O envelhecimento faz parte da vida de todos. Não é castigo e nem motivo de tristeza ou de desgosto.
Pela mediunidade de Chico Xavier, esta bela mensagem lhe foi enviada por Humberto de Campos: ‘Velhos e Moços’, falando de um diálogo havido entre Jesus e Pedro, o mais velho dos Apóstolos:
“Não era raro observar-se na pequena comunidade dos discípulos, o choque das opiniões, dentro do idealismo dos mais jovens. Muitas vezes, os seguidores humildes dividiam-se em discussões relativamente aos projetos futuros.
João comentava os planos de luta no porvir; Tiago, seu irmão, falava do bom aproveitamento de sua juventude, ao passo que o jovem Tadeu fazia promessas maravilhosas.
─ Somos jovens! ─ diziam. ─ Iremos à Terra inteira, pregaremos o Evangelho às nações, renovaremos o mundo!...
Tão logo o Mestre o permitisse, sairiam da Galiléia, pregariam as verdades do reino de Deus naquela Jerusalém infestada de preconceitos e de falsos intérpretes do pensamento divino. Sentiam-se fortes e bem dispostos. Supunham-se os únicos discípulos habilitados a traduzir com fidelidade os novos ensinamentos. Por longas horas, questionavam acerca de suas possibilidades, apresentavam as suas vantagens, debatiam seus projetos imensos. E pensavam consigo:
─ Que poderia realizar Simão Pedro, chefe de família e encarcerado nos seus pequeninos deveres?
Pedro, entretanto, acompanhava as conversações seriamente preocupado, pois era mais velho que os companheiros e suas energias, a seu ver, já não se coadunavam com os serviços do Evangelho do Reino.
Ouvindo as palavras fortes da juventude, perguntava a si mesmo o que seria de seu esforço singelo, junto de Jesus. Começava a sentir mais fortemente o declínio das forças vitais. Suas energias pareciam descer de uma grande montanha, embora o espírito se lhe conservasse firme e vigilante no ritmo da vida.
Deixando-se, porém impressionar-se vivamente, procurou entender-se com o Mestre, buscando eximir-se das dúvidas que lhe roíam o coração.
Depois de expor os seus receios e vacilações, observou que Jesus o fitava sem surpresa, como se tivesse conhecimento de suas emoções.
─ Simão ─ disse o Mestre ─ poderíamos acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E se fôssemos contar o tempo na inquietante esteira dos séculos, quem seria o mais velho de todos nós? A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria, Há ramagens que morrem depois do primeiro beijo do Sol, e flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, porém, é sempre uma bênção do Todo-Poderoso. A ramagem é uma esperança; a flor uma promessa; o fruto é realização. Só ele contém o doce mistério da vida, cuja fonte se perde no infinito da divindade!...
Achas que os moços de amanhã poderão fazer alguma coisa sem os trabalhos dos que agora estão envelhecendo?!... Poderia a árvore viver sem a raiz e a alma sem Deus?! Lembra-te da tua parte de esforço e não te preocupes com a obra que pertence ao Todo-Poderoso. Sobretudo, não esqueças que a nossa tarefa, para a dignidade perfeita de nossas almas, deve ser intransferível. João também será velho e os cabelos brancos de sua fronte contarão profundas experiências. Não te magoe a palestra dos jovens na Terra. A flor, no mundo, pode ser o princípio do fruto, mas pode também enfeitar o cortejo das ilusões.”