do tempo, sempre demonstrando um ar de felicidade ao descobrir que novos caminhos estavam surgindo à Humanidade.
Mesmo aqueles outros historiadores, que embora não tendo se envolvido diretamente com a Doutrina Espírita, não deixaram, por isso, de demonstrar sua sólida simpatia, e, por que não dizer, seu racional ponto de vista.
Neste caso em observação, refiro-me à escritora britânica Ágatha Christie (15-9-1890/12-01-1976), que mergulhou sua criatividade em finos e inteligentes enredos puramente investigativos, em casos especiais ligados a assuntos policiais.
Ágatha deixou histórias ricamente aproveitadas em filmes, extraidas de livros que retratam com riqueza de detalhes, tais acontecimentos, como se os fatos fossem vividos pela autora, cuja intuição era repleta de recursos empolgantes.
Embora não retratasse pessoalmente seu interesse pelas ‘novidades’ que estavam surgindo no campo da pesquisa à sua época, Agatha o fez através de seus personagens. Em algumas histórias são levantadas questões sobre o espiritismo.
Tanto isso é verdade que Hercules Poirot, o seu investigador mais conceituado, com impecável elegância, não só no trajar-se mas também na maneira de comunicar-se, comentou sobre o que achava dessa Doutrina, durante um de seus diálogos.
Duas senhoras que haviam participado de sessão espírita em casa de amigos e tendo recebido comunicação sobre o episódio que estava sendo investigado, assim disseram ao detetive Poirot: “– ‘P’ é curioso, não? Lembra-se que a prancheta insistiu no ‘P’ na noite passada? Um visitante que veio do mar, e tinha a inicial ‘P’...”. “Tem razão, concorda a amiga”. E ambas, fixando o olhar em Poirot, afirmam docemente: “Nunca falha!”.
Ato contínuo, ambas as senhoras interrogam Poirot se ele se interessa pelo ocultismo, no que responde: “Conheço muito pouco, mademoiselle, mas como todos os que viajam muito para o Oriente, sou obrigado a admitir a existência de muitas coisas que não compreendemos nem podem ser explicadas por meios naturais”.
Um amigo de Poirot, surpreso pela sua postura frente a essa aparente observação sem importância que lhe fora feira, diz: “Quer dizer que você acredita no espiritismo, Poirot?”, ao que respondeu o detetive: “Tenho a mente aberta a respeito. Nunca investiguei isto, mas devo aceitar que muitos homens de ciência e de saber se dizem convencidos da existência de fenômenos que não podem ser atribuidos a... digamos, à credulidade de uma Srta. Tripp”, numa franca referência a uma das duas pessoas que conversavam com ele sobre a prancheta e os resultados colhidos.
Esse livro de referência data de 1937, tem o título Poirot perde uma cliente e foi editado pela Record, sendo certo que a escritora, além dessas citações em suas obras, deixou uma peça teatral que não chegou a ser apresentada, denominada :“A última sessão de Espiritismo”.
Por razões pessoais sabemos que nem todos se manifestam ostensivamente, comportamento esse que não impede que Doutrina dos Espíritos lhes seja simpática.
(1) Obras Póstumas, de Allan Kardec. Rio de Janeiro-RJ – FEB - Federação Espírita Brasileira, 1998 – Introdução ao Estudo da Fotografia e da Telegrafia do Pensamento.
(2) Entre a Terra e o Céu, de André Luiz, por Francisco Cândido Xavier. Rio de Janeiro-RJ – FEB Federação Espírita Brasileira, 1997 – Cap. XXX.